segunda-feira, 6 de outubro de 2014

AS DUAS COLUNAS


Guilherme Almor de Alpoim Calvão morreu. Não caiu como o roble que era: à semelhança de outra glória do Ultramar, que também agonizou na cama de um hospital, acabou com algum sofrimento. Foi mais um sacrifício que Deus lhe pediu.
Liguei aqui o seu nome à memória de Alberto Rebordão de Brito. Fi-lo sem vacilar. Os heróis sempre se irmanaram e nenhum apaga o lustre dos outros. Saem invariavelmente engrandecidos, quando colocados lado a lado. E até quando pertencem a campos opostos, o respeito entre eles é uma constante indesmentida. A inveja só tem lugar nos corações mesquinhos de quem, incapaz de ascender, procura que os demais baixem.
O conjunto, ora formado, integra-se decididamente na categoria da concórdia reinante entre almas de eleição, no campo da coragem. Viveram os mesmos perigos; a fama beijou-os merecidamente; e, pior que a hostilidade porque dói muito mais, sofreram por igual o esquecimento como paga dos serviços prestados. Num estreito abraço da admiração e da saudade que, a esta hora, enchem o meu peito, parece-me pois que é justo unir as duas formidáveis colunas do Corpo de Fuzileiros.
A data de 30 de setembro de 2014 entra inequivocamente na história de Portugal. Com efeito, esse foi o dia em que se finou um dos maiores heróis nacionais. E, sendo o amor à Pátria, o mais santo e puro amor que há, logo abaixo do amor a Deus, temos sobejas razões para esperar que a bem-aventurança da Pátria celeste se oferece, generosa e ridente, àquele que tanto amou a Pátria que Deus lhe destinou ao criá-lo, porque terá achado que essa Pátria, que é a nossa, precisava dele!
R.I.P.

Joaquim Maria Cymbron