<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223</id><updated>2012-02-01T21:18:39.295Z</updated><title type='text'>MOVIMENTO LEGITIMISTA PORTUGUÊS</title><subtitle type='html'>SERVIR A TRADIÇÃO SEM OUTRA RECOMPENSA QUE A DE NÃO RECEBER RECOMPENSA</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>56</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8055568563151908697</id><published>2012-01-25T07:42:00.003Z</published><updated>2012-01-27T10:32:13.077Z</updated><title type='text'>IMOBILISMO ORTOGRÁFICO?</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Se folhearmos a nossa riquíssima literatura desde os primórdios até aos dias de hoje, depressa notaremos que o português apresenta  uma característica comum às demais línguas: sofreu alterações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Escreveu-se sempre da mesma maneira? Deixou essa literatura de ser portuguesa porque a ortografia mudava? Foi por isso que Portugal definhou? Acaso as regras da escrita decidem dos períodos de glória ou de abatimento dos povos? Foram os clássicos de quinhentos que determinaram o esplendor e o poderio que, por essa época, a nossa Pátria alcançou? Para mim, é líquido que não! Isto que é tão simples na aparência e, repito, de uma clareza meridiana, é também relevante ao evitar que a leviandade de alguns juízos torne um acordo ortográfico culpado da nossa decadência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É certo que, apresentando-se o acordo bastante pródigo em mexidas de duvidoso senso gramatical, bem pode considerar-se que não ajuda à miséria em que nos atolámos, porque a língua também é tributária da beleza e a riqueza cultural não dispensa a estética. Mas daí a imputar-lhe a responsabilidade única de todo o mal ocorrido e daquele que se receia futuro, a distância é grande, enorme até, e além de constituir um erro crítico, redunda numa flagrante injustiça. Se reencontramos a grandeza de alma dos nossos maiores para imitá-los nas obras, imediatamente todos os temores se esfumam e darão lugar a outros cânticos, onde o aticismo da língua há-de contar como efeito e não como causa, porque só pode escrever e falar com elevação quem sabe pensar com nobreza. Os heróis praticam os feitos e os poetas, prosadores e oradores imortalizam essas façanhas. Só merece ser louvado o que mostra bizarria nas suas acções. Assim Portugal, o Portugal que desbravou Oceanos e tornou o Mundo mais pequeno, o Portugal missionário e mártir, o Portugal que enfrentou duras e cruentas pelejas, recupere o antigo brio e a velha honra, que logo veremos como a escrita e o verbo, sem as criar, narrando-as apenas, acompanharão as novas glórias!  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Este controverso acordo não é o único desmando do sistema pluripartidário &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt; que nos desgoverna. Nem sequer o mais grave. Também não creio nas terríveis proporções, que lhe atribuíram, de monstro que ameaça a nossa identidade nacional ou que vem pôr em perigo a soberania de Portugal. No entanto, tal como o firmaram, é fora de dúvida um documento medíocre e que por isso merece ser combatido. Mas essa guerra tem de ser ponderada e bem dirigida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Quando os amantes  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt; da língua contrapuserem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt; ao acordo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt; argumentos de ciência e não reagirem temperamentalmente; quando o contrariarem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt; com  racionalidade e não com emotividade; quando atacarem os autores do golpe antipatriótico &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;  &lt;/span&gt; que nos condenou à triste dependência das Internacionais; quando cruzarem todos os resultados do acordo com a insignificância numérica (e não só esta), a que ficámos reduzidos após a traição abrilista; quando tiverem a afoiteza, que não tem de ser extraordinária, para denunciar e atacar o núcleo dos males que nos afligem --- a democracia --- aí, sim, demos com o rumo e pode haver esperança de uma melhoria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Até lá, desconfio seriamente dos protestos que se levantam contra a  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; heresia&lt;/span&gt;  linguística, porque o sentimento ali patente, mais que outra coisa, parece-me quase só nostalgia ortográfica. E temo sinceramente que essa nostalgia provoque o resultado nefastíssimo de que a língua falada e escrita, no que sobra de Portugal, acabe por chegar a uma repetição do que sucedeu ao povo galego, e que é visível aos olhos de todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vacilo na buca da causa desta fobia que tanto exaspera o que se me afigura ser a falange dos  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; patriotas da língua&lt;/span&gt; , quando não são unicamente  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; patriotas de língua&lt;/span&gt; . Será por um exacerbado rigor de filologia? --- Não me parece: deve ser antes um problema de filosofia, que é como quem diz uma questão de mentalidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O uso de estrangeirismos não é certamente menos desnacionalizante do que o estabelecido pelo acordo. No conteúdo, na pronúncia e na forma de escrever, em tudo isso, as palavras não fogem à natureza do que é convencional. Bem mais que o significante importa o significado: não se concebe um significado sem significante; mas um significante, ao qual não corresponda um significado é impensável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É o significado das palvras que devemos cultivar e acarinhar. E nele recuperar a virtude que nos fala dos valores morais ali contidos. Isto, sim, parece-me uma tarefa patriótica, a única, neste campo, que exige a nossa fidelidade e justifica a preocupação de procurar cumpri-la. Nada de mal empregados esforços em fixar formas que não devem ter a pretensão de perpetuidade, porque elas próprias já vieram substituir outras. A tendência para deixar intacto o que está é doença do conservadorismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ninguém pode ignorar que a linguagem humana é articulada e que nisso se distingue dos sons emitidos pelos brutos, sons estes também inteligíveis para outros animais da mesma espécie, porque transportam uma carga significante. A língua portuguesa corre porventura risco de se perder num conjunto de sons inarticulados? A resposta não é fácil. Eterno só Deus, porque, no mais, «todo o mundo é composto de mudança.» (1). A nossa língua&amp;nbsp;nem sequer guarda promessa de imortalidade: portanto, pode vir a desaparecer. No entanto, também nada mostra que esteja condenada a uma próxima extinção É certo que o acordo consagra bastantes quedas de letras, mas a verdade é que a grafia aprovada não arrasta consigo nenhuma perda de fonemas. Não foi o som que se adaptou à letra, mas sim o contrário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Se as alterações fonéticas, que determinaram a nova ortografia, são um erro pedindo que se reaja, o remédio não é a estagnação das regras do bem escrever. O caminho está na luta aos péssimos hábitos que se instalaram e cada vez mais se enraízam. Não será temerário reconduzir esses hábitos viciosos a dois tipos de comportamentos: por um lado, abunda um falar desleixado, em que a linguagem sincopada e truncada veio substituir a frase rica de conceitos, elegante e gramaticalmente bem construída; o outro mal é o recurso às vozes onomatopaicas, o que vai desfeando gradualmente a linguagem, com o consequente risco de a transformar num amontoado de ruídos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tomadas estas cautelas, a evolução tem de aceitar-se. A língua de um povo, como tudo o que foi criado, tem dinamismo. Portanto, encaixá-la dentro dos moldes frios do  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; assim é que está bem, porque assim é que era&lt;/span&gt; , espartilhá-la desta maneira, é levá-la à morte. Dêem outras razões contra o acordo e, sobretudo, apontem uma solução que una os falantes da nossa língua. Se o não fizerem, cabe então perguntar quem está alienando um valor do património cultural português.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;_________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;Luís de Camões ---  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Sonetos &lt;/span&gt; ("Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,").&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8055568563151908697?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8055568563151908697/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8055568563151908697' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8055568563151908697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8055568563151908697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2012/01/imobilismo-ortografico.html' title='IMOBILISMO ORTOGRÁFICO?'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8155521275199911565</id><published>2011-10-04T10:11:00.020+01:00</published><updated>2012-01-25T07:52:34.359Z</updated><title type='text'>NO REINO DA IRRESPONSABILIDADE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não deve haver em Portugal bandeira mais tinta de sangue fraterno do que a usada por vós, liberais que vos dizeis monárquicos. Creio que nem nos pendões senhoriais dos tempos conturbados em que se cavavam os alicerces da nossa nacionalidade, se encontrará algum tão ensaguentado. A bandeira liberal instalou-se ao cabo da mais crua discórdia civil que Portugal viveu e, a partir daí, nunca deixou de se cobrir do sangue derramado em lutas intestinas. A não ser a gesta gloriosa das campanhas de África, escrita com as espadas impolutas de capitães e pela tenacidade de ousados exploradores, uns e outros parecendo ressurgir do  passado épico de quinhentos, não fora isso, a vossa bandeira seria uma bandeira maldita do berço à tumba. Mesmo à voz daqueles valentes, não foram exorcizados todos os demónios que a infestavam. E assim é que ela abateu ignominiosamente, descendo ao som de meia dúzia de tiros disparados por uns quantos amotinados em Lisboa. Quando um sistema não radica na alma de um povo, não encontra quem se disponha a defendê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Rei, aquele que tem verdadeira majestade, é o primeiro soldado da Pátria, o seu mais leal servidor. Pode o vosso Rei combater? Estará ele apto a servir? Para uma coisa ou outra, requer-se responsabilidade e não se manda à guerra quem sofre de uma  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; capitis deminutio&lt;/span&gt;, nem se deve esperar que ele cumpra&amp;nbsp;obrigações. Caso contrário, já seria responsável e isso vai contra o que define o vosso sistema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vede só:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;«A pessoa do Rei é inviolável, e não está sujeita a responsabilidade alguma.» (Constituição de 1822, art. 127.º). «A pessoa do Rei é inviolável e sagrada; ele não está sujeito a Responsabilidade alguma.» (Carta Constitucional, art. 72.º). «A pessoa do Rei é inviolável e sagrada; e não está sujeita a responsabilidade alguma.» (Constituição de 1838, art. 85.º).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Pergunto agora: conheceis alguém tão temerário que se afoite a celebrar negócio com quem não pode contrair uma obrigação judicialmente exigível? E tal é o pacto que celebrais com esses Reis!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Comparai este regime com o estatuído nas Constituições da República:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;«O Presidente pode ser destituído pelas duas Câmaras reunidas em Congresso, mediante resolução fundamentada e aprovada por dois terços dos seus membros e que claramente consigne a destituição, ou em virtude de condenação por crime de responsabilidade.» (Constituição de 1911, art. 46.º. O artigo 55.º deste diploma enumera os crimes de responsabilidade). «O Presidente da República responde directa e exclusivamente perante a Nação pelos actos praticados no exercício das suas funções, (...). § único --- Por crimes estranhos ao exercício das suas funções, o Presidente só responderá depois de findo o mandato.» (Constituição de 1933, art. 78.º). Finalmente, a Constituição de 1976 na sua redacção actual (art. 130.º) determina que «por crimes praticados no exercício das suas funções, o Presidente da República responde perante o Supremo Tribunal de Justiça.» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ib.&lt;/span&gt;, n.º 1) e que «por crimes estranhos ao exercício das suas funções o Presidente da República responde depois de findo o mandato perante os tribunais comuns.» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ib.&lt;/span&gt;, n.º 4).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Convenhamos que é muito mais digno. Em contrapartida, a posição do vosso Rei está privada do selo da honra devida à pessoa humana. Porquê? Porque existe um princípio basilar da ciência jurídico-penal, rico em consequências, que se contêm e enunciam nesta sucinta fórmula:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nullum crimen, sine lege&lt;span style="font-style: normal;"&gt;; &lt;/span&gt; nulla poena&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt; sine culpa. &lt;span style="font-style: normal;"&gt;  Assim, se o vosso Rei é irresponsável, não pode ser considerado culpado dos actos que pratica, pelo que   nenhum tribunal, que respeite o direito, o condenará. Isto é degradante! Eu só conheço duas categorias de seres animados que não respondem em juízo: os inimputáveis pela idade ou anomalia psíquica; e os irracionais.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não passo adiante sem frisar que na irresponsabilidade, de que o vosso Rei se rodeia, há até uma aproximação bastante ousada ao estabelecido no direito canónico. Com efeito, ali se prescreve que «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;prima sedes a nemine iudicatur&lt;/span&gt;» (can. 1404). Simplesmente, o Papa goza de uma autoridade suprema e universal que é de direito divino positivo. Juntamente com a autoridade detida pelos pais de família sobre a respectiva prole e durante a menoridade desta, a qual é de direito divino natural, a autoridade papal constitui uma das duas únicas manifestações de autoridade por direito divino. Elevar um soberano temporal a tal cimo, eis algo que só a vossa filosofia, filha espúria do despotismo iluminado e dos  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Imortais Princípios&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt; podia engendrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Periodicamente, sufragais as almas de dois príncipes portugueses. Orar por vivos e defuntos é uma das sete obras de misericórdia espirituais, pelo que, por aí, a vossa atitude merece aplauso. Mas custa-me francamente&amp;nbsp;compreender como se choram duas vidas, esquecendo a facção que veio trazer a Portugal uma guerra feroz, e que à custa dela se instalou no poder, para inaugurar o reinado da desordem, com outra guerra intestina e um cortejo infindável de pronunciamentos mais ou menos sangrentos, até desembocar no seu corolário lógico --- a República! E quando é bem provável que os assassinados tenham caído às mãos dos que sucederam no ideário de quem os alçou ao poder, então cresce a minha estupefacção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O que aqui lastimei e continuo a lastimar é a ideia gerada à volta de duas mortes, porque, infelizmente, é uma ideia muito radicada em sectores que pretendem restaurar a Monarquia, alegando entre outras coisas que a República se instalou à custa de um golpe violento. E venho chamando a atenção para o contraste, que se forma, quando se deixa no olvido os milhares de mortos que as lutas intestinas provocaram no período liberal, sistema que se implantou não com dois ou três tiros, mas após uma guerra alimentada com dinheiro do estrangeiro e intervenção das armas de Espanha: o exército do Rodil cooperando com o do Terceira, após a assinatura do Tratado da Quádrupla Aliança.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tudo isto me faz duvidar se vos moveis só por piedade religiosa. E peço a Deus que me livre de pensar se a fé toma nisto algum lugar, porque não quero incorrer em juízos temerários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;A República é a culpada da perda do Ultramar! Este é outro dos vossos chavões. Determinar um nexo de causalidade a partir do  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; cum hoc&lt;/span&gt;,  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; ergo propter hoc&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt; é de uma lógica primária. Mas falaremos mais disto, quando explicardes ao povo português a secessão do Brasil e, sobretudo, quem foi o seu cabecilha e qual o seu papel. E também quando me disserdes se foi a coroa britânica ou a coroa belga que perderam as posições que os seus países detinham. Até lá, será sempre um diálogo com tendenciosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ouço também os vossos clamores contra o ódio da I República à Igreja Católica e o seu instinto matador da família. Acompanho-vos nisso e, porque creio na vossa religiosidade não obstante certos aspectos menos ortodoxos, até venho em socorro da vossa memória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Dou como líquido tudo o que vos horroriza. Mas aos atentados perpetrados pela República contra os pilares da sociedade portuguesa, oponho estes episódios, todos eles obra de liberais:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;04ABR1832 --- Abolição parcial dos morgados (golpe na instituição familiar). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;30JUL1832 --- Abolição dos dízimos (aqui sofreu a Igreja directamente). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;08MAI1834 --- Abolição das ordens religiosas (golpe brutal na Igreja e na sociedade temporal, que perdeu a acção benéfica daqueles institutos). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;04JUL1834 --- Jesuítas, que haviam regressado a Portugal no reinado de D. Miguel, de novo expulsos (na lógica do legislado por Pombal, a abarrotar de doutrinas enciclopedistas e, portanto, um dos vossos precursores).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;23JUL1834 --- Corte de relações com o Vaticano, só reatadas em 1841. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;04ABR1861 --- Desamortização dos bens dos conventos e estabelecimentos pios (nova brutal machadada na Igreja). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;09JUN1862 --- Expulsão das Irmãs de Caridade (soma e segue). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;19MAI1863 --- Abolição final dos morgados (completada a obra iniciada na Terceira).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não chega para mostrar que, na maldade, o vosso liberalismo quase excede a da República? --- Não avançou tanto, respondereis talvez.&amp;nbsp;Bom, alguma coisa ele tinha de deixar para a herdeira fazer: esta teve a satisfação de seguir no rasto da realeza que idolatrais, e acrescentar à destruição já consumada mais uns quantos golpes da fúria deletéria!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas tal não se repetirá, bradais em uníssono! O nosso Rei, nos moldes que o desejamos, nunca promulgaria leis como as que permitem o aborto ou conferem dignidade de casamento às uniões homossexuais. Não sei e como eu ninguém sabe que comportamento ele teria, posto diante destes desafios. Uma vez que a ignorância não permite afirmar nem negar, só resta o caminho de analisar o que vem ocorrendo nesta matéria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Infelizmente, nem todos são Balduíno da Bélgica, Henrique do Luxemburgo ou Alois de Liechtenstein. Reparemos na Espanha. É esse o modelo a seguir? Pois essa Monarquia aprovou a aberração das parelhas homossexuais primeiro que a República cá de casa, e tem legislação muito mais permissiva no aborto. No entanto, não era aquela a Nação Católica como nós fomos a Nação Fidelíssima?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;De tudo isto, uma conclusão: se é certo o que afirmais do vosso Rei, temos então que fazeis depender de qualidades pessoais o desfecho dos problemas da causa pública. E a isso chamais as virtudes do poder moderador, esquecendo que os homens passam e as nações permanecem. Nem descortino como pode ter mérito quem acerta, quando não pode ser demandado se erra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por aqui, parece-me lícito concluir que não está na forma política a raiz do mal, de maneira a afirmar-se que as repúblicas são diabólicas e as monarquias, as autênticas e as que não passam de simulacros disso, são invariavelmente angelicais. E nem se diga que o que se atacou foi a nossa República porque eu já mostrei a obra do liberalismo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Em suma: mais do que uma disjuntiva entre formas políticas, a solução, para mim, depende da consonância  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; princeps atque populus&lt;/span&gt;, entendido o  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; princeps&lt;/span&gt;  no seu sentido etimológico mais lato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por isso, o facto de acreditar na virtude e nos efeitos da continuidade dinástica não me leva a afirmar que o Presidente da República não possa arrogar-se o direito de representar todos os Portugueses. Eis porquê:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um grandíssimo número de vós, senão mesmo a totalidade, é constituído por democratas. Ora, para os democratas, a soberania revela-se no querer de uma maioria simples ou qualificada. Este  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; dogma&lt;/span&gt;, de uma religião de que não comungo, impõe aos seus fiéis o seguinte comportamento: a vontade pessoal há-de ceder perante a vontade geral expressa em sufrágio. Logo, um democrata, se é consequente com o credo que diz professar, tem de admitir o resultado saído das urnas e perfilhá-lo como seu, ainda que não fosse nesse sentido o voto que depositou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Nestes termos, o Presidente de qualquer República pode invocar representatividade universal com a mesma legitimidade que o Rei tal como procurais trazê-lo de volta. Com efeito, na peregrina tese que advogais para uma restauração monárquica por via eleitoral (e prescindo agora da análise de outros vícios da mesma), só o puro delírio pode aspirar a uma votação unânime no regresso do Rei. E isto a admitir uma vitória no vosso projecto, o que é uma previsão muito generosa. Pergunto então: como há-de o vencedor proclamar-se Rei de todos os Portugueses se negam essa qualidade aos Chefes de Estados republicanos, pelo facto de que não foi o preferido de todos os eleitores?