quinta-feira, 24 de abril de 2008

EMBUSTE MEDONHO


Diz-se que o crime do 25 de Abril foi prometer uma coisa e ter realizado outra. É um logro! A obra feita é a obra querida: desolação e morte. 

Ao triunfar o golpe dos capitães, imediatamente ficou selado o destino de Portugal. O que se lhe seguiu até hoje é a concretização do propósito de origem: destruir um património histórico e arrancar a um povo a sua alma. Tudo foi milimetricamente calculado e cumprido à risca.
 
Ouve-se, com frequência, que sofremos de défice democrático. É mentira! O que temos aí é democracia sem tirar nem pôr, democracia inteirinha com as suas falhas, que são muitas e graves, e que só não abafam as apregoadas qualidades do sistema, porque este não as tem.
 
Apenas a perfídia de uns tantos e o masoquismo dos restantes podem afirmar que o 25 de Abril nos restituiu a identidade perdida. Não foi isso que sucedeu: o 25 de Abril traiu uma gesta multissecular e abriu portas à voracidade da plutocracia internacional, que se apressou a cair avidamente sobre o corpo da Pátria e, em temulenta bacanal, continua a cevar-se no que dela resta.

Foi isto que o 25 de Abril libertou: ele pôs à solta uma turba de agiotas insaciáveis que se fartam e regalam num banquete contra naturam. Este foi o único presente que a revolução deu aos Portugueses e, mesmo assim, é um presente envenenado.

A democracia conduz à tirania. E enquanto não desemboca nisso, só acidentalmente deixa de ser a iniquidade institucionalizada.

Deus tenha piedade da Nação Fidelíssima e lhe perdoe os seus pecados sociais!



Joaquim Maria Cymbron