sábado, 18 de outubro de 2008

A BURGUESIA É O INIMIGO


A América prepara-se para eleger o seu Presidente. Pouco nos devem importar as previsões que por aí correm. Com efeito, tanto faz que ganhe o democrata como o republicano porque, para já, quem não perde é a burguesia.

Que burguesia? --- A única que há, tanto faz ser a burguesia capitalista, como a do socialismo, comunista ou não.

Pois são burgueses os socialistas? --- Sim! E de alto coturno.

Infelizmente, a grande massa ainda teima em separar capitalismo e socialismo, numa divisão antagónica, que nunca terá correspondido à realidade dos factos e, agora, menos ainda que no passado.

Na propaganda bem urdida daqueles que se aproveitam da confusão, os trabalhadores acabam como vítimas às mãos da burguesia. Até aqui, tudo verdadeiro. A mentira começa quando as pessoas são desviadas do nó do problema. E a essência da questão é só uma: a burguesia, aparece como carrasco impiedoso, tanto no capitalismo como no socialismo.

No capitalismo, o proletariado é um degrau para que a burguesia suba; ao socialismo, serve para agitar como bandeira numa luta de classes que, com um grau de crueza maior ou menor, continua a dar a vitória à plutocracia.

Onde está o motor e o nervo da burguesia? --- Nos Judeus!

Mas não constituem eles o povo eleito de Deus? --- Até que se convertam (1), a correspondência não é absoluta, porque «nem todos os que descendem de Israel são israelitas (...) não são os filhos da carne que são filhos de Deus; os filhos da promessa é que são contados como descendência.» (2).

Os Judeus têm dificuldade em aceitar isto. Não lhes convém. Optam, então, por fazer o mal e a caramunha: onde não vêem o caminho livre, desatam a gritar que é antissemita todo aquele que os hostiliza por palavras ou por actos. E, assim, vão-nos deixando sem saber o que eles são, quando apelidam de terroristas os Árabes e os mimoseiam com expedições punitivas, às quais, com tranquilo cinismo, dão o nome de acções de legítima defesa preventiva.

Judeus e Árabes, tanto uns como outros, são semitas. De modo que, por aqui, não se vê o motivo pelo qual hão-de os Judeus ser mais ciosos da sua condição étnica. Será uma questão de linhagem? Sara em vez de Agar? Parece nítido que se trata de uma disputa em família.

Porém, uma coisa há que se me afigura não menos evidente: o Árabe é, acima de tudo, muçulmano, embora de um islamismo não uniforme, mas, apesar de tudo, possuidor de uma crença sobrenatural; o Judeu acarinha especialmente a sua herança biológica, se é que não se esgota nela. Com isto, não resta alternativa senão a de reconhecer maior estatura ao Árabe. É que raça, até os animais têm. Em contrapartida, só o homem é capaz de comportamento religioso!

Onde estão os Judeus? Eles estendem-se por todo o mundo, e vamos achá-los, cheios de força, ao lado da burguesia, no país onde esta ergueu o seu trono dourado --- os Estados Unidos da América do Norte. É ali o terreno de eleição deste povo. E a simbiose é tão perfeita que, de cada presidente da nação americana, não repugna traçar o seguinte quadro: lacaio do sionismo agiota, Shylock feroz de um capitalismo arrasador, símbolo de todas as iniquidades.

Se nos lembrarmos que está na capacidade de referência a um padrão de valores a distância que vai dos homens para os irracionais, depressa concluiremos que as sociedades sem princípios morais são sociedades privadas de rosto humano. E, aqui, soa a pergunta inevitável: Que têm os States para nos oferecer? O Dow Jones e o Nasdaq!

Convenhamos que é pouco, muito pouco mesmo. Possuem, é certo, o Pentágono e a sua força bruta, pelo que as turbas alucinadas lhes prestam culto, um culto idolátrico, onde já se adivinham as libações que a Besta receberá antes da consumação dos tempos.

Porém, os deuses têm pés de barro --- as torres de Manhattan vieram ao chão e ficaram reduzidas a cinzas; o terrorismo internacional faz o jogo do gato e do rato com o novo Leviatão; no cemitério do Iraque, múmias sepulcrais vagueiam e tiram vingança dos invasores; e o Irão, sem temer os pseudocruzados, solta gritos de ameaça.