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O processo de designação é o mesmo: não se pode dar ao Rei o que é recusado ao Presidente da República. E nem se argumente que a sucessão apaga o vício: a dinastia carrega esse pecado de origem para o qual dificilmente conheço baptismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;É então uma fatalidade que os sucessores do Rei eleito em moldes democráticos ou ele próprio não conseguirão pelo exercício apagar o defeito do título? --- Não é impossível e, se isso suceder, óptimo porque a legitimidade de exercício vale mais que a legitimidade de origem. Mas, neste campo e com este alcance, o mesmo se poderá dizer a favor de qualquer Presidente da República. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Por mim, nem sujeito a caução acredito no vosso monarquismo. Tendes apenas o fascínio da realeza. Ora convém não confundir conceitos: a realeza mais não é do que um aspecto da dinastia e esta um elemento e só um dos elementos da Monarquia, sem que de forma alguma a preencha. Monarquia, a genuína, é realeza, sim, mas realeza como rosto da dinastia, laço perene e visível da vocação de perpetuidade da Pátria. E não se esgota nisto: faltam ainda os organismos naturais que a constituem, desde as corporações da cultura, do saber, do trabalho, dos ofícios e das actividades lúdicas, até às autarquias geográficas e profissionais. O que não cabe na Monarquia são os partidos, esses parasitas que medram no lodaçal de sociedades invertebradas e atomizadas, e que são verdadeiros cancros do tecido nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Só assim a Monarquia exercerá a sua acção benfazeja. O  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; princeps &lt;/span&gt; reina e governa através de ministros da sua livre escolha, graças a um poder limitado pela moral católica, pelas leis fundamentais e pelas forças vivas da nação. As Cortes, estruturadas  neste estilo, serão o canal através do qual passa a voz que fala à consciência do Rei, levando aos seus ouvidos os anseios da justiça por que clama o povo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Tende as ideias políticas que quiserdes. Elas só não são más, porque são péssimas. Mas, por tudo quanto há de mais sensato, de mais lógico e prova de maior maturidade, sede coerentes e não trateis os outros como imbecis, porque isso é sinal de pouca inteligência. Não sois mais que&amp;nbsp;estetas da coroa real. E não sendo isto nada, já é muito o que vos concedo, porque alguns de vós nem isso são!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8155521275199911565?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8155521275199911565/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8155521275199911565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8155521275199911565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8155521275199911565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/10/no-reino-da-irresponsabilidade.html' title='NO REINO DA IRRESPONSABILIDADE'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-3189832020640764334</id><published>2011-07-03T05:10:00.004+01:00</published><updated>2012-01-26T05:28:41.783Z</updated><title type='text'>PÁTRIA MUTILADA</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O texto, que segue, foi escrito há bastante tempo e teve  publicação no jornal &lt;strong&gt;O Dia&lt;/strong&gt;, de 27 de Setembro de 1979.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; São poucas as alterações e quase todas de ordem formal.  A substância não sofreu modificação. Ficou intacta, porque infelizmente se  confirmou o que eu previa.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Dirijo-me aos Portugueses. Apelo para a sua capacidade de compreensão. E  conto que alguns, por uma questão de equidade, se dignarão ler-me até final ---  depois, pesem e julguem as minhas palavras. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Se escrevo é, obviamente, porque desejo convencer: não escondo esse  interesse.&amp;nbsp;Mas desde  já friso que a força do meu pensamento não depende de cifras numéricas. A  demagogia nunca foi minha moeda de troca: seria infinitamente triste e mesmo  ignóbil que cedesse à tentação baixa de a manejar, agora, em que uma vez mais  lanço um brado de alerta junto da consciência dos filhos legítimos da nação, à  qual também me orgulho de pertencer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;O acerto ou desacerto do que aqui disser, encontrar-se-á na própria  estrutura dos meus raciocínios e jamais no maior ou menor aplauso que eles  venham a obter. Admitir isto seria a inversão completa da filosofia dos valores.  Rejeito &lt;em&gt;ipso facto&lt;/em&gt; toda a linha subversiva que, para não retroceder mais, do  que até ao dealbar da Idade Moderna se instalou com Lutero, que anatematizou a  razão humana com um epíteto obsceno, passando por Rousseau, o qual classificou o  homem que medita como um animal depravado e chamou ao estado reflexivo um  estado antinatural, tocando ainda em Kant, que tornou o sujeito norma da  verdade, para acabar em Nietzsche, cujo sonhado &lt;em&gt;Super-Homem&lt;/em&gt; seria padrão da  verdade e do erro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Repudio todos estes sistemas de moral que consideram a coisa boa por ser  apetecida ou caem no relativismo agnóstico, para abraçar a proposição da  escolástica: devemos apetecer o que é bom. Isto traduz uma profissão de fé, e de  fé católica, acentuo-o, que actuará sempre como &lt;em&gt;norma negativa&lt;/em&gt;, quer dizer, não  me indicando o que hei-de afirmar, pautará no entanto o meu pensamento  filosófico e político. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;São estes os princípios que me norteiam e em resultado dos quais não posso  prosseguir sem uma violenta diatribe no que respeita à sorte que nos coube e à  situação a que chegámos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Portugal corre risco de morte debaixo do perigo quotidiano representado  pela partidocracia, uma das cabeças dessa hidra letal que é a democracia.  Monstro ou fantasma, não sei bem com quem me tenho a haver no campo das  sensações empíricas. Se de um fantasma se trata, não oculto que é, na verdede,  um fantasma &lt;em&gt;sui generis&lt;/em&gt; --- este não apavora as pessoas: sedu-las; não arrasta  grilhões, mas acorrenta povos inteiros que se julgam livres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Vem de molde analisar o trecho com que abre o &lt;em&gt;Manifesto Comunista&lt;/em&gt;: «Um  espectro ameaça a Europa: o espectro do comunismo». Chamando a atenção para o  parentesco semântico, entre fantasma e espectro, registo aquele passo do  Manifesto porque entendo que a prática democrática tende, na sua lógica, para  toda a espécie de totalitarismos, de preferência o comunista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Mas que é, afinal, a democracia? Dá-se este nome a um sistema de governo  que se exerce segundo um método dialéctico, em que o número desempenha papel de  relevo: a maioria dita a sua vontade à minoria. Identifica-se assim vontade,  quando não capricho, com o esclarecimento, o que leva a cair no erro que, acima,  apontei: o bem, que deve ser objecto de constante busca por parte da  inteligência, acaba flutuando ao sabor do maior ou menor apetite num ou noutro  qualquer sentido. Mais: como a maioria é composta pelos menos dotados em tudo, a  democracia redunda no império, em toda a linha, de uma notória  mediocridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Urge desmistificar os que trapaceiam com a política e desgraçam as nações.&amp;nbsp; O próprio Rousseau, patriarca das modernas democracias, não escondeu o  seguinte: «&lt;em&gt;A prendre le terme dans la rigueur de l' acception&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;il&amp;nbsp;n' a jamais  existé de véritable démocratie&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;et il n' en existira jamais. Il est contre l'  ordre naturel que le grand nombre gouverne et que le petit soit gouverné&lt;/em&gt;.»  (1)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Outro dos delitos da democracia, consiste em tentar colocar a sua  legitimidade numa imaginária soberania popular. Este é um dos seus mais  venenosos embustes, cujos arautos bem se esforçam, com os mais repugnantes  ardis, por ver coroado de êxito.&amp;nbsp; Fazem-no com esperteza, mas uma esperteza  saloia; inteligência, nem ponta dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A causa remota da soberania é Deus. Àqueles que se mostram capazes de  dirigir (e que saem do povo, sem dúvida), podemos considerá-los causa próxima  por quem Deus actua. E, por último, temos o povo que apenas condiciona a  soberania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Não desconheço um importantíssimo trecho de Suárez, a respeito do poder  político. Vou transcrevê-lo pela sua acuidade:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;«&lt;em&gt;Secundo assero hanc potestatem non resultare in humana natura&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;donec  homines in unam comunitatem perfectam congregantur&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;et politice uniantur.  Probatur&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;quia haec potestas non est in singulis hominibus divisim sumptis&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;nec  in collectione&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;vel multitudine eorum quasi confuse&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;et sine ordine&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;et unione  membrorum in unum corpus&lt;/em&gt;; &lt;em&gt;ergo prius est tale corpus politicum constitui&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;quam  sit in hominibus talis potestas&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;quia prius esse debet subiectum potestatis&lt;/em&gt;,  &lt;em&gt;quam potestas ipsa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;saltem ordine naturae&lt;/em&gt;.» (2)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Afigurar-se-á ser este um argumento de peso que me poderiam contrapor.  Lamento, contudo, dizer que sem qualquer quebra de respeito pelo imenso talento  do jesuíta espanhol, que em muitos pontos e nos diversos campos a que se  estendeu o seu largo saber, acato escrupulosamente, não descortino em todo  aquele monumental tratado uma só passagem que explique «&lt;em&gt;quomodo efficiunt unum  corpus mysticum&lt;/em&gt;» (3), &lt;em&gt;sine uno capite quod indiget&lt;/em&gt;, o que me leva aqui a  afastar-me do ilustre granadino&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Essa cabeça de que precisa a comunidade política é a chave que abre  exactamente um dos caminhos para a solução desta delicada matéria. O motivo de  todas estas confusões reside no facto de&amp;nbsp;não se&amp;nbsp;proceder à análise correcta dos  atributos que rodeiam o poder político. Da visão distorcida do problema, quando  não da absoluta cegueira sobre o mesmo, é que derivam todos os males.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Por isto mesmo, não me inibo de continuar na liça denunciando a necessidade  imperiosa do derrube desta ordem que arrastou a Nação para uma catástrofe sem  paralelo em todo o seu longo passado, e que a degrada cada vez mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;___________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol dir="ltr"&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;Du&amp;nbsp;Contrat Social&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Liv&lt;/em&gt;. III,&amp;nbsp;&lt;em&gt;Chap&lt;/em&gt;. IV&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;De  Legibus&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Lib&lt;/em&gt;. III, &lt;em&gt;Cap&lt;/em&gt;. III, 6&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;., &lt;em&gt;Lib&lt;/em&gt;. III, &lt;em&gt;Cap&lt;/em&gt;.II, 4&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&amp;nbsp;JMC&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-3189832020640764334?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/3189832020640764334/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=3189832020640764334' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3189832020640764334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3189832020640764334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/07/patria-mutilada.html' title='PÁTRIA MUTILADA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-214352783932294027</id><published>2011-05-18T04:32:00.018+01:00</published><updated>2012-01-26T05:30:38.087Z</updated><title type='text'>A SINAGOGA DE LISBOA E OLIVEIRA SALAZAR</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt;No passado dia 16 deste mês, o jornal  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Público &lt;/span&gt; trazia um artigo intitulado  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; O escândalo da Cruz&lt;/span&gt;, assinado por Gonçalo Portocarrero de Almada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Chamou-me a atenção a seguinte passagem: «&lt;span lang="pt-PT"&gt;&lt;strong&gt;Não é por acaso que os inimigos da liberdade o são também da presença pública de símbolos religiosos. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Por isso, Estaline arrasou inúmeras igrejas e Salazar não permitiu que a sinagoga de Lisboa fosse visível da via pública.&lt;/span&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Haverá quem delire com a assimilação de Oliveira Salazar a Estaline. Este recurso estafado continua a ser moeda&amp;nbsp;corrente no mercado da opinião pública, sempre tão sensível à demagogia. É uma medida de retórica, cujo baixo custo, na crise em que nos mergulhou o sistema inimigo dos ditadores, até poderia ser economicamente conveniente. O pior é que nem todos os valores são quantificáveis em dinheiro, pelo que o discurso adoptado pode sair&amp;nbsp;caro aos que lhe derem ouvidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Mas o principal está salvaguardado: a fogosa profissão de fé política contra os inimigos da  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; Liberdade&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Entretanto, lembro modestamente que a Sinagoga de Lisboa celebrou, em 2004, o seu centenário e que, à data da sua construção, escondida da rua, porque «&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Salazar não permitiu que (...) fosse visível da via pública&lt;/span&gt;», o &lt;em&gt;parceiro&lt;/em&gt; de Estaline era seminarista adolescente em Viseu, só tendo chegado ao Governo com os militares triunfantes em 28 de Maio de 1926, e a Presidente do Conselho no ano de 1932.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O artigo, no seu todo, é de qualidade bastante duvidosa. Porém, o que tem de objectivamente mais evidente no seu teor negativo, ficou registado. E o que particularmente choca é o facto de ser um sacerdote católico quem o produziu. Não ignorará, por certo, que é a Verdade que liberta! (1)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;_______________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;Jo 8, 32&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-214352783932294027?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/214352783932294027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=214352783932294027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/214352783932294027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/214352783932294027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/05/sinagoga-de-lisboa-e-oliveira-salazar.html' title='A SINAGOGA DE LISBOA E OLIVEIRA SALAZAR'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-4243175625749592116</id><published>2011-04-25T22:35:00.012+01:00</published><updated>2012-01-26T05:31:46.441Z</updated><title type='text'>NO TRIBUNAL CORRECClONAL DE LISBOA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;Mais um 25 de Abril, mais um documento contra aquela data:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Proferi as palavras, que abaixo seguem, no final da audiência de julgamento, realizada no âmbito do primeiro processo que me foi instaurado por ter chamado traidor a Mário Soares. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Do segundo processo e da forma como ele terminou, &lt;a href="http://legitimismo.blogspot.com/2008/04/emailing-traiohtm-as-attachment_07.html"&gt;já dei notícia&lt;/a&gt; neste blogue. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A&amp;nbsp;palavra traidor, que proferi, está proferida e eu não lhe retiro uma única letra. Ninguém, pois, veja em mim qualquer sinal de retractação uma vez que tal propósito não existe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Contudo, sempre desejo confirmar o que, em tantas ocasiões, foi repetido ao longo desta acção que o MP me move: ao acoimar de traidor o Senhor Presidente da República, foi minha intenção censurar o comportamento que S. Exa. teve naquilo que ficou conhecido como processo de descolonização, comportamento esse que, salvo melhor juízo, integra o crime previsto e punido no § único do art. 141.º do Código Penal de 1886, nas alíneas a) e b) do art. 334.º do Código Penal vigente e no art. 7.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho. (1).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Não se chama traidor a uma pessoa por mero exercício de linguagem ou no jeito de quem solta um desabafo: chama-se quando se pretende invectivar alguém pela prática de factos que preenchem a figura da traição. Foi com este alcance que eu disse que o Senhor Presidente da República é um traidor e, portanto, o Tribunal só pesará devidamente a injúria, de que sou autor, se a apreciar na exacta medida que acabo de indicar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;O&amp;nbsp;crime de traição ocorre, quando o património espiritual e material de gerações sucessivas, ligadas pelo sangue e por uma comunhão de interesses e ideais, é gravemente atingido. E todo aquele que cause um dano profundo neste legado de esforço e sacrifício, que o tempo continuadamente vai depositando nas mãos de cada um de nós, não pode receber senão um nome: traidor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Eu não ignoro que a filosofia política, que é hoje a dominante em Portugal, se mostra declaradamente contrária ao colonialismo. Esta concepção da vida e do mundo que, todavia, nenhum sopro novo traz à nossa mentalidade tal como ela, com altos e baixos, se foi modelando através da História, deve concitar o aplauso de todos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Efectivamente, a pessoa humana, só pelo facto de o ser, tem uma dignidade muito própria e essa dignidade é intangível. Nesta ordem de raciocínio, se uma classe social ou económica se encontra oprimida ou é explorada, aquilo que há a fazer é acabar com tais abusos e nunca voltar a prender-lhe aos pés umas grilhetas para que as arraste em diferente servidão. De forma análoga, se, para os fautores do &lt;em&gt;25 de Abril&lt;/em&gt;, os nossos antigos territórios ultramarinos eram colónias, então, o dever deles seria o de pôr cobro a essa situação. Mas dar carta de alforria implicaria, antes de mais, auscultar os seus anseios porque, se o colonialismo é reprovável aos olhos da Constituição, neste diploma também se consagra o direito dos povos à autodeterminação (art. 7.º, n.º1 e n.º2) (2), princípio, aliás, já expresso no Programa do Movimento das Forças Armadas. E isto, que prometeram ao povo português, é precisamente aquilo que não se observou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Os Portugueses têm, seguramente, o direito de se dividir quanto à melhor forma de servir a Pátria: o que não devem é fazê-lo para encontrar o meio mais eficaz de a destruir. Ora foi isto, desgraçadamente, o que sucedeu depois do &lt;em&gt;25 de Abril&lt;/em&gt;: não se me peça, por conseguinte, para calar o crime que foi quanto se praticou a partir daquela data e que veio a designar-se por descolonização. Foi crime e crime continua sendo à luz da dogmática jurídica instituída: um dos agentes dos factos, que constituem este crime, é, notoriamente, o Senhor Presidente da República.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Sem que eu contasse, parte da comunicação social perguntou-me se paira, no meu horizonte, o objectivo político de uma restauração monárquica. Não sei que houve para esta curiosidade. Tenho, porém, uma resposta: É certo que sou monárquico e até monárquico miguelista. Mas, agora, isso não está em causa. Aqui, independentemente do meu monarquismo, eu insurjo-me contra o atentado de que a Pátria foi vítima e de cujas feridas ainda sangra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Não há a Pátria dos monárquicos contraposta à Pátria dos republicanos: há a Pátria dos Portugueses e, destes, se algum for tão miserável que a ofenda, a sua atitude torna-se pior que a mais acre hostilidade vinda do exterior. A não se entender assim, casos como este deixariam de ter uma magnitude nacional para se converterem em questões do mais estreito sectarismo político!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Neste ponto, aplica-se o que diz a terminologia escolástica: há aquilo que é mais ou menos opinável e aquilo que não sofre discussão. A Pátria está nesta última categoria --- a Pátria é uma só, a Pátria é a mesma para todos os seus filhos e são seus filhos os que dela se orgulham. Daí que a Pátria seja também exclusiva: traí-la é sempre um acto hediondo e o desnaturado que o fizer atrai sobre si o anátema dos que a querem íntegra e justa, aos olhos de Deus e dos homens.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Sem ódio, sem qualquer ponta de ódio, mas também sem descanso, sem um minuto sequer de descanso, em liberdade ou privado dela, guiado pelo meu espírito, que nada nem ninguém para lá de mim pode acorrentar e confortado pela força do amor, que guardo a Portugal, eu hei-de continuar a combater a obra de destruição nacional pela qual o Senhor Presidente da República é um dos principais responsáveis.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Não busco vingança pessoal; apenas desejo, mediante a minha acanhada prestação, contribuir para que a Pátria reencontre a nobreza e galhardia de outrora. Deste modo, espero cumprir aquilo que, em consciência, penso ser uma obrigação indeclinável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Se, depois de esgotadas todas as vias de recurso, os tribunais me vierem a condenar, suportarei calado a pena que me for imposta, porque mesmo o mais inglório dos Portugueses não pode nem deve pedir clemência a quem traiu a Pátria. E se sou eu esse português, além de não poder nem dever, também não quero fazê-lo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Lisboa, 15 de Junho de 1994&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;_________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;As disposições legais, para que se remete, são obviamente as que vigoravam à época da minha defesa.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;Id&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;JMC&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-4243175625749592116?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/4243175625749592116/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=4243175625749592116' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4243175625749592116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4243175625749592116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/04/no-tribunal-correcclonal-de-lisboa.html' title='NO TRIBUNAL CORRECClONAL DE LISBOA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-2379639742971778946</id><published>2011-04-19T23:10:00.004+01:00</published><updated>2012-01-26T05:32:44.791Z</updated><title type='text'>REDENÇÃO PASCAL</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Misericors et propitius est Dominus,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: right;"&gt;Tardus ad iram et admodum clemens.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: right;"&gt;Non in perpetuum contendit,&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: right;"&gt;Neque in aeternum succenset.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: right;"&gt;Non secundum peccata nostra agit nobiscum,&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: right;"&gt;Neque secundum culpas nostras retribuit nobis.  &lt;span style="font-style: normal;"&gt; (1)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; margin-right: 1pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Com efeito, os nossos primeiros pais desobedeceram à ordem que lhes foi dada pelo Criador  &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt; e, &lt;/span&gt; com eles, desobedecemos todos. Parecíamos irremediavelmente perdidos. Mas não aconteceu assim! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Vou atrever-me a levar até ao sublime religioso o &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;  &lt;/span&gt; linguajar do profano forense. Logra-se, deste modo, um maior dramatismo e nada se perde em rigor teológico. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Direi, pois, que houve um recurso. E qual o &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;  &lt;/span&gt; seu mérito? --- Este e nada mais que este, porque nem mais se poderia interpor: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;T&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os homens na sua temerária soberba levantaram, entre eles e Deus, a barreira de uma culpa infinita.  &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt; A &lt;/span&gt; reparação tinha de apresentar-se equivalente: já não estava nas mãos dos homens dá-la. A este propósito, S.to Agostinho  &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt; a&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;fi&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;m&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;ou: &lt;/span&gt; «&lt;em&gt;V&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;endere&lt;/span&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt; p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;t&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;t &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; s&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;d&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;m&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; potuerunt &lt;/span&gt; (2). E S. Tomás foi claríssimo: «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Homo autem purus satisfacere non poterat pro toto humano genere; Deus autem satisfacere non debebat; unde oportebat Deum et hominem esse Iesum Christum.&lt;/span&gt;» (3).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Que vemos, então?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 3pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Um Deus que se faz homem, desce à Terra e pede ao Deus que fica no Céu um compasso de clemência: «Pai, espera um momento! No fel da agonia que me envolverá, eu aceíto o cálice que Me tens destinado e hei-de bebê-lo até à última gota». E o Deus que isto pedia, ainda encontrou forças para implorar o nosso perdão na Cruz bendita em que padeceu e expirou. Ao terceiro dia, vencia a própria morte e, com ela, o pecado de cuja servidão nos libertava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 1pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Trilogia de assombro! Trilogia majestosa! Trilogia única! Porque mesmo depois de cumprida a promessa dos tempos escatológícos, o mistério da Encarnação, a agonia do Calvário e o triunfo da Ressurreição continuarão formando o maior prodígio de sempre! A grandeza do amor, que aqui transparece, é tanta que só de rojo a poderíamos agradecer. A sua verdade impõe-se de tal maneira que até os próprios condenados, no meio dos tormentos infernais, a proclamam em brados de eterna desesperação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; margin-right: 4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O braço misericordioso de Deus estende-se imenso como a infínitude da Sua justiça. Por isso, Maria, Arca da Aliança, glorificou o Senhor, dizendo: «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;t&lt;/span&gt;   &lt;span style="font-style: italic;"&gt; mi&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;c&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; a&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; pr&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;g&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; t&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;m&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;n&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;t&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;i&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;b&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;s&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;  &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: italic;"&gt; E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;u&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;m&lt;/span&gt;». (4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;_______________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Ps&lt;/em&gt;.  &lt;span style="font-style: normal;"&gt; 102 (103), 8-10.&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Enarr&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Ps&lt;/em&gt;.  &lt;span style="font-style: normal;"&gt; 95, 5 (cit. por Ludwig Ott, &lt;/span&gt; &lt;em&gt;Manual de Teología Dogmática&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt; , Editorial Herder, Barcelona, 1969, p. 284).&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Summa Theologica&lt;/em&gt;  &lt;span style="font-style: normal;"&gt; III, &lt;/span&gt; &lt;em&gt;q&lt;/em&gt;. &lt;span style="font-style: normal;"&gt; 1, &lt;/span&gt; &lt;em&gt;a&lt;/em&gt;. &lt;span style="font-style: normal;"&gt;  2. &lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Lc&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. 1, 50&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-style: normal;"&gt; .&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-2379639742971778946?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/2379639742971778946/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=2379639742971778946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2379639742971778946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2379639742971778946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/04/redencao-pascal_5729.html' title='REDENÇÃO PASCAL'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-4489169712460454426</id><published>2011-01-06T18:29:00.022Z</published><updated>2012-01-25T08:00:36.552Z</updated><title type='text'>MANIFESTO DA DUQUESA DE GUIMARÃES</title><content type='html'>&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em dia de Reis, vem de molde lembrar as palavras que abaixo seguem. Ao acendrado patriotismo da Sereníssima Senhora D. Aldegundes de Bragança, Infanta de Portugal, devemos a sua existência.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mais do que se apresentarem escritas num português límpido, nelas é a alma nacional que vibra, no tom candente que enche aquele Manifesto do princípio ao fim. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;Não é um tratado de filosofia política que temos diante dos olhos. Mas pressupõe-na. Se assim não fosse, não poderíamos ler as&amp;nbsp;verdades&amp;nbsp;luminosas que ali estão.&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family: Times; font-size: small;"&gt;O estilo conciso e incisivo&amp;nbsp;constitui outro dos seus méritos: é a arte de dizer muito e certo, em&amp;nbsp;curto espaço.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div style="color: black; display: inline; font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;; font-size: small; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none;"&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; margin-right: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De mim conhecido, constitui o último documento político ortodoxo firmado do punho real ou em seu nome.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;À NAÇÃO PORTUGUESA:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Tendo assumido, para serviço da Nação e por encargo de meu querido e amado irmão, D. Miguel II de Portugal, como se fosse em Regência, a tutela política do Príncipe D. Duarte de Bragança, legítimo representante de El-Rei meu Pai e dos Reis nossos Avós, nesta hora incerta de ameaças e presságios, quero eu afirmar a todos os Portugueses, sem distinção de bandeiras, a fé nos destinos da nossa Pátria; e quero também afirmar-lhes a esperança certa de ver acordar nos seus espíritos e nos seus corações a antiga e firme lealdade, o amor e a dedicação com que sempre serviram o bem comum, sob o governo e a protecção das Dinastias para maior honra e grandeza do Reino de Portugal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A todos dirijo neste momento as saudações gratíssimas ao meu coração de Mulher e de Portuguesa, e, quando a nossa Pátria, martirizada na sua dolorosa decadência, manchada de sacrifícios, ensanguentada pela guerra civil, vítima da sua ruína económica, reclama o esforço de todos os seus filhos para a obra da sua libertação e da sua reconstrução, eu relembro particularmente, para o reconhecimento da História, aqueles todos que pelo sacrifício do sangue, pelo sofrimento das prisões, pelas agruras do desterro, têm dado testemunho da sua fidelidade aos princípios eternos que defendemos, proclamando o protesto armado da Nação contra o poder usurpador e opressivo da sua actual forma de governo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Na compreensão dos deveres que me incumbem e decidida a cumpri-los, sem transigências nem hesitações, para interesse da Pátria e por missão da minha Dinastia, solenemente declaro que é meu firme propósito restaurar, conforme a vontade da Nação, pela Monarquia Representativa dos Municípios e das Corporações da Inteligência e do Trabalho, aquela tradição de governo que em oito séculos de glória assegurou a independência e a felicidade do Povo Português, com as virtudes da Religião e da Honra e com a prática dos sãos costumes antigos, nos quais temos de firmar, agora ainda, as melhores razões para o resgate de tantos males e de tantos erros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;O Príncipe D. Duarte Nuno de Bragança, meu Augusto Sobrinho, oferece pela minha voz, com o penhor da sua juventude sem responsabilidades, a melhor esperança de continuar pela glória do Seu nome, pela virtude do Seu sangue, a verdadeira Tradição Nacional, já duas vezes interrompida, pela política do século XVI e pelo Liberalismo Revolucionário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;E, segundo os seus termos que me proponho em breve fazer definir e publicar, será respeitado o espírito das antigas leis e consagrado o valor das velhas instituições, filhas da índole e dos costumes seculares dos Portugueses e cuja ressurreição a consciência do mundo moderno reclama, adaptando-se, com escrúpulo e prudência, às condições do nosso tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Neste sentido, serão reconhecidas as liberdades das Províncias e a autonomia dos Concelhos em seus foros reformados, será restaurada a Nobreza em função do serviço público, revigorada a instituição da Família na sua unidade, na sua indissolubilidade e no seu património inalienável, organizando-se a produção nacional nas suas respectivas corporações, com satisfação dos legítimos interesses dos trabalhadores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Todas as profissões organizadas intervirão nos órgãos administrativos do Estado e na Assembleia das Cortes-Gerais da Nação, com exclusão das facções causadoras de lutas civis, coordenando-se todas as actividades e interesses pela direcção do poder do Rei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;No plano restaurador da Nação Portuguesa, a par da obra do povoamento do Sul do País, constitui um capítulo de primacial importância a defesa e desenvolvimento das Colónias, conquistadas e mantidas à custa do sangue dos nossos Maiores para título glorioso da nossa civilização, devendo consagrar-se-lhes a mais zelosa atenção, tão necessária à sua prosperidade e para bem de todos os Portugueses. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;À Igreja Católica, por ser a depositária da tradição religiosa da nossa raça e mestra da verdadeira fé, serão restituídos os seus privilégios e liberdades no foro espiritual, reconhecendo-se o direito de associação e ensino às ordens regulares, consagrando-se a moral cristã como a base essencial da educação na Escola e na Família e promovendo-se ainda as possíveis restituições dos bens que lhe foram extorquidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;A Cultura Nacional, confiada especialmente à Universidade, às Escolas, às Corporacões da Inteligência, receberá um impulso novo com a reforma dos programas e dos métodos e com a escrupulosa selecção moral e mental dos professores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Quanto às relações externas, o bem da Nação exige que a Monarquia Restaurada mantenha, renovando-as, as antigas alianças diplomáticas que foram obra dos nossos Reis, procurando estreitar outras relações que os interesses da nossa vida política aconselharem, tanto na Europa como na América.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Importa afirmar também que, dentro da Nação resgatada pela Monarquia, todos os Portugueses dignos deste nome serão chamados a desempenhar, nas funções do Estado ou na representação corporativa, os cargos que lhes pertencerem, sem outros títulos ou preferências que não derivem dos seus próprios merecimentos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;No pensamento e execução destas intenções, vai o meu apelo para todos os Portugueses, para a lealdade dos soldados e marinheiros, para a nobreza profissional dos trabalhadores, para o apostolado dos professores, dos artistas e dos homens de pensamento, para o espírito criador dos chefes de empresa, lavradores, industriais, negociantes, e para as virtudes do entusiasmo e da sinceridade da juventude das Escolas; e que ele possa chegar até às populações do nosso Ultramar e às colónias de portugueses do Brasil, da América do Norte, do Oriente e a toda a parte em que os nossos compatriotas afirmam, entre tantas raças diferentes, o valor antigo da nossa raça.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Ao dirigir-me ao nosso País, um só pensamento me anima e conduz --- bem servir a Pátria dos Reis meus Avós. Sinto-me já mais perto de Portugal por ter o dever e a glória de trabalhar para o seu resgate. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;E porque o Príncipe em quem se encarnam hoje todas as nossas esperanças, traz com o sangue o nome do grande Condestável, eu o confio à protecção do seu arnês de Soldado e à graça do seu burel de Santo; e certa estou de que nunca ele faltará ao seu Povo nas lutas e sacrifícios e de que sempre honrará o seu posto, para vencer, na tradição gloriosa dos Reis D. Afonso Henriques e D. João I, ou para morrer, no exemplo heróico de El-Rei D. Sebastião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Sob a muito firme resolução de defender em sua Real Pessoa os direitos que lhe pertencem, aqui deixo selado o juramento de fidelidade e vassalagem e igualmente prometo e juro entregar-lhe todos os poderes, que por Seu Augusto Pai me foram confiados, logo que o Príncipe D. Duarte Nuno, conforme a Tradição e as antigas Leis, possa assumir por Si mesmo a direcção política da Causa Nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div dir="ltr" style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;; font-size: 10pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;E com o auxílio de Deus, por D. Duarte II, saberemos todos salvar o Reino de Portugal!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-4489169712460454426?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/4489169712460454426/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=4489169712460454426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4489169712460454426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4489169712460454426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2011/01/manifesto-da-duquesa-de-guimaraes.html' title='MANIFESTO DA DUQUESA DE GUIMARÃES'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-4158970881994515969</id><published>2010-12-02T04:00:00.009Z</published><updated>2012-01-25T08:02:20.675Z</updated><title type='text'>RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Só duas palavras, a propósito da data ontem vivida:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Antes de repelir o que não queremos, é da mais elementar higiene intelectual e moral, afirmar a nossa identidade. Do que somos, se há-de inferir o que rejeitamos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Raras vezes, para não dizer nunca, vi melhor hino ao 1.º de Dezembro do que &lt;/span&gt;&lt;a href="http://espectador-portugues.blogspot.com/2010/12/dos-que-servem.html"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;aqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt; se lê. Não é rompendo em diatribes contra Castela que uma nação se constitui. Portugal restaura-se a partir do dia em que cada Português procure merecer a honra de ser considerado um aristocrata.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Nos sombrios tempos que correm,&amp;nbsp;a plebe ruge e a&amp;nbsp;nação consente: são amargos os frutos que comemos. Mas, enquanto não mudarmos, também não temos direito a melhor sorte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;E a plebe, onde se encontra? Ela&amp;nbsp;vem ocupando Belém,&amp;nbsp;pulula em S. Bento,&amp;nbsp;enche o Governo e infecta os Tribunais. Mostra-se nos salões elegantes e também&amp;nbsp;desce, visitando&amp;nbsp;os recantos de má fama. Tão depressa se&amp;nbsp;esconde no segredo das alfurjas tenebrosas, como, vociferante,&amp;nbsp;salta à&amp;nbsp;praça pública.&amp;nbsp;Conhece, e de que maneira,&amp;nbsp;todos estes sítios: instilou-se neles e domina-os.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Que a Imaculada Conceição, cuja festa se aproxima, salve esta grei pela via da santificação e por outra que é a do combate. Que é um santo? --- O santo é o herói da virtude. Que é um bom guerreiro?&amp;nbsp;---O guerreiro&amp;nbsp;audaz tem a virtude do heroísmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Ambos são aristocratas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-4158970881994515969?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/4158970881994515969/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=4158970881994515969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4158970881994515969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4158970881994515969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/12/restauracao-de-portugal.html' title='RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-7144500607702704088</id><published>2010-10-31T20:13:00.013Z</published><updated>2012-01-25T08:04:46.190Z</updated><title type='text'>SUBLIME ANTERO</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 198pt; text-align: justify; text-indent: 198pt;"&gt;Intriga como, entre aqueles que queimam incenso na religião das urnas, ainda haja tanto fascínio pela figura de Antero. Parece-me um caso de atracção pelo abismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 198pt; text-align: justify; text-indent: 198pt;"&gt;Fazem mal. Repetem o que se verifica com os ataques à Inquisição, por causa da teoria heliocêntrica: o ódio à Igreja cega-os a ponto de não conseguirem ver que o episódio, à volta de Galileu, se alguma coisa de subsistente prova, é que um homem isolado pode ter razão contra o mundo inteiro.