O poder americano gerou o vazio em seu redor. Por isso, quando se apresta a colher, depara com o vácuo. Ele constitui indubitavelmente a mais próxima expressão do nada: não se sabe o que tem; não confessa o que pensa; não revela o que quer. E isto por uma simples razão: nada ter de valioso; nada pensar de consistente; e nada querer de responsável. Os governos ianques, alimentados pelo dinheiro que pesa nas algibeiras da burguesia, dizem que é seu propósito doutrinar o mundo com a cartilha da democracia. Entretanto, como a democracia não existe, temos a catequese de apóstolos sem credo para pregar.

Nesta diatribe dirigida contra a burguesia, autêntico flagelo espalhado pelo mundo inteiro, mas reinando especialmente em solo americano, não é o povo daquela terra, onde há gente boa e honrada, que se pretende atacar. Os alvos são inequivocamente a Casa Branca e o venal Capitólio, teatro de mistificações sem par.

Os que ali se acoitam, hão-de sumir-se no abismo infernal das suas contradições. É lei inexorável da caminhada humana: nós, soldados da Tradição, sabemos que assim é, porque temos uma concepção providencialista da história; o inimigo também não nos parece que duvide deste desfecho, porque a sua dialéctica lhe fala na sucessão das categorias históricas.

 
Joaquim Maria Cymbron

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  1. Rom. 11, 25-27.
  2. Mt. 8, 10-12; Rom. 9, 6 e 8.

Obs.: Um blogue pró-judeu achou pertinente referir-se a este texto. As considerações, ali tecidas, podem ser lidas nesta página.
JMC

domingo, 5 de outubro de 2008

O 5 DE OUTUBRO


Fala-se muito do 5 de Outubro como aniversário de uma data que, em Portugal, marcou o fim da Monarquia e a implantação da República.
 
Isto não é correcto! A República Portuguesa nasceu em Évora-Monte, em 1834. O que se passou em 1910 foi a sua consagração oficial. À semelhança do tempo que decorre entre a vinda ao mundo de uma criança e o seu registo na competente Conservatória. Com a coincidência até de que registaram a República sem precisar o dia do seu nascimento, do mesmo modo que não era possível determinar esse momento para os expostos na roda.
 
A Monarquia, a histórica, a autêntica, caiu ao cabo de uma sangrenta guerra civil, na qual o bando contrário foi alimentado de mercenários e de dinheiro do estrangeiro. E, para além da luta épica que o Remexido sustentou, durante quatro anos, nas serranias do seu Algarve, mais tarde teve ainda forças para sair a terreiro, na tentativa de um regresso à Tradição, quando a Patuleia fazia tremer as instituições vigentes. Tropas espanholas e britânicas aproximaram-se do Porto e impuseram a Convenção de Gramido. De novo, uma intervenção do exterior a sufocar uma reacção com raízes nacionais.

Em 1910, o panorama foi muito distinto: uns tiros, correu algum sangue, e aquilo que ainda não ganhara completamente uma fachada republicana, ruiu como um castelo de cartas. Acabou a mistificação!

Se queremos restaurar Portugal, só temos a via do legitimismo. O mal a extirpar é a soberania popular. A situação falsa do demoliberalismo, enfeitado com uma coroa, nada resolveria e não livraria a realeza dos ataques pelos erros da política. Esses erros seriam precisamente os mesmos que se estão verificando agora, e já tinham ocorrido antes de 1910.

Restituir Portugal a si mesmo é talvez obra para muito tempo: todo o tecido social tem de ser refeito. A repetição da experiência de oitocentos será talvez mais fácil e é certamente tentadora porque tem a sedução de um êxito mais próximo. Mas é de uma temeridade espantosa, porque não se melhoraria a vida em comunidade, e manchava-se a imagem real.

Entretanto, vamos celebrando o 5 de Outubro como o dia em que, pelo Tratado de Zamora, no longínquo ano de 1143, Portugal nascia como nação livre. O 5 de Outubro, de 1910, nem tem de nos alegrar, nem há-de entristecer-nos. Teve, porventura, o mérito de desfazer uma realidade equívoca!



Joaquim Maria Cymbron