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 198pt; text-align: justify; text-indent: 198pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif; font-size: large;"&gt;Das pr&lt;/span&gt;osas da célebre Questão Coimbrã, com assinatura do grande poeta açoriano, extraio estas passagens de um arrasador antidemocratismo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«O escritor quer o espírito livre de jugos, o pensamento livre de preconceitos e respeitos inúteis, o coração livre de vaidades, incorruptível e intemerato. Só assim serão grandes e fecundas as suas obras: só assim merecerá o lugar de censor entre os homens, porque o terá alcançado, não pelo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;favor das turbas inconstantes e injustas&lt;/span&gt;, ou pelo patronato degradante dos grandes, mas elevando-se naturalmente sobre todos pela ciência, pelo paciente estudo de si e dos outros, pela limpeza interior duma alma que só vê e busca o bem, o belo, o verdadeiro.» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bom Senso e Bom Gosto&lt;/span&gt;, I).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«As grandes, as belas, as boas cousas só se fazem quando se é bom, belo e grande. Mas a condição da grandeza, da beleza, da bondade, a primeira e indispensável condição, não é o talento, nem a ciência, nem a experiência: é a elevação moral, a virtude da altivez interior, a independência da alma e a dignidade do pensamento e do carácter. Nem aos mestres, aos que a maioria boçal aponta como ilustres, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nem à opinião, à crítica sem ciência nem consciência das turbas, do maior número&lt;/span&gt;, deve pedir conselhos e aprovação, mas só ao seu entendimento, à sua meditação, às suas crenças!» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ib.&lt;/span&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«(...) não é sobretudo lisonjeando &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;o mau gosto e as péssimas ideias das maiorias&lt;/span&gt; , (...)» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ib.&lt;/span&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«Como não buscam a verdade pela verdade, a beleza pela beleza, mas só a verdade pelo prémio e a beleza pelo aplauso, têm de as renegar tantas vezes quantas a beleza não agradar aos olhos embaciados da turba que aplaude, e a verdade ofender os senhores que premeiam e recompensam. Ora, quantas vezes num século premeiam os senhores a verdade sincera e inteira? quantas vezes aplaudem &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;as turbas sensuais e ininteligentes&lt;/span&gt; a formosura ideal, límpida e simples?» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais&lt;/span&gt;, III).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A seguir, vibra-se a machadada mais funda:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«Esta, a verdade, quer só dar-se a quem a procura por amor, exclusivamente por sua formosura, não pelo aplauso ou pelo preço que possa render. Ora isto é o que não podem fazer as literaturas oficiais. Seria renegar o seu mesmo princípio, o culto da opinião, e o seu fim, o triunfo ruidoso mas efémero das praças públicas. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Falam às maiorias, têm de ser comuns. Dirigem-se ao vulgo, têm de ser vulgares. Especulam com as paixões públicas, têm de as aceitar e lisonjear. Dependem dos ídolos do dia, têm de os incensar. Recolhem juro dos prejuízos e ilusões nacionais, têm de conservar esse capital rendoso. Têm por infalível pontífice o juízo popular, não podem renegar de suas doutrinas, seus dogmas, seus cultos. Hão-de ir sempre ao nível do espírito público, do pensar das maiorias: nunca acima. Serão entendidos, aplaudidos, estimados. Nunca, porém, elevarão, nunca hão-de ensinar, nunca hão-de mostrar mais do que pode ver qualquer dos que estão no meio da turba&lt;/span&gt; ...» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ib&lt;/span&gt;., IV).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E remata nestes termos:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O povo, a verdadeira nação, isto é, os homens que sentem e os homens que pensam&lt;/span&gt;, esses não têm simpatia nem admiração pelos formosos sofismas duma arte brilhantemente estéril, que só serve para entorpecer o espírito adormecendo-o ao som de um canto doce mas fraco, sensual e sem altura. (...). &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Não querem ser divertidos, mas somente ensinados e melhorados&lt;/span&gt;.» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ib&lt;/span&gt;., IV).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;NB&lt;span style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;.: Os destaques a negrito são da minha responsabilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-7144500607702704088?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/7144500607702704088/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=7144500607702704088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/7144500607702704088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/7144500607702704088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/10/sublime-antero.html' title='SUBLIME ANTERO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-6644144032391972805</id><published>2010-08-19T00:59:00.015+01:00</published><updated>2012-01-25T08:05:12.413Z</updated><title type='text'>A RAZÃO DE ANTERO</title><content type='html'>&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Corria o ano de 1865, quando Antero de Quental, então em Coimbra, publicava a sua veemente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Defesa da Carta Encíclica.&lt;/span&gt; De que encíclica se tratava? Nada mais, nada menos do que a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quanta Cura &lt;/span&gt;de S. S. Pio IX. Esta defesa é um documento impressionante e que surpreende se tivermos em conta que saiu do punho de um homem como Antero, espírito permanentemente revolto e alma inquieta, tão inquieta que desfechou na tragédia de um banco perdido no Campo de S. Francisco, em Ponta Delgada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Talvez por tudo isto mereça a pena recordar alguns trechos dessa tão notável peça. Diz, pois, o inolvidável poeta açoriano:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«Servir a Deus e servir o mundo --- ter um corpo para as venturas da terra e uma alma para as recompensas do céu --- a liberdade na vida para nos afagar o orgulho de homem e, além da morte, a fé que dissipe os terrores do crente --- ser cristão quanto baste para iludir a rectidão do Juiz na hora do julgamento e, em tudo o mais, pagão no viver, pagão na prática de cada dia, de cada hora --- aceitar de Deus a segurança da salvação da alma e de Satanás o gozo da carne --- será isto um belo sonho para quem não compreende o valor desta palavra sacrifício, será este o ideal da nossa sociedade sensual e burguesmente comodista (...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...) E, todavia, alguns milhares de burgueses, sem paixão e sem alma, ignorantes e gordos, conceberam tudo isto, confundiram tudo isto, casaram estes impossíveis, ligaram em abraço incestuoso Cristo e Satanás, uniram enfim os pólos e o equador, achatando o mundo, deslocando o globo --- e a esta coisa sem nome se chamou racionalismo cristão, catolicismo liberal, relação do Estado e da Igreja --- ignorância e absurdo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Igreja recusa esses auxiliares enganadores --- porque aceitá-los é transigir, e ela não transige porque não pode e porque não deve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Igreja é universal --- é católica --- o seu espírito é o absoluto. O que sai dela, o que não é dela, não é o indiferente ... é o inimigo, é o escravo revoltoso, é a heresia. (...) será, enfim, a sociedade moderna filha legítima e obediente da Igreja cristã?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não é. A Cúria Romana o confessa. E que não o confessasse, sabíamo-lo nós de há muito. Se não é o filho, é o inimigo --- se não é o Discípulo amado, não pode ser senão Judas o traidor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Hoje, nesta idade de luz, quem é lógico, quem faz justiça inteira ao mundo e a si.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;És tu filósofo? não: o teu sofisma confunde tudo! Tu, homem de Estado? não: tu és o interesse que se compraz no imbróglio e na contradição! Tu, jornalista? não: tu és a intriga; ou quando não és a intriga, és a ignorância (&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sejamos ultramontanos muito embora, mas sejamos lógicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ou, então, (...) sede ímpios muito embora, mas sede lógicos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Submetei-vos ... ou rebelai-vos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...)! Conciliar o inconciliável não é para vós --- não é para alguém no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...)?!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas há no mundo uma coisa sem nome, um monstro formado de todas as contradições, de todas as antíteses de todos os interesses rivais, de todas as oposições que podem referver numa sociedade multiforme e confusa (...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A esse monstro moderno chama-lhe a filosofia absurdo --- embora o mundo persista em lhe chamar opinião pública.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Lança mil vozes discordantes numa mesma hora a sua boca, que se chama imprensa. E, como é um Deus monstruoso, os seus sacerdotes são disformes e grotescos, são bonzos e não apóstolos: e o mundo, que lhes obedece, não pode todavia reprimir um sorriso de escárnio ao ver passar a falange sagrada dos jornalistas.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...). A Opinião Liberal transviou-se mais uma vez. Não aceita das mãos da Igreja infalível a irrecusável conclusão de sua fé --- não a segue submissa, como crente e católica. Mas não tem também, como herética, o valor de a renegar corajosamente, absolutamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não, ó liberais-católicos! a vossa revolta tem por nome impiedade. E, em face da grande, da luminosa, da omnipotente opinião pública, quem tem razão e direito e justiça, quem só a tem é esse velho sublime, cabeça coroada pelos últimos esplendores do astro cristão da fé, que acatais hipocritamente à luz do dia, e que à noite renegais e escarneceis!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Judas beijou a Cristo uma só vez. Mas aos vossos beijos fementidos e venenosos quem há aí já que lhes possa saber a conta?...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Abeirando-se do final, Antero explica com luminosas palavras o motivo pelo qual a Igreja não pode transigir:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;«Hoje a doutrina, e amanhã já o dogma. Agora é a tradição que se obscurece. Logo é o mistério que se explica. Depois, a moral que condescende. Breve será a fé que se perde (...). E, relaxada, confusa, esquecida, chegaria afinal um dia em que a Igreja, perdida a consciência de si, do seu ideal, do seu espírito, estenderia em vão as mãos no horror do vazio, buscando-se, e não achando mais que sombras! Sentindo lá dentro o flutuar incessante de todas as contradições humanas, a quem dera entrada a sua infeliz tolerância, sem defesa e desarraigada enfim da rocha da sua imobilidade, a Igreja começaria, como nau prestes a soçobrar, oscilando incerta dum lado e doutro, à mercê da menor onda, do mais pequeno interesse do mundo, do capricho dos grandes e da ignorância dos pequenos ...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A profetisa de Deus ver-se-ia serva dos reis! Escrava dos povos, a doutrinadora das nações! A mão que ata e desata as coisas do céu, algemada com grilhões da terra! E quem dá e interpreta a lei divina, recebendo inspirações e ordens da razão, quando não do interesse humano!»&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E conclui:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«(...). No meio das convulsões tumultuosas deste mar desconhecido da revolução social, que há um século nos agita em todos os sentidos, o maior revolucionário foi o Papa e, nesta hora presente, o único talvez, porque foi ele quem achou a palavra da situação, a chave do grande enigma, a solução efectiva do problema moderno --- o Cristianismo e o mundo actual são incompatíveis e inimigos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(...) Pio IX arranca dolorosamente do seio da sociedade moderna o sofisma, a ilusão, a contradição que a roía como um cancro encoberto e lhe quebrava com as forças do corpo a energia e rectidão do espírito. Será impolítico no tribunal dos ineptos tiranetes a que chamam governos constitucionais, mas é político no grande, no alto tribunal da história, porque falou verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Isto lhe basta.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Estas palavras de Antero guardam uma actualidade pasmosa, bem visível com &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;João Paulo II, o qual sem se deixar tolher pelo que diriam os bonzos da opinião pública (e muito foi, como era de esperar), não recuou quando entendeu que devia beatificar o Papa que Antero aplaudiu há quase cento e cinquenta anos. Por isso, a estes excertos, que gostosamente compilei, pus como título --- a razão de Antero!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;__________________________________________________&lt;/span&gt;_ &lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;NA&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; --- Todas as transcrições foram tiradas da obra: Antero de Quental --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prosas da Época de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coimbra&lt;/span&gt;, 1.ª ed., Sá da Costa, 1973, pp. 211-222.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-6644144032391972805?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/6644144032391972805/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=6644144032391972805' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6644144032391972805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6644144032391972805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/08/razao-de-antero.html' title='A RAZÃO DE ANTERO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-4562326195593712223</id><published>2010-08-12T11:24:00.010+01:00</published><updated>2010-10-31T16:06:01.478Z</updated><title type='text'>RESTAURADORES NOVOS E VELHAS TOLICES</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.angelfire.com/pq/unica/lal_ptp_2004_razoes_ser_monarquico.htm"&gt;As razões de o ser&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;(Autor: Paulo Teixeira Pinto) &lt;span style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Sou monárquico. Isso sei-o bem. &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Desde quando sou monárquico? Isso já não o sei dizer bem. Desde sempre? Bem, pelo menos desde que me lembro. Porque sei que desde o momento em que, ainda adolescente, meditei pela vez primeira sobre o assunto descobri, no mesmo instante, que era, naturalmente, monárquico.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Porque sou monárquico? Como acabei de dizer, para mim tratou-se de uma revelação natural, isto é, feita de acordo com a própria natureza das coisas. Não que tal decorra como inerente à própria condição humana, mas no meu caso pessoal resultou do reconhecimento da relação emocional e racional existente entre alguém que é português e Portugal, o mesmo é dizer entre uma ínfima parte e o todo a que esta pertence, uma Mátria que se fez Nação sendo um Reino.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Portugal ganhou identidade fazendo-se unido na sua pluralidade. E o que precisamente congregou e conferiu unidade às diversidades que sucessivamente lhe foram acrescendo foram os seus reis. O que tinham em comum todos aqueles que foram fazendo Portugal, no curso dos séculos e nos domínios das terras cujas fronteiras estavam sempre mais distantes, era o respeito a quem os conduzia e à bandeira que todos representava. Neste sentido, portanto, pode dizer-se que Portugal , porque nasceu, cresceu e envelheceu como Reino, é sem dúvida uma construção monárquica. Nada de mais natural, por conseguinte, do que um português gostar de gostar de Portugal, e só por isso reconhecer-se monárquico. Sem com isso se pretender, obviamente, que não haja portugueses que sejam republicanos e patriotas. &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Porquê ser hoje contra a República? O problema é assim frequentemente colocado, embora o ponto não seja esse, antes o seu contrário. Não são os monárquicos que estão contra a República, mas os republicanos contra a Monarquia. Pois se foram aqueles quem derrubou esta... &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Ser monárquico não é ser contra alguém ou alguma coisa. É ser por um ideal e estar em defesa de quem o encarna. Porque o Rei não é o senhor do Reino mas sim quem personifica em cada e determinado momento todos aqueles que vivem com identidade comum, num tempo comum e num espaço comum. O Rei é o primeiro servidor da comunidade, ou, dito de outro modo, o Rei é o último dos súbditos do Reino.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Nós, os monárquicos portugueses, também sabemos bem, à entrada do terceiro milénio, que a tradição que encerra a monarquia não é sinal de antiguidade, mas fonte de modernidade. Porque é uma prova de esperança. Esperança que Portugal não se dilua nuns putativos Estados Unidos da Europa. Não desconhecemos que só os povos que preservem os códigos da sua própria identidade poderão permanecer enquanto tais. Sem dúvida que é legítimo que alguns pretendam ser apenas europeus. Mas é mais legítimo ainda querer continuar a ser o que se é: portugueses por natureza e universais por vocação, logo também europeus por consequência. &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;A Europa não é, nem será nunca, uma Nação. E se não o é, nem pode sê-lo, também não deve pretender fingi-lo. Acontece que o faz. E sucede que o fingimento consiste em mascarar diversas Nações com as vestes de um Estado Federal. Ora, tal transformismo só é possível de encenação se nesta participarem abstractamente os chefes de Estado actuais. Resultará sempre realmente impossível se for ensaiado com Reis de Povos.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Por isso, ser monárquico hoje não é só uma manifestação de lealdade histórica. É sobretudo uma declaração de luta futura pela defesa da Independência de Portugal, para sempre.&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;E é esta a razão fundamental para todos os portugueses redescobrirem a necessidade e a urgência de emprestarem a sua vontade à restauração da Monarquia. Sem que isto signifique que até agora estejam convencidos do contrário, porque felizmente quase não há republicanos militantes. Se bem que, infelizmente, muitos ainda se julguem republicanos, apenas porque enfim...&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;Assim será até à proclamação: monárquicos porque sim!&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;********************************************************************&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ó povos, lede e exultai porque é um iluminado que tendes no meio de vós! Chorai também lágrimas amargas contra o destino cruel e avaro, que tanto tempo escondeu dos nossos olhos este valioso tesouro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que nos diz o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;o&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;ráculo&lt;/span&gt; dos modernos deuses?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É monárquico e sabe bem que o é. Já não sabe tão bem, desde quando o é. Para, logo em seguida, acrescentar que o é pelo menos desde que se lembra. Isto é: ele sabe que é monárquico desde quando se lembra; mas não sabe é desde quando se lembra. Se não, já saberia se é monárquico desde sempre ou não. E descobriu tudo isto numa meditação que durou um instante: outro prodígio!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu pensava que a ignorância não permitia afirmar ou negar fosse o que fosse. Ora a ignorância é privação do conhecimento. E a memória outra coisa não é do que o conhecimento do passado. Portanto, onde a memória falha, aí há ignorância do facto pretérito. Impõe-se o silêncio. Mas isto penso eu que sou um profano. Outras são as luzes que ele tem. Esta generosa confissão permite extrair uma conclusão: podemos pronunciar-nos sobre coisas do nosso íntimo que já não recordamos. O que, então, diga-se de passagem e em abono da verdade, ele não fez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Deixemos agora o que está pelo meio, inquestionavelmente matéria de coturno como tudo o que diz este bafejado da fortuna, mas de nula transcendência se atendermos ao final sublime que nos é dado contemplar. O sobredotado põe remate às suas inspiradas palavras exortando a que haja monárquicos porque sim, até à proclamação. Fica a gente sem perceber muito bem se esses, depois do momento da proclamação, se transformam em monárquicos porque não. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E como antes, ele disse «se bem que, infelizmente, muitos ainda se julguem republicanos, apenas porque enfim...», da minha parte, primário que sou, fecho com o modestíssimo juízo de que ele tem esta opinião porque enfim, e eu acho-a errada porque sim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;JOAQUIM MARIA CYMBRON&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-WEIGHT: bold" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: normal"&gt;Obs.: Com um ideal destes, é certa a restauração monárquica: isso sei-o bem. Quando se dará, isso já não sei dizer: nem bem nem mal!&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;JMC&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-4562326195593712223?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/4562326195593712223/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=4562326195593712223' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4562326195593712223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/4562326195593712223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/08/restauradores-novos-e-velhas-tolices.html' title='RESTAURADORES NOVOS E VELHAS TOLICES'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-9155059949063481081</id><published>2010-06-09T09:24:00.020+01:00</published><updated>2012-01-25T08:05:40.909Z</updated><title type='text'>A MORTE DE ROSA COUTINHO</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Parece paradoxal, na véspera do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dia de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Portugal&lt;/span&gt; , que eu encime as breves palavras que seguem, com o nome de um traidor sanguinário. Porém, talvez não seja assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A seguir ao &lt;em&gt;28 de Setembro&lt;/em&gt;, fui detido em Angola por ordem de Rosa Coutinho. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Agora, à conta da sua morte li trechos de grande violência, alguns recheados de comentários que não dignificam quem os escreve. A linguagem soez pode ferir os contrários, mas não edifica. E a agressão puramente verbal, só por si, não chega. Se queremos verdadeiramente resgatar Portugal, teremos de estar preparados para um combate que pode ser cruento. Para tal, devemos formar as nossas hostes de combatentes. Lançarmo-nos ao assalto, antes disso, é mais que temeridade, será estultícia porque, por enquanto, carecemos de meios humanos preparados para essa tarefa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Voltando ao significado da morte de Rosa Coutinho, este nome cuja memória fez explodir de ira tanta gente, a personagem sinistra que causou ruína e morte numa escala assustadora, eu, embora respeitando a revolta dessas vítimas, não comungo dos sentimentos de levar essa sanha para lá da vida terrena. Não digo que também sofri, na carne e no espírito, a desgraça que se abateu sobre a Pátria, porque esse tormento continua. Mas o homem já compareceu perante Deus, a fim de prestar contas. Não entremos nesse ádito sagrado que é o Tribunal da Eternidade e o único que não falha.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Reservemos a nossa sede de justiça para os que ainda estão vivos e continuam a representar um perigo contra a Pátria. Um deles tem a afoiteza de se propor para a Suprema Magistratura da Nação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando Rosa Coutinho mandou o &lt;em&gt;MFA &lt;/em&gt;deter-me, fez o que era sua estrita obrigação, dentro de uma&amp;nbsp;escala de valores&amp;nbsp;que eu repudio. Nós é que não temos cumprido a nossa. Devemos, finalmente, conseguir que a raiva e o ódio (se eles quiserem consumir-se nisso), passem para o lado de lá. Já tardámos muito. Seria bom que não nos atrasássemos mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É preciso convencermo-nos que somos os principais culpados das derrotas que nos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;tocam. Sem consciência disso, não podemos aspirar à vitória.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;VIVA PORTUGAL CATÓLICO!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-9155059949063481081?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/9155059949063481081/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=9155059949063481081' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/9155059949063481081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/9155059949063481081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/06/morte-de-rosa-coutinho.html' title='A MORTE DE ROSA COUTINHO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8683238519868253170</id><published>2010-05-23T00:22:00.011+01:00</published><updated>2012-01-25T08:07:14.483Z</updated><title type='text'>AO DIVINO ESPÍRITO SANTO</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que o meu entendimento,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;alumiado pela Graça santificante,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;confesse, Senhor, a sua pequenez&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;e declare, com humildade, os seus acanhados limites.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Pela Vossa complacência,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;seja eu digno do dom de se alargar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;tanto quanto possível,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;o horizonte da minha inteligência,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;dada a Fé minguada que borbulha na minha alma,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;mas, sobretudo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;que cresça a minha Fé,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;em virtude da fragilidade do meu entendimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por isso, ao lançar-me à obra que é causa Vossa,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;eu Vos imploro, Senhor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;que aclareis a minha razão&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;como se não tivesse mais que a Fé indispensável&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;e, principalmente, volto a rogar-Vo-lo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;que aumenteis a minha Fé&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;atendendo à minha débil inteligência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Amparado por Vós,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;terão as minhas faculdades melhor disposição&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;para apreender e eleger o bem mais adequado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se o fraco poder dos meus reduzidos méritos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;achar compaixão diante da Vossa Infinita misericórdia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;ousarei esperar o gozo da bem-aventurança&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;na visão da Vossa divina majestade&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;e na companhia dos Vossos Anjos e Santos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Permiti, ainda, Senhor,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;que, nesta prece que Vos dirijo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;constitua, advogada minha,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;a Virgem Santíssima,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mãe de Vosso muito amado Filho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Intercedendo Ela por mim, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;estou certo que não me negareis&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;as dádivas que Vos peço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E já que sinto o Vosso auxílio,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;neste tempo em que vou de jornada,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;ganho forças para exclamar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;como o Bispo de Hipona:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Da quod iubes et iube quod uis! &lt;span style="font-style: normal;"&gt;(1)&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Confissões&lt;/em&gt;, &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Liv.X, 29.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;NB&lt;span style="font-style: normal;"&gt;.:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;Estas linhas saíram a lume, pela primeira vez, a 28 de Dezembro de 1978. Publicou-as o Semanário &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;A Ordem&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;da diocese do Porto. Mais tarde, a revista espanhola &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Siempre p' Alante &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: normal; font-weight: normal;"&gt;também as acolheu no seu número de 16 de Outubro de 2000, p.10.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8683238519868253170?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8683238519868253170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8683238519868253170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8683238519868253170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8683238519868253170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/05/ao-divino-espirito-santo_23.html' title='AO DIVINO ESPÍRITO SANTO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8399150273656498322</id><published>2010-04-22T22:12:00.033+01:00</published><updated>2012-01-25T08:07:38.817Z</updated><title type='text'>CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="font-style: italic; margin-bottom: 0pt; margin-left: 227pt; margin-top: 0pt; text-align: justify; text-indent: 227pt;"&gt;&lt;br /&gt;Quando as estruturas da sociedade civil estremecem&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; os povos&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; no caso de serem crentes&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; abraçam-se à fé que professam e&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; no plano terreno&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; religiosos ou não&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; todos se voltam infalivelmente para duas instituições --- tribunais e &amp;nbsp;forças militares ---&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; com ânsia igual à do náufrago buscando uma tábua de salvação.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 227pt; text-align: justify; text-indent: 227pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 227pt; text-align: justify; text-indent: 227pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; margin-left: 227pt; text-align: justify; text-indent: 227pt;"&gt;E&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; se as becas cedem o passo às armas&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; a mudança chega&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; mas em regra faz-se à custa de um sacrifício cruento&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; vivo nos horrores desse flagelo que é a guerra civil&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; último recurso para evitar a anarquia&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; o mais pavoroso estado em que pode tombar uma comunidade política.&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="margin-left: 227pt; text-align: justify; text-indent: 227pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Senhor Presidente&lt;/span&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Portugal, como o mundo inteiro, há muito que é açoitado pelo sopro da Besta. Resultado é a devastação que tudo vai assolando. Várias causas contribuem para isto, não sendo este o lugar para tratar de todas com um mínimo de vagar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;De resto, a sua enumeração detalhada não faria sentido, visto que elas se reconduzem ao mesmo pecado ontológico do pensamento --- o atentado à verdade, que se repete desde tempos imemoriais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Presentemente, encontra-se nas mãos de Vossa Excelência uma lei onde se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;agita um conflito entre mentalidades, a que não chamarei diferentes filosofias de vida, porque só uma o é. Temos, pois, a noção de licenciosidade chocando-se com a de liberdade íntegra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É grande a desorientação à volta da palavra liberdade. Provém do facto de se confundir este conceito com o de livre arbítrio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Livre arbítrio, o suficiente para discernir entre bem e mal, actuando em conformidade, todos o temos e ninguém deve ser privado dele. De resto, passando mesmo por cima dos ditames da ética, nenhum poder criado conseguiria mover o arbítrio humano «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quia uoluntas semper remanet libera ad consentiendum uel resistendum passioni.&lt;/span&gt;»(1) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Já quanto à liberdade, tirando o singular privilégio da Virgem Santíssima (2), essa condição não é um dom certo para nenhuma criatura humana, mas sim uma conquista a alcançar. A liberdade não é um percurso; a liberdade é uma meta. E, sobretudo, a liberdade não consiste em fazer o que se quer, porque é um patamar onde se chega, quando agimos como se deve!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O poder do Estado não é omnímodo. Têm razão aqueles que o sustentam. Pondo de lado a impossibilidade absoluta de que isso ocorra, entende-se que o poder estadual não há-de ser abusivo, intrometendo-se em domínios que o precedem e transcendem. Aí, como profano diante do sagrado, tem de parar à porta e não tocar no que dentro se guarda recatadamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O mal está quando se faz depender esse comportamento do jogo democrático, no qual a vitória pertence a umas maiorias resvaladiças, ignaras quanto baste para ver que só a verdade liberta, e incapazes de compreender como essa verdade se pode situar muito fora da quantidade, único valor a que atendem. Para lá do número de sufrágios e até contra ele, a verdade, ainda que todos a neguem, não deixa de o ser, porque não temos de procurá-la em extensão, mas sim em profundidade, e só aí se pode encontrar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Pensar o contrário, é um erro colossal que nos custa caro. Veja-se só a triste situação em que nos encontramos. E, a continuar este caminho de um latitudinarismo moral assustador, outros e piores males virão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A loucura, que nos avassalou, acha curial proclamar o direito de se proceder mal. Ninguém o tem: podemos prevaricar, mas não devemos fazê-lo! Assim como a física castiga quem desdenha as suas regras, também a lei natural faz sentir o peso de uma justa ira sobre aquele que ousou violá-la. A diferença, que separa estes dois tipos de reacção, está em que a lei física, quando contrariada, mostra logo os efeitos disso, ao passo que a lei natural sangra e só depois, às vezes muito mais tarde, pune o infractor. A sanção pela transgressão contra a lei natural aparece frequentemente sob a forma de calamidades colectivas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E ainda se teima no direito ao erro? Quem possui o direito de errar não tem o dever de acertar. E, quem não está obrigado a acertar, não pode ser punido. Logo, se se insiste que há o direito de errar, forçosamente se terá de concluir &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;pela legitimidade de um regime de impunidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Da impunidade, derivará necessariamente a licenciosidade. Já a temos connosco. Mas se a lei humana a tolera, ela é inadmissível nos quadros da lei natural. A lei natural é «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;participatio legis aeternae in rationali creatura.&lt;/span&gt;» (3). Ora a lei eterna tem por autor Deus, supremo legislador e juiz infalível, que não deixa sem prémio o mérito, e manda o impenitente ao fogo da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gehenna.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por aqui se vê que a lei natural, ao lado das leis físicas, apresenta uma mesma nota: quem a viola, paga por isso. Mas não é tão inexorável: dada satisfação, a paz volta graças à misericórdia divina; no mundo físico, já não se torna atrás porque, salvo milagre, o processo é irreversível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Temos, pois, o dever permanente de observar a virtude e evitar a iniquidade --- «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bonum est faciendum et prosequendum&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et malum uitandum&lt;/span&gt;.» (4). Daqui, deriva sumariamente um direito, o único que o homem pode arrogar-se: o direito de ver garantidas e respeitadas as condições que, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in statu uiae&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;permitem o seu aperfeiçoamento moral na caminhada para Deus. Este é o direito fundamental que possui: o direito à salvação eterna, se a merecer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ex condignitate. &lt;/span&gt;Direito fundamental porque é o que realiza o seu fim sobrenatural. Todos os outros lhe estão subordinados: a própria vida não é mais do que ocasião para o sublime destino do homem. E mesmo a vocação à glória celestial, esse direito, que está para lá do mundo contingente, provém de uma dádiva absolutamente gratuita, porque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;principium meriti non cadit sub eodem merito.&lt;/span&gt; (5) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando Deus nos confere o direito à bem-aventurança eterna, bem supremo que devia ser apetecido por todos, porque todos fomos chamados a essa felicidade, decretar a codificação do mal sabe quase a sacrilégio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nunca, como agora, o delírio subiu a tão alto grau. Contrariamente ao modo como procede o inventor, que se esforça por desvendar os segredos escondidos nos fenómenos da natureza, há quem, no campo moral, em vez de buscar um eixo de valores firmados na verdade, opte por gerá-los nas suas mentes e moldá-los ao sabor da respectiva concupiscência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Assim, de um lado, temos gente que não desiste de subordinar o seu comportamento aos ditames transcendentes da verdade objectiva, incessantemente procurada; do outro, surgem criadores de verdades oscilantes que eles garantem estar contidas numas poções mágicas e que são a mais acabada manifestação de um sincretismo disforme, autêntico amálgama de vontades, a que chamam expressão da soberania popular. E são estes últimos, para cúmulo da ironia, que classificam de fundamentalistas os primeiros e lhes recomendam moderação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot; &amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A moderação é coisa muito bonita. É resultado do exercício da prudência, que é a virtude cardeal mais difícil de conseguir. E é também a mais ingrata, porque sem ela nenhuma outra virtude moral se alcança. O que falta aqui saber, é onde está essa moderação? --- Nos votos que as urnas engolem? No escrutínio da papelada ali afundada?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot; &amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot; &amp;quot;; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que estranha força é essa, anunciando uma procedência que os factos desmentem, e portanto incapaz de se definir e revelar, pois uma origem apócrifa impede qualquer afirmação de identidade? --- Chamam-lhe democracia! Se desejam essa quimera, &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;que só existe na cabeça de uns tantos que se sentam nas cadeiras do poder, e dos que dizem que não é democracia este ou aquele governo, quando tal governo não é da cor dos que assim falam, se a querem mesmo, deixem o mundo correr, porque quem admite tal perversão do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic;"&gt;ius&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;; font-style: italic;"&gt;imperii&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;A&amp;quot;;"&gt;, como há-de admirar-se de outras aberrações que nos afligem?&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;De causas semelhantes, só podem esperar-se efeitos próximos uns dos outros: o mal produzido não apresenta diferenças de tomo, porque as suas raízes têm um denominador comum --- o relativismo, talvez a arma mais eficaz que a sanha demoníaca engendrou, já que lança nas trevas da confusão o pensar de cada um! Depois, é a sedução do «(...) &lt;em&gt;h&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;aec omnia tibi dabo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;si cadens adoraueris me.&lt;/span&gt;»(6) E quanto mais a inteligência for atrás de sofismas, tanto mais penetrante é a miragem do pecado arrastando a vontade para a corrente da morte!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Vivemos tempos de desolação. Há quem a queira combater usando a estratégia e a táctica dos autores da abominação contra a qual dizem lutar. Ingénuos, uns; maldosos, os outros, todos eles ignoram ou pretendem ocultar que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mala non sunt facienda&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ut inde eueniant bona&lt;/span&gt;, o que, na simplicidade do vernáculo quotidiano, mas nem por isso menos expressivo, tem equivalente no ditado de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;os fins não justificam os meios.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ao homem de má fé não lhe custará simular que entra com lealdade numa ordem moralmente sã. Lucrará sempre por ali se misturar, porque uma vez lá dentro e depois de ganhar a confiança dos superiores, depressa terá as mãos livres para se entregar à tarefa de destruição. A sua presença naquele meio nunca deixará de ser útil, visto que, ao serviço do seu criminoso objectivo, a prática de uma só vilania já constitui triunfo, na medida em que é nódoa lançada em bom pano, a qual, alastrando, acabará por o manchar completamente. Em contrapartida, o varão justo, fundido numa organização desprovida dos nossos valores éticos, quantas baixezas não terá de subscrever para, remotamente, alcançar a hipótese incerta de realizar uma boa acção? Este preço é legítimo? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E muitas graças a Deus deverá dar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;herói &lt;/span&gt;tão deslocado, se escapar imune aos vícios dos seus confrades. É menos difícil uma conversão, do que saltar do bem para o mal (seja por que motivo for) e esperar o retorno ao ponto de partida. Por isso, colocada uma pessoa perante o estribilho de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;se não podes vencê-los&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;junta-te a eles&lt;/span&gt;, ao soar tão desconchavada sentença, perguntamo-nos que valor pode ter a máxima de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;junta-te aos bons e serás um deles&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;junta-te aos maus e serás igual ou pior que eles.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A tudo isto acresce um falso conceito do perdão, que é apregoado sem descanso. E aqueles que menos conhecem a caridade, são precisamente os que mais usam a malvadez dessa insídia. Apelam aos princípios do Cristianismo, eles que rejeitam quaisquer regras, e de Cristo apenas falam para blasfemar, porque, sedentos de uma igualdade impossível de obter, incapazes de se elevarem e prenhes de ódio a toda a manifestação de santidade, experimentam um prazer satânico por levar a cabo o trabalho da rasoira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O perdão, o verdadeiro perdão, é talvez a virtude em que o homem mais se aproxima da Divindade. Mas não nos termos pretendidos pelos que adulteram esta prática, reduzindo-a à moleza em que nos atolamos, à passividade do deixa andar, à cobardia que tudo consente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Havendo ofensa, uma satisfação é exigível. Porém, a compensação para o mal infligido nunca se atingirá, se abafarmos o perdão. Nenhuma injúria encontra equivalência no encargo imposto ao culpado a favor do ofendido, por mais pesada que seja a obrigação fixada. Permanece inevitavelmente um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quantum&lt;/span&gt; por ressarcir. E esse espaço tem de ser o perdão a ocupá-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O perdão é, pois, de imperiosa necessidade; apesar disso, o pecador sempre terá uma parte a pagar. A falácia sobre o perdão, difundida pelos actuais apóstolos de uma caridade, que não sentem, não vivem, nem nela acreditam, numa catequese mentirosa, que aparece não para uso próprio, mas sim dos outros, é a repetição do monumental erro da forma como Lutero via a justificação. Ou seja: é a heresia que transbordou da religião para o temporal!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É compassiva a alma daquele que perdoa. Por outro lado, há um divórcio que separa inclemência e compaixão. O que não é capaz de sentir misericórdia, também não aceita piedade porque é um poço de orgulho. Não há pior desgraça «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;quoniam initium omnis peccati est superbia.&lt;/span&gt;»(7) Ora o pai da soberba é o Diabo --- portanto, quem se deslumbra com este pecado capital, avança a caminho da perdição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;De soberbos está o mundo cheio. São temíveis, mesmo na empáfia dos seus medíocres. Todos concorrem para formar a casta dos verdadeiros tiranos. No entanto, estes possessos são mais vulneráveis do que podem parecer. Lucidez e ousadia são condições de vitória. Se tivéssemos uma e outra para atacá-los, seguramente os derrotaríamos. Mas visão e ânimo é o que nos tem faltado culposamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Parte da sociedade portuguesa esteve suspensa de decisão a proferir pelo Tribunal Constitucional. Este Tribunal é o pior de todos os que existem na nossa ordem jurídica: muito atacado pela sua génese, o principal defeito dele está no modo como exerce as funções que lhe cabem. Contudo, é o que temos. E cumpriu-lhe agora ditar a sorte de uma das questões mais escaldantes que atormentam o nosso espírito em direcções opostas, traçadas segundo as distintas convicções das forças que estão em jogo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por cima do acórdão que foi decretado e da atitude que Vossa Excelência vier a tomar, paira uma certeza: as sociedades, como os indivíduos, também têm um instinto de sobrevivência. E este não se regula por mecanismos de duvidosa juridicidade e manifesta imoralidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Deus guarde Vossa Excelência!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 180%;"&gt;_________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;S. Tomás de Aquino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.P. &lt;/span&gt;--- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Summa Theologica&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;I &lt;span style="font-style: italic;"&gt;q&lt;/span&gt; . 111, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a. &lt;/span&gt;2.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Dz. 833.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;S. Tomás de Aquino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.P. &lt;/span&gt;--- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Summa Theologica&lt;/span&gt;, I-II &lt;span style="font-style: italic;"&gt;q. &lt;/span&gt;91, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a. &lt;/span&gt;2.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;S. Tomás de Aquino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.P. &lt;/span&gt;--- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Summa Theologica&lt;/span&gt;, I-II &lt;span style="font-style: italic;"&gt;q. &lt;/span&gt;94, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a. &lt;/span&gt;2.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;S. Tomás de Aquino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.P.&lt;/span&gt;:«&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Unde manifestum est quod nullus potest sibi mereri primam gratiam.&lt;/span&gt;» (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Summa Theologica&lt;/span&gt;, I-II &lt;span style="font-style: italic;"&gt;q.&lt;/span&gt; 114, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a.&lt;/span&gt; 5.). Desta doutrina do Doutor Angélico, se extrai o enunciado daquela máxima.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Mt. 4, 9.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Eccli. 10, 15.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8399150273656498322?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8399150273656498322/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8399150273656498322' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8399150273656498322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8399150273656498322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/04/carta-aberta-ao-presidente-da-republica.html' title='CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-5334583414818429702</id><published>2010-03-25T02:56:00.013Z</published><updated>2012-01-25T08:21:35.998Z</updated><title type='text'>COUNTERREVOLUTION IN LITHUANIA AND BELARUS</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Este título chamou a minha atenção. A Contrarrevolução cativa-me. Mas tem de ser a verdadeira Contrarrevolução.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por isso, o meu entusiasmo logo esfriou quando vi a ligação deste movimento ao nome e à memoria de Plínio Corrêa de Oliveira, bem como à obra que ele fundou --- a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sociedade para a Defesa da Tradição, da Família e da Propriedade&lt;/span&gt; .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Conheci a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;TFP&lt;/span&gt;, em Angola, quando se viviam horas muito amargas, no longínquo ano de 1974, já a seguir à traição nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Num primeiro exame, os títulos com que se apresentava este grupo não deixam ninguém indiferente: ou captam, ou exasperam. Se este fosse o problema, o remédio seria fácil: escolha entre um dos dois caminhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas a verdadeira questão é muito mais profunda. A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;TFP&lt;/span&gt; nunca foi uma força da Tradição. Aproveitando-se do sentimento mariano de muitos povos, ela foi sempre uma falange da plutocracia americana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Li uma parte substancial da obra de Plínio Corrêa de Oliveira. Repetia-se muito. Pelo que ler o que eu li, será ler já muitíssimo da sua produção doutrinária.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Logo em Angola, analisei cuidadosamente a sua festejada &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Revolução e Contra-Revolução&lt;/span&gt;. O resto veio depois. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O esquecimento, em que aquele professor brasileiro deixa o capitalismo, fez-me sempre a maior impressão. Nunca descobri, em nenhuma das suas páginas, uma crítica ao sistema capitalista. Entretanto, ataques ao liberalismo são seguidos. Ora o capitalismo mais não é do que a expressão económica dos erros liberais, que Plínio Corrêa de Oliveira tantas vezes fustigou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nobreza e Elites Tradicionais Análogas&lt;/span&gt;, aborda a explosão do capitalismo industrial norte-americano, centra-se na imagem do novo rico e, recortando-lhe agudamente todos os defeitos, destaca apenas a fraca figura que ele faz ao procurar, se não encaixar-se, pelo menos equiparar-se à aristocracia histórica. Não descortinei nem uma linha lamentando a triste sorte dos trabalhadores assalariados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quem ataca o socialismo, também deve atacar o capitalismo. Acontece que Plínio Corrêa de Oliveira tinha redobrada obrigação&amp;nbsp;de o fazer. Vejamos porquê:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O magistério pontifício é crítico do capitalismo --- e Plínio Corrêa de Oliveira apresentava-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;como católico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nos padrões da filosofia escolástica, o capitalismo é, como o socialismo, um sistema sem harmonia (o capitalismo dá predomínio ao elemento material da riqueza; o socialismo valoriza mais o trabalho, que é o elemento formal dos bens produzidos). Quer dizer: ambos incorrem num pecado ontológico. Ora Plínio Corrêa de Oliveira dizia-se tomista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por último, há a sensibilidade que não pode aceitar a exploração desumana a que eram sujeitos os proletários no auge do capitalismo. Todavia, Plínio Corrêa de Oliveira nunca fez saber que era uma fera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lithuania is catholic but damaged by liberalism&lt;/span&gt; (...)», lê-se no texto do grupo promotor deste movimento. Pelo que se vê, nem só o comunismo perde as almas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No entanto, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;TFP&lt;/span&gt; ocupou-se a fazer o quê? --- Em vez de mover uma cruzada pela conversão da terra dos Czares, para que se cumpra a promessa deixada pela Virgem de Fátima, atirava-se aos Papas porque nenhum procedia à consagração da Rússia, nos termos que ela afirmava como necessários. E, pelo meio, iam recolhendo assinaturas de apoio à independência da Lituânia. O resultado, temo-lo diante dos olhos: a Lituânia tornou-se independente, «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;but damaged by liberalism&lt;/span&gt; (...)».&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por mim, só tiro uma conclusão: o propósito da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;TFP&lt;/span&gt; foi o de reduzir o poder do colosso soviético a favor dos Estados Unidos, não obstante a nação americana ser, desde há muito, a mais temível Besta do Apocalipse. E, hoje, é a única actuante!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;________________________________________&lt;br /&gt;&lt;em&gt;NB&lt;/em&gt;.: O texto que comento pode ver-se &lt;a href="http://www.facebook.com/home.php?#/group.php?gid=117998637845&amp;amp;ref=nf"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-5334583414818429702?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/5334583414818429702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=5334583414818429702' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5334583414818429702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5334583414818429702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/03/counterrevolution-in-lithuania-and.html' title='COUNTERREVOLUTION IN LITHUANIA AND BELARUS'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-3494961105823078472</id><published>2010-02-18T14:19:00.022Z</published><updated>2012-01-25T08:26:36.846Z</updated><title type='text'>RAINHA DE PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="font-style: italic; margin-bottom: 0pt; margin-left: 170pt; margin-top: 0pt; text-align: justify; text-indent: 170pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="font-style: italic; margin-bottom: 0pt; margin-left: 170pt; margin-top: 0pt; text-align: justify; text-indent: 170pt;"&gt;Guardai&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; Senhora&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; a Nação da qual sois Padroeira&lt;span style="font-style: normal;"&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="margin-left: 255pt; text-align: justify; text-indent: 255pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="margin-left: 255pt; text-align: justify; text-indent: 255pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="margin-left: 255pt; text-align: justify; text-indent: 255pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;As leis que ofendem o direito divino, o direito natural e o direito eclesiástico não irrompem numa comunidade de um instante para o outro: ou o seu conteúdo já fervilhava antes que fossem promulgadas, ou vinham anunciadas em precedentes cuja essência era igualmente maliciosa, e apenas se distinguiam das que lhe sucederam por um menor grau de intensidade no acto da respectiva aplicação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nestes casos, observamos que a ordem instalada para continuar a obra deletéria, agravando-a, chega invariavelmente ao poder sem resistência digna de menção. Sinal incontornável de como os espíritos já estão preparados para a receber, não sendo de modo nenhum vítimas da mudança verificada, contrariamente ao que se apregoa amiudadas vezes. Por isso, deitar a carga de erros que afligiram Portugal durante a I República, para cima dos homens da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rotunda&lt;/span&gt;, afigura-se-me juízo tão ligeiro como atribuir ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;25 de Abril &lt;/span&gt;a autoria plena das misérias que nos desgraçam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Parece-me, pois, um erro de consequências funestas dizer que a culpa dos males, que atormentam as nações, está exclusivamente nas instituições políticas vigentes em cada momento, cabendo-lhes por inteiro essa terrível responsabilidade. Aquelas que temos por más, mais do que causa, são o efeito das nossas falhas e dos nossos pecados. Não raro, para encontrar este nexo temos de recuar bastante, porque ele não está tão próximo, nem é tão imediato como se costuma crer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Eu nunca me atreveria a compor este quadro de forma diferente daquilo que tracei, porque temeria lançar a sombra da confusão entre o que ali se desenhou e tanta luta de sacrifício e pundonor. Marcar esta linha separadora, é o meio que encontro de não apagar da memória a tenacidade jacobita, a gesta vendeana, a epopeia &lt;span style="font-style: italic;"&gt;requeté&lt;/span&gt;, a cristíada mexicana e a fidelidade católica do miguelismo. Lembrar tudo isto, sem nostalgia e sem ódio, indicando apenas tais lances históricos como exemplos a seguir, tenho-o por obrigação indeclinável. É que eles encerram a lição da distância que vai da revolução contínua à reacção de um povo, quando este ainda conserva vigor anímico e combate as hostes da desolação e da morte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sempre que está cheia de saúde moral, a sociedade tende a plasmar-se segundo o figurino monárquico; se a rói a doença, revolve-se em crises geradas por doutrinas que negam o que há de transcendente no poder político, até que, consumida pelo liberalismo e pela democracia, acabará nas garras da anarquia. Depois, é a tarefa da recomposição e do retorno à ordem natural, porque as sociedades têm, como os indivíduos, o instinto de sobrevivência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tempos foram nos quais os teólogos proclamavam a existência do pecado social. Hoje, quem ouve falar disto? «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vos estis sal terrae. Quod si sal euanuerit&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;in quo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;salietur&lt;/span&gt;? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad nihilum ualet ultra&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nisi ut mittatur foras&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et conculcetur ab hominibus.&lt;/span&gt;» Nos dias que correm, se o sal não salga, não é menos certo que a terra também não se deixa salgar. Por onde se vê que todas as estruturas da sociedade estremecem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Regressemos, porém, ao estritamente temporal:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;As instituições políticas não criam as comunidades que conhecemos: esta conclusão tanto é verdadeira para os adeptos da tese do pacto social, como para aqueles que, como eu, não o são. O poder político dá-se na comunidade como sujeito de informação na substância que o sustenta. Nunca se desenvolve em sentido inverso!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O exercício da soberania é fatalmente condicionado pelos seus destinatários. Esta reciprocidade determina que o poder político é, em grande parte, reflexo da comunidade sobre a qual actua. Daí, a justeza daquela máxima de ter cada povo o governo que merece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Entretanto, a perfeição desse todo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;unum per se&lt;/span&gt;, depende da harmonia dos dois elementos que o compõem. Esta, por sua vez, é tanto maior quanto a sua unidade for conforme à verdade ontológica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;De novo, aqui se descobre o papel decisivo de cada homem na construção da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ciuitas.&lt;/span&gt; É verdade que a sociedade existe para o homem e não o homem para a sociedade. Todavia, isto não o dispensa de cavar os alicerces e erguer os muros da comunidade onde se insere, e graças à qual vive: impõe-lhe, isso sim, o dever de ser obreiro dessa tarefa ciclópica. Por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;isso, ou o homem se reforma, ou a onda avassaladora crescerá, galgará continentes e há-de afogar-nos, se até lá Deus não encontrar dez justos nesta Sodoma e Gomorra em que nos tornámos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Termino, protestando a minha esperança na Monarquia como modelo político que está mais conforme ao exposto, e que é capaz de dar resposta aos anseios de uma ordem justa. Mas a Monarquia autêntica, aquela que nos oferece a dinastia como quadro de uma família prolongando-se no tempo, espelho da perenidade da nação já que em cada família está a célula fundamental da sociedade; a Monarquia que, por assentar a sua base na família, tem como todas as famílias uma chefia dotada de autoridade, responsável e, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ipso facto&lt;/span&gt;, idónea a votar-se ao serviço dos que nela confiam; a Monarquia que repele a quimera da democracia e a descomunal mentira do conúbio promíscuo de um poder dividido, só reconhecendo, como canais da voz dos povos, os corpos intermédios, esses núcleos naturais anteriores à Pátria comum; por fim, a Monarquia que, moralmente fiel à Igreja, toma como encargo mais nobilitante a missão de ser farol da Terra Prometida, para a grei que dirige!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;P&amp;quot;; font-size: 14pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;P&amp;quot;; font-size: 14pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;P&amp;quot;; font-size: 14pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;P&amp;quot;; font-size: 14pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;_______________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Mt. 5, 13.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-3494961105823078472?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/3494961105823078472/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=3494961105823078472' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3494961105823078472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3494961105823078472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/02/rainha-de-portugal_8456.html' title='RAINHA DE PORTUGAL'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-6594298806145161925</id><published>2010-01-06T05:49:00.005Z</published><updated>2012-01-25T08:30:23.617Z</updated><title type='text'>EPIFANIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sz_07oXWuDI/AAAAAAAAALE/rYA1hgfSeHE/s1600-h/11551_101168329907572_100000432177945_30844_5273186_s.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422321781662201906" src="http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sz_07oXWuDI/AAAAAAAAALE/rYA1hgfSeHE/s400/11551_101168329907572_100000432177945_30844_5273186_s.jpg" style="display: block; height: 130px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 97px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Hoje é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dia dos Reis. &lt;/span&gt;A tradição bíblica relata-nos a visita de uns Magos do Oriente ao Rei dos Reis, Senhor de um Reino que não é deste mundo e cujo poder, por isso mesmo, nada será capaz de destruir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Os idólatras do número exultam por conta da inegável descristianização, a que se chegou. Como seria de esperar, até no domínio do sagrado, as teses democráticas produziram os seus efeitos nefastos. Mas esta propaganda, toda ela feita da crua exterioridade do que a alma humana tem de menos sólido --- as convicções do vulgo; e de mais efémero --- as paixões do momento, a euforia de que dá mostras, frise-se bem, de nada lhes servirá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Fosse universal a apostasia que nem por isso a Verdade, que Cristo revelou, se ia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;alterar. Esta é a Sua vitória, diante da qual as forças do mal, conhecedoras disso mesmo, não sabem opor senão a raiva do desespero impotente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A majestade de Cristo não se mede como quem apura o activo e o passivo numa qualquer sociedade comercial, nem pelo sufrágio que procura colher de umas urnas eleiçoeiras a pretensa bondade de uma política. Sendo infinita, não é quantificável!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se, porventura, todo o género humano viesse a perecer, ainda assim o poder de Cristo permaneceria intacto. Nunca Ele acabaria derrotado; os degraçados seríamos nós.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na Sua Encarnação; com a Sua Paixão e Morte; e pela Sua Ressureição, Cristo venceu o príncipe deste mundo, libertou-nos das cadeias do pecado e, com isto, abriu-nos de novo as portas do paraíso que se nos haviam cerrado pela desobediência de Adão. Mas a glória de Deus não carece de nada na Sua plenitude; os Santos, gozando a Sua visão beatífica, é que são os bem-aventurados!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-6594298806145161925?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/6594298806145161925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=6594298806145161925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6594298806145161925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6594298806145161925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2010/01/epifania_3356.html' title='EPIFANIA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sz_07oXWuDI/AAAAAAAAALE/rYA1hgfSeHE/s72-c/11551_101168329907572_100000432177945_30844_5273186_s.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-2011366092982497123</id><published>2009-12-26T04:11:00.017Z</published><updated>2012-01-25T08:10:35.139Z</updated><title type='text'>O REI DOS REIS</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O homem não deve arrogar-se a majestade que só a Deus cabe. E, ainda que o quisesse, jamais poderia alcançá-lo. Daí, as aberrações dos regimes imbuídos de totalitarismo, seja ele o império de autocratas ou o paganismo das maiorias democráticas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas se o homem não é capaz de se tornar Deus, já pode Deus fazer-se homem. Esta é a sublime grandeza do Natal, quando Deus, na Sua infinita misericórdia, desce à Terra e sagra o humilde recanto de um presépio. Sem se despojar da Sua natureza divina, não desdenhou ligar a Si a condição humana, habitando entre nós, para que, por este mistério da Encarnação, seguida da Sua Paixão e Morte e, por fim, da Sua triunfal Ressurreição, nós pudéssemos de novo habitar junto d' Ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Depois da desobediência de Adão, operou o Verbo feito carne para nos restituir a vida da graça perdida com o pecado. O Natal de Cristo é, pois, um segundo Génesis da Humanidade. Deus criou-nos duas vezes com vocação à Sua imensa glória: no «estado (...) da quieta e da simples inocência» (1), porque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bonum est diffusiuum sui&lt;/span&gt;; na cruz lavada com o Seu sangue, porque nos ama com loucura!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;«&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tu dicis quia rex sum ego. Ego in hoc natus sum&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et ad hoc uenio in mundo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ut testimonium perhibeam ueritati:&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;omnis qui est ex ueritate&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;audit uocem meam.&lt;/span&gt;» (2) Nascendo em Belém, pagando no Gólgota a nossa culpa, ressuscitando ao terceiro dia, o Rei dos Reis confirmou-nos a Boa-Nova de um Reino que «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;non est de hoc mundo&lt;/span&gt;» (3).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E que dizer dos Reis deste mundo? Principalmente, do mundo que mais nos deve interessar --- Portugal?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A vida da graça, em política, chama-se Tradição, porque só a Tradição encerra a verdade. E foi da verdade que Cristo deu testemunho, sofrendo e morrendo por causa dela. Fora da verdade, portanto, não há salvação possível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que nenhum príncipe português aspire reinar sem percorrer um longo e duro calvário, preço a que não há-de furtar-se caso queira exercer o mester de Rei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como dizia o grande Vieira, «a pregação que frutifica, a pregação que aproveita, não é aquela que dá gosto ao ouvinte, é aquela que lhe dá pena.» (4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Áulicos, sempre os Reis os terão por perto. Enxameiam nas cortes de todos os soberanos. Mas não lhes falam verdade: dizem só o que afaga a vaidade ou a concupiscência do príncipe. Também o Diabo tentou Cristo com as pompas deste mundo: «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Haec omnia tibi dabo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;si cadens adoraueris me.&lt;/span&gt;» &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;(5) Sob as mesmas miragens, continua a sua obra procurando seduzir os que têm a seu cargo o governo dos povos. Pervertidos os chefes das nações, a ordem natural, querida por Deus, é gravemente atingida --- a prova, temo-la debaixo dos olhos! E, deste modo, satisfaz o Demónio a sua sanha maligna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Nação Fidelíssima suspira ansiosamente pelo seu resgate e, por isso, aguarda o Rei. Um Rei que, à semelhança do Redentor do género humano, tenha clara consciência de que o ofício de reinar não se constituiu para vanglória do seu titular, mas sim para serviço da grei. Um Rei que entenda a lição de S. Paulo, quando o Apóstolo exortava Timóteo nestes termos: «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;praedica uerbum&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;insta opportune&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;importune&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;argue&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;obsecra&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;increpa in omni patientia et doctrina&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Erit enim tempus&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cum sanam doctrinam non sustinebunt&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sed sua desideria coaceruabunt sibi magistros&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;prurientes auribus&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et a ueritate quidem auditum auertent&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ad fabulas autem conuertentur&lt;/span&gt;.» (6) Um Rei, enfim, sabedor de que Portugal pode perdoar muito aos seus monarcas, mas não desculpa a felonia nem tolera que algum deles exalte os traidores!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O Salvador libertou o mundo com a verdade; Portugal, se quiser encontrar o caminho da restauração, terá de buscar arrimo na Tradição, depósito da verdade ontológica, logo, também da verdade política. E a Tradição rejeita farsas, especialmente se trazem máscaras de monarquia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;_________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Os &lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;Lusíadas&lt;/em&gt;, &lt;span style="font-style: normal;"&gt;IV, 98, vv. 5-6.&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Io. 18, 37.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;. &lt;span style="font-style: normal;"&gt;, 18, 36.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Sermão da Sexagésima&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, X.&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Mt. 4, 9.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;II Tim. 4, 2-4.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-2011366092982497123?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/2011366092982497123/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=2011366092982497123' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2011366092982497123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2011366092982497123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/12/o-rei-dos-reis.html' title='O REI DOS REIS'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-5261536468726024465</id><published>2009-11-19T21:35:00.006Z</published><updated>2012-01-25T08:32:03.878Z</updated><title type='text'>EUTANÁSIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A França --- não a França da Bastilha, a França de Robespierre, a França do Corso, a França de uma Europa prostituída --- mas a França de Clóvis e de S. Luís, a França da Vendeia, a França autêntica, a França filha primogénita da Igreja, esta França &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.fautpaspousser.com/accueil/"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;reage&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt; à monstruosidade da eutanásia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nas idades do tempo, já não tarda o dia em que dois exércitos se disporão frente a frente. O choque será terrível, porque ali se vai decidir a sorte da humanidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A esse embate inevitável, os mais relativistas chamarão confronto de culturas. Outros dirão que é a luta ditada por duas formas distintas de entender a história. Cá por mim, afirmo que será a guerra da barbárie contra a civilização, e que esta sairá vitoriosa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-5261536468726024465?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/5261536468726024465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=5261536468726024465' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5261536468726024465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5261536468726024465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/11/eutanasia_3737.html' title='EUTANÁSIA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-9186120125412774193</id><published>2009-09-19T10:04:00.015+01:00</published><updated>2012-01-25T08:12:38.721Z</updated><title type='text'>O MAL MENOR</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; font-size: 130%;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;A teoria do mal menor é uma teoria válida. Mas de que muitas vezes se abusa com grande impudência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rarissimamente, na qualidade de elemento do povo soberano, usei o direito de escolher o vassalo que me havia de governar. Quer dizer: votei muito poucas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem me recordo, desde o &lt;em&gt;25 de Abril&lt;/em&gt;, fi-lo ao todo umas seis vezes: duas foram contra o aborto; e as outras quatro deram-se em dois momentos distintos, porque decorriam simultaneamente legislativas e autárquicas, e mais tarde, legislativas e europeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra o aborto, votei porque se decidia claramente entre civilização e barbárie; nas outras, agi ao sabor da teoria do mal menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na defesa da vida intrauterina, como muitos outros Portugueses, saí derrotado porque o Governo resolveu liberalizar o aborto, por via parlamentar, uma vez que a consulta referendária não fora vinculativa. Fez isto ao arrepio do que prometera. E já agora vem a talhe de foice lembrar o seguinte: desde 05JUL07, o Tribunal Constitucional tem, sob a sua alçada, um requerimento de deputados da AR, no qual estes pedem a declaração de inconstitucionalidade da Lei do Aborto, que o Governo promulgou com a perfídia já assinalada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das outras vezes em que votei, tive a confirmação de que a teoria do mal menor exige uma análise muito cuidada, antes de a aplicarmos. Ela foi ali a continuação e o prólogo do que vem sucedendo desde a traição de 1974.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trinta e cinco anos é tempo mais que suficiente para medir bem este melindroso problema. E ou achamos que já passou a altura de escolher o mal menor, ou pensamos que esse é o caminho. Num ou noutro caso, devemos extrair as ilações que se impõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, como não sou democrata, não me atrevo a indicar ao povo soberano o rumo que há-de tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Limito-me a dizer: Portugal não se serve com o mal menor; Portugal é, logo abaixo de Deus, o maior bem que temos enquanto vivermos. E é um património histórico de tal grandeza, que temos de o recuperar de mãos usurpadoras, para o restaurar e deixar intacto aos vindouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal espera o melhor de cada um dos seus legítimos filhos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-9186120125412774193?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/9186120125412774193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=9186120125412774193' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/9186120125412774193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/9186120125412774193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/09/o-mal-menor_19.html' title='O MAL MENOR'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-2881421189217075793</id><published>2009-08-18T20:46:00.046+01:00</published><updated>2012-01-25T08:13:27.233Z</updated><title type='text'>MANIFESTO CONTRARREVOLUCIONÁRIO</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A REVOLUÇÃO MUNDIAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Existe ordem dentro e para além do que o tempo conta e o espaço mede, ordem que realiza o exemplar divino.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A quebra dessa ordem é a Revolução. Como a primeira ordem, a mais perfeita e a mais importante é a de Deus, dizemos que a Revolução começou com a prevaricação angélica e chamamos revolucionários aos que imitam Lúcifer, continuando na Terra os atentados contra a majestade divina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Este é o grande processo revolucionário em marcha. Isto e não outra coisa é a Revolução que fustiga os povos, tem já muitos deles avassalados e se prepara para reduzir os restantes à mais abjecta escravidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando, nos tempos modernos, a Revolução começou a cavar os seus alicerces, não demorou a censurar o pensamento escolástico porque, em lugar do esforço continuado na procura intrépida do que é recto, ansiava por firmar solidamente a vitória do pecado contra o Espírito, queria assentar o reinado das Trevas contra a Luz. Esse reinado seria coroado por um dogmatismo mau porque não apresentava a firmeza da Verdade, mas sim a confusão do individualismo demagógico e a intolerância do autoritarismo, individualismo e autoritarismo que todos aqueles povos, onde começou por alastrar a Reforma --- os povos germânicos --- traziam dentro deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não admira, pois, que a Revolução procedesse daquela forma uma vez que estava empenhada na inversão dos valores. E também não espanta que se tenha insurgido contra o célebre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;distinguo &lt;/span&gt;da casuística, em que eram mestres os membros da Companhia de Jesus, talvez o mais formidável baluarte que se levantou contra a heresia. É que o novo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;magister dixit &lt;/span&gt;não devia ser, como o antigo, entendido sempre de uma forma flexível, muitas vezes contrariado: tinha de possuir a rigidez do aço, não podia sofrer contestação. E o certo é que, com o tempo, isso se foi manifestando cada vez mais até vir a apresentar hoje proporções assustadoras, na tirania de uma filosofia que é uma autêntica filosofia de negação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando dum pólo ao outro da Terra se ouve o som infernal da dialéctica que grita --- ''morte ao que foi criado!'' --- é forçoso convir que já não se trata de uma mera guerra entre nações, impérios ou até culturas. Temos de aceitar que não é possível teimar mais nessa ideia, porque tudo isso está ultrapassado, para se situar em plano diferente. E observamos então a luta intestina do que há de vil no homem com os ecos bons da sua consciência, o duelo da barbárie e da civilização, a revolta de Satã contra Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A estratégia e a táctica da Revolução são delineadas por mentores astutos e têm os seus executantes. Como se distribuem? Deste modo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A classe social mais numerosa é a dos acomodados e medíocres e essa é, por norma, conservadora: não entra no combate; quando muito é apanhada no meio dele. A que&amp;nbsp;forma o estrato&amp;nbsp;inferior está quase sempre, se não é que está sempre, aberta às teses revolucionárias. Esta, enquanto se vê insatisfeita, constitui a vanguarda de assalto,&amp;nbsp;é ali onde se formam as tropas de choque. O estado-maior, por regra, acha-se nas camadas favorecidas. Parece que não deveria ser assim, mas torna-se facilmente compreensível, se atendermos a que a mola da Revolução está na sede de mando, na ambição, no pecado de soberba, de que nos fala a teologia, e só um escol pode alimentar tais sentimentos com alguma garantia de os ver concretizados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Melhora-se deste jeito? Não, por certo! Sem custo se verifica que isto não é progresso, mas um contínuo agitar e que, em última análise, se traduz num recuo, um recuo assustador, um recuo a marchas forçadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Afigura-se-nos que isto vem sendo, de alguns séculos para cá, uma lei indesmentível da história. A Idade Média, apesar das suas imperfeições, surge como uma excepção, porque foi nessa época que as comunidades políticas melhor casaram o temporal com o espiritual de inspiração cristã.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A degradação permanente e progressiva da sociedade humana continuará, pois, a observar-se, enquanto a Revolução Universal se mantiver de pé, com os seus chefes mandando os soldados matar e morrer, e estes obedecerem tolamente porque, além de criminoso, é tolice que se mate e que se morra por uma causa contrária ao bem de todos em geral, e de cada um em particular. Se os homens continuarem a ser atirados uns contra os outros, cegos pelo ódio, sem outra finalidade que não seja a de revolver por revolver, torna-se fácil antever que estão cavando a sua própria destruição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tudo isto, que não é difícil prever, é sobretudo aflitivo. Há um estado de angústia que lavra com uma intensidade assustadora: uma parte da humanidade está animada de instintos exterminadores; outra, amorfa e inerte, parece alimentar dentro de si um desejo suicida. Que é a inquietante obra &lt;span style="font-style: italic;"&gt;La barbarie à visage humain&lt;/span&gt;, de Bernard-Henri Levy, senão um grito de descrença no universal, uma tentativa de «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;penser&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ju&lt;/span&gt;s&lt;span style="font-style: italic;"&gt;qu'au&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bout le pessimisme en histoire&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;» &lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(1), como confessa o seu autor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O perigo é real e tem de ser denunciado. A procela que se divisa no horizonte dos tempos futuros, num horizonte que pode estar lá ao longe, mas que também pode estar bem perto, virá a ser a mais medonha de quantas a história guarda memória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Só uma doutrina na corrente da Tradição se lhe pode opor. A Tradição não se confunde com o conservadorismo porque é dinâmica: no plano metafísico, é o Ser rodeado dos seus atributos transcendentais --- Unidade, Verdade e Bondade --- apresentando-se assim como a expressão do acto passado e a potência de se tornar noutro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;CRISE UNIVERSAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O mundo em que vivemos é presa da Revolução.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Rasgando e queimando as letras pontifícias, o desvairado Lutero entrava na corte do Príncipe onde a soberba e a luxúria são lei. Com a sua reforma, dividiu o mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Contra a heresia, levantaram-se Portugal e Espanha, na altura ainda separados, mas logo a seguir numa união pessoal que contrariava a lei do dualismo político que deve presidir aos destinos da Península para defesa da civilização. Em 1648, os tratados de Vestefália reconhecem a vitória da nova ética. Foi uma Cruzada colossal que se perdeu por causas que escapam ao entendimento humano. Depois disto, acelerava-se a decomposição, e as pugnas travadas eram disputas no seio de uma família que havia perdido a noção de Deus. A ordem teocêntrica desaparecia totalmente, dando passo à dimensão vitoriosa --- a grandeza antropocêntrica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-weight: bold; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Cerca de dois séculos de lutas tenazes eram esquecidos. O misticismo de Santo Inácio de Loiola e de Santa Teresa de Ávila; o apostolado de S. Francisco Xavier e de S. João de Brito; o arrojo de Colombo e de Vasco da Gama; a coragem de um Albuquerque e de um Pacheco, de um Cortês e de um Pizarro, tudo isso parecia sumir-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E o mundo que Portugal e Espanha criaram, movimentando-se dentro dos compromissos assumidos no Tratado de Tordesilhas, assinado debaixo de quem, antes da rebelião de Vitemberga, era a suprema autoridade no campo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ius gentium&lt;/span&gt; --- o Papa --- tornava-se alvo da cobiça de aventureiros e gananciosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O holandês Hugo Grócio, com a publicação do seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mare Liberum&lt;/span&gt;, veio dar uma fachada de respeitabilidade ao que não passava de uma empresa de flibusteiros. A isto, opôs-se, no que respeita a Portugal, Frei Serafim de Freitas com uma obra de mérito colossal: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;De iusto imperio lusitanorum asiatico adversus Grotii Mare Liberum. &lt;/span&gt;Mas contra a razão da força bruta tiveram de vergar as indignações justas de homens como aquele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Apagavam-se os últimos traços da velha comunidade medieval, desse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;corpus mysticum &lt;/span&gt;que se erguera sobre os escombros daquilo que foi o Império Romano. E assim nascia outra sociedade de nações que, a todo o custo, quer continuar a identificar-se com a civilização cristã. Está errado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Desde o início que o Cristianismo se espalhou graças ao apostolado de santos e mártires. Com a conversão de Teodósio I, o Grande, tornou-se religião oficial do Império Romano, que o mesmo será dizer daquela imensa parte do continente europeu sujeita à sua soberania. A partir daí, é lícito referir uma civilização cristã ainda depois da queda do Império Romano do Ocidente, porque os invasores bárbaros se arvoraram em continuadores da cultura romana, e aqueles que professavam religião diferente, mais cedo ou mais tarde, vieram a abraçar o Cristianismo. Fazia então sentido o uso trivial das palavras &lt;em&gt;civilização&lt;/em&gt; &lt;em&gt;cristã&lt;/em&gt; paralelamente à de &lt;em&gt;Europa&lt;/em&gt;, uma vez que Europa e Cristandade se confundiam quase por completo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Porém, com a reforma protestante, essa civilização deslocou o seu ponto de gravidade e pousou para cá dos Pirenéus: os seus missionários foram Portugal e Espanha. Por conseguinte, ou a Europa volta a ser cristã, ou acabe-se de uma vez com o mito de que a civilização cristã é também a do Ocidente, visto que do Ocidente é a Europa, e esta escancarou as portas à Revolução, precisamente nos séculos XVI e XVII.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O tempo andou e logo chegou o Iluminismo trazendo o culto de uma razão especial, a razão divorciada da Fé. Em política, íamos ter o despotismo esclarecido. Era o corolário lógico do poder real absoluto proclamado pelos países protestantes, cujos chefes, desde a ruptura com Roma, negavam qualquer obediência ao Papa. Essa ideia estendeu-se, e a ela também não escaparam os príncipes católicos, educados nas doutrinas cesaristas do direito romano justinianeu, e que recebiam agora a influência nefasta do ateísmo enciclopedista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Já a Revolução Francesa se anunciava. Quando esta explode, solta-se a fúria jacobina, que vai alastrar, por toda a Europa, os erros de uma liberdade, de uma fraternidade e de uma igualdade que não são as do Evangelho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Com a derrota de Napoleão em Waterloo, três de entre as potências vencedoras --- Áustria, Prússia e Rússia --- projectaram anular o clima revolucionário, formando entre si aquilo a que deram o nome de Santa Aliança (destas três nações só a primeira era católica, apostólica, romana). Em vão o fizeram. O esforço mostrava-se inútil --- o processo não se detinha, porque não era possível detê-lo senão em bases verdadeiramente contrarrevolucionárias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O liberalismo e a democracia passeiam de triunfo em triunfo. No dealbar do século XX, assiste-se a uma tentativa serôdia de decalcar Waterloo --- os impérios centrais insurgem-se contra a ordem maçónica, carregada com tintas da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;belle époque&lt;/span&gt;. São esmagados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Duas décadas depois, é um eixo de países, muito afastados da ordem tradicional, que se erguem, procurando derrotar o contubérnio formado por uma democracia relapsa na nostalgia de um passado de quimeras, e por um totalitarismo bem actual --- o comunista. Perderam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Hoje, de alto a baixo e de uma ponta à outra, estamos sufocados pelo materialismo. É que a Revolução não parou nos conceitos de 1789. Para o espírito que a anima, isso seria muito tacanho: segura e pertinaz, ela procura levar os princípios às últimas consequências.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não se arriscará muito ao dizer que, dentro de algum tempo, na monstruosa termiteira humana, onde ameaça ir dar a sociedade próxima, se poderá ouvir um aflitivo bradar às armas, em nome da defesa do género a que pertencemos, contra um perigo comum, sabe-se lá de que espécie. Assim realizará a Revolução a sua tarefa, porque os seus atrozes desígnios cumprem-se com a degradação constante de valores, até ao esgotamento final.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A esta prática assassina, responde-se com a Contrarrevolução!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;PORTUGUESES E CONTRARREVOLUCIONÁRIOS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Contrarrevolução, em Portugal, terá de ser levada a cabo por Portugueses que sejam também contrarrevolucionários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como contrarrevolucionários, é nossa obrigação combater os que seguem Satanás, primeiro de todos os revolucionários, com prioridade de origem e também de condição; enquanto Portugueses devemos rejeitar as traições inomináveis que afundaram a Pátria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Proclamemos como fim supremo do homem o dar honra e glória a Deus. Muito diferente, portanto, do que situá-lo e reduzi-lo ao próprio homem, segundo a tendência pagã, ou na sociedade, a exemplo de experiências passadas que agora se querem repetir pintadas de outras cores.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para isso, reconheçamos a necessidade de uma ordem temporal que há-de ajudar o homem a ordenar os seus actos para o Bem teleologicamente apetecível. Nesta missão, a Política, sem qualquer sujeição institucional perante a Igreja, não poderá, todavia, ofender os princípios sagrados da Religião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Política regula coercivamente a vida do homem em sociedade. A Religião dá mais: oferece ao homem os meios necessários para alcançar a vida eterna. Mas, como esse prémio se ganha na Terra, é absolutamente compreensível que a Religião sirva de norma negativa à Política, isto é, que lhe marque limites morais, e que a Política adquira sentido religioso, ou que, por assim dizer, se santifique.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Em consequência, sustentemos a grandeza da Política, no ápice vertiginoso da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cidade terrestre&lt;/span&gt; em direcção à &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cidade de Deus, &lt;/span&gt;se, na sua vigência, governar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bonum faciendum, malum vitandum.&lt;/span&gt; E, ao defender esta visão da Política, rechaçamos aquilo a que, na ordem temporal, se pode classificar como erro do indiferentismo e do latitudinarismo. É o seguinte:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para alguns, certos povos são fatalmente ingovernáveis, qualquer que seja a forma, sistema e regime político. Isto é notoriamente um erro, mas não se julgue, como muitos outros fazem, que todas as políticas são eficazes desde que os homens sejam honestos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sendo os homens honestos, as leis não seriam necessárias! É tempo de nos convencermos que a Política é uma arte valiosíssima e um instrumento precioso de auxílio à salvação espiritual do homem. E, portanto, de que não é indiferente a Política que se segue. De modo, que é imperioso desenvolver todos os esforços na busca da política mais perfeita. A qual, inevitavelmente, se tem de conformar à verdade ontológica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não deixemos que nos invada a presunção sacrílega de nos encontrarmos na posse da verdade absoluta. Nenhum homem a atinge. Sabemos, no entanto, que ela existe e, por isso, recusemos admitir que seja negado tudo quanto formos proferindo, com verdade lógica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Concluindo: há matérias em que é legítimo formular verdades; e outras que comportam opiniões caindo dentro da zona do mais ou menos provável. Em Política, não devemos ter mais que um dogma: obediência escrupulosa aos primeiros princípios da metafísica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Daqui, partamos para o nosso ideário:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;NA TORRE DE BABEL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Um ordenamento político não se imita. É um ponto aprimorado de velhas usanças e costumes antigos que, em tempos recuados, nasceram e romperam caminho, vindo sempre a ganhar as lições do magistério infalível da história. Venerando o passado, uma constituição política desta natureza está aberta à evolução, na qual se integra com esperança. Produto histórico, de uma história depurada das suas excrescências más, sobreleva todas as demais porque é autenticamente nacional.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Infelizmente, entre nós, não o entenderam assim os arautos do liberalismo, fiéis aos princípios burgueses da Revolução Francesa. E abateram, sem piedade, o tronco das vetustas instituições políticas portuguesas. Mas a origem do mal devemos ir buscá-la mais atrás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando o Humanismo, na sua pagã soberba, derrubou a construção laboriosa da Escolástica, iniciou-se uma revolução de tal maneira grande que assinalou o fim de uma época --- a Idade Média --- para dar começo a outra --- a Idade Moderna.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A primeira fase desse processo oferece, como marco relevante, a reforma de Lutero, reforma falsa que teve consequências trágicas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Fé era calcada pelo naturalismo. O Concílio de Trento, purificador, não conseguiu apagar a Confissão de Augsburgo. A metafísica começava a ser moldada sobre a moral, segundo os ditames a que, mais tarde, Kant daria forma invertendo o sentido que era necessário respeitar. Em suma: a heresia estrangulava a ortodoxia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Essa derrocada espiritual era, como não podia deixar de ser, acompanhada de grandes alterações no quadro jurídico-político. A Revolução Mundial, compelida a um papel modestíssimo por uma época de religiosidade intensa e profunda --- a Idade Média --- retomava em força a sua marcha. Caía um edifício, onde havia decoro, para em seu lugar se levantar o prostíbulo da orgia e da devassidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Non serviam&lt;span style="font-style: normal;"&gt;! O grito medonho do frade agostinho estalou, rotundo e sonoro, sobre todo um continente, acompanhado do desabar apocalíptico de hábitos, de sistemas e até de impérios. Lançada a dúvida sobre o sentido precioso da Revelação (que só à Igreja de Roma cabe definir), atacada a Verdade no seu bastião terreno mais sagrado (esta mesma Igreja, a Igreja de Pedro e dos seus legítimos sucessores), tudo ruía.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Em França, desponta Descartes e a subversão faz avançar vitoriosamente mais uma das suas alas. O entimema que o filósofo francês enunciou como ponto de partida válido na actividade do conhecimento, tem de assentar forçosamente sobre outras certezas naturais que se alcançam sem antes duvidar delas, sob pena de se entrar num processo interminável para não acabar no mais pirrónico cepticismo. O pretenso equilíbrio proclamado pelo autor do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Discours de la méthode&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;para ser coerente, conduz à esterilidade; e, se quer fugir a esta, enferma de contradição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Depois de Descartes, não tardariam a surgir os profetas ardorosos da teoria do rei-filósofo. Os enciclopedistas, com as suas tramas, davam origem ao despotismo iluminado e, com isso, provocavam um movimento natural de oposição. Esse movimento, predispunha os espíritos a aceitar, em lugar daquele despotismo, a soberania ilimitada do povo debaixo da tutela de uma minoria esclarecida, germe daquilo que, mais de cem anos decorridos, foram os partidos únicos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Porém, a Revolução sabe que, na mudança, quanto mais lentamente se progride, mais seguro é o seu avanço. Por isso, deixou a turba enfurecida sair do proscénio e subir à ribalta: a nau do jacobinismo enfunava as velas aos ventos da loucura para singrar numa rota destruidora. Com a lâmina das suas guilhotinas, o aço das suas baionetas e as balas dos seus canhões tintas no sangue do povo que dizia salvar, a Revolução andou mais uns passos e apareceu acobertada nas roupagens do liberalismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Em 1789, a França, saída da Bastilha, decapitou o seu Rei, a Rainha, gente do clero, nobres e até populares. E mesmo dentro das suas fronteiras, fez da Vendeia um cemitério. Alguns anos depois da cabeça de Luís XVI ter tombado de cima do cadafalso, Napoleão, à frente das suas tropas, vestia à Europa quase inteira, o figurino político dos convencionais. Carrascos da Legitimidade, os seus batalhões pisaram nações, acabaram com dinastias e mudaram governos. Da ponta das suas espingardas gritavam ao mundo a aurora de uma era de paz e de amor, mas atrás deles só deixaram um rasto de sangue, miséria, dor e revolta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esse individualismo feroz e dissolvente que nos trouxeram, em nada é nacional. E os direitos de importação que já pagámos --- burlas, revoluções e lutas civis --- são imensamente superiores a qualquer lucro que, por equívoco do destino, possamos ter arrecadado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na voragem de um desengano utópico sumiu-se o melhor e mais intenso labor de uma empresa de esforços sem limites postos ao serviço da Fé. E, em seu lugar, ergueu-se um conjunto de preceitos, que lançaram os homens para um reino onde muitos se terão já perdido e outros correm o risco de igual sorte. O mundo, que se nos depara, frenético, retaliado e posto a saque, é o desgraçado desfecho das proezas sinistras de duas novas hordas de bárbaros: o capitalismo infrene ou o comunismo, um e outro filhos espúrios dos amores incestuosos do liberalismo maçónico com o racionalismo cartesiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No século passado, quando Hegel foi erigido em pontífice e a dialéctica aclamada como dogma, a Revolução abeirou-se do ponto em que agora se encontra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Da dialéctica do pensador de Estugarda à dialéctica materialista de Marx, viciada por um erro de análise e, depois, às doutrinas dos regimes totalitários das mais diversas cores, foram curtos passos. Pelo meio, a Revolução foi recrutando os escravos de que precisava nas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;massas&lt;/span&gt;, palavra que diz bem quanto se alcançou no domínio do aniquilamento da personalidade humana. O socialismo era a bandeira que agitava, um socialismo que, das cátedras onde começou por ser ministrado teoricamente, desceu à rua e levou os magotes de desenraizados a formarem atrás das barricadas, num grito de extermínio, mas sem compreenderem que constituem um exército suicida. Ultimamente, fiel à sua matriz filosófica, a Revolução já não se detém nas desigualdades económicas e socais, buscando tirar partido de todas as diferenças que existem: religiosas; nacionais; de raça; e até de sexo. Descobriu, assim, os novos pecados capitais: fundamentalismo; xenofobia; racismo; e homofobia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A mentalidade do Progresso Indefinido passeia ufana e vai arrecadando os seus lucros pela tibieza e pelo quase total silêncio a que conseguiu reduzir a filosofia do Ser.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O LOGRO DA DEMOCRACIA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Hoje quer-se, a todo o transe, louvar a democracia. É já uma contumácia velha. Nos ouropéis de uma linguagem estafada, os amoucos do número enredam tudo e, com os seus juízos especiosos, subvertem a razão de muitos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A democracia, que alastrou pelo mundo e tritura os valores morais, encarniçando-se especialmente contra os valores que informaram a civilização cristã, essa democracia criminosa tem as suas raízes mais directas em Jean-Jacques Rousseau.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Rousseau firmou num pacto a origem da sociedade política (2) e garante que esse pacto é a única lei que «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;par sa nature exige un consentement unanime&lt;/span&gt;» (3), e que «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;est elle-même un établissement de convention&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et suppose au moins une fois l&lt;/span&gt;' &lt;span style="font-style: italic;"&gt;unanimité&lt;/span&gt;.» (4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Há os que apresentam essa convenção como uma verdade histórica (mistério insondável este de um pacto antes da vida em sociedade!); outros contentam-se em chamar-lhe simples verdade normativa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se é uma verdade histórica, afiançamos que não podemos testemunhar a seu favor porque a ela não assistimos, nem dela temos qualquer notícia através de fonte fidedigna --- seria um depoimento indirecto o nosso e, como tal, mesmo que o quiséssemos prestar, de valor probatório muito reduzido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas, como verdade histórica (o que já se viu que não concedemos e porquê), ainda nos interrogamos porque há-de vincular gerações que não foram ouvidas; simples verdade normativa, inquieta-nos a ideia de que ela possa traduzir a vontade de maus e de inúteis. Perguntamos, então, se nessa declaração estão englobados os votos dos incapazes e dos indignos. Se estão, que há a esperar de tamanho absurdo? E se não estão, como é razoável presumir, quem tem autoridade para excluí-los? Com base em que lei se pronunciará esse juiz? (5)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Estas perguntas clamam por uma resposta inequívoca. Mas essa resposta não virá. Ou se aceita que essa lei foi elaborada autocraticamente, o que anula o mais sagrado da doutrina, a sua quinta-essência, ou não se consegue evitar a petição de princípio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O filósofo genebrino desenvolveu um sistema sem forma natural: é uma aberração. E como todas as explicações sobre democracia, que se seguiram à de Rousseau, com matizes mais ou menos carregados, andam à volta do mesmo, caem debaixo de igual crítica. Apesar de tudo isto, sempre aparece quem exclama: Ah, a democracia! Isso é o ideal, esse é o sistema por que se governam as sociedades mais adiantadas do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não perderemos tempo a fixar o que é progresso: convenhamos que é o dessas sociedades. Também não nos deteremos, agora, a provar que a democracia é um absurdo e que esta conclusão tem a universalidade e a necessidade de tudo que é metafisicamente certo (6): aceitemos que ela é o que apregoam os seus prosélitos. Por fim, não pediremos que nos demonstrem se a democracia é causa ou o triste efeito do suposto grau de civilização das sociedades onde é lei. Nada disto, que é de importância extrema, deve agora ser objecto do nosso cuidado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Neste momento, basta analisar o seguinte truísmo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se a democracia é a panaceia dos males políticos, por que razão existem povos que não se dão bem com ela? E a resposta costuma ser --- Porque esses povos ainda não estão maduros para a democracia! (7) É uma resposta clássica, mas é também uma resposta estúpida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É de uma imbecilidade pasmosa dar semelhante resposta porque, ou a democracia existe para que viva a comunidade e, se não serve, temos de afastá-la; ou vive a comunidade para que a democracia tenha existência, o que significa converter o meio em fim. E mesmo que seja um fim relativo, o mero acto de preparar o povo para a democracia contradiz, em absoluto, a sua decantada soberania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E, ao tocar na soberania popular, dá-se uma volta completa e regressamos ao ponto fulcral.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O maior pecado da democracia, pecado mais grave do que confiar os negócios públicos a incompetentes e medíocres, pecado pior do que a refinada mentira da sua representatividade está, precisamente, no postulado da soberania do povo, de um povo que quanto mais o tentam definir, mais se nos escapa a sua verdadeira imagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esse postulado é, no mínimo, cretino. Formulado intencionalmente é um atentado contra a inteligência: já vimos como essa argumentação se perde num processo até ao infinito ou, então, tem de negar-se a si mesma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Com efeito, afirmámos isso e sustentamo-lo. Afirmámo-lo com carácter geral e abstracto depois de analisar factos concretos, que nada têm a ver com o que se passa agora em Portugal. Isso são os efeitos e estes são variáveis, com o tempo e com o lugar. Aquilo sobre que nos debruçámos foram as causas ou razões últimas da democracia; não nos contentámos com um estudo superficial, mas procurámos entrar num exame filosófico desta questão. Então, observámos que a sua essência está no sufrágio universal. E aqui é que dissemos e repetimos: a democracia é um absurdo e esta conclusão tem a universalidade e a necessidade de tudo que é metafisicamente certo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Expomos a ideia em forma de silogismo para depois demonstrar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tudo aquilo que não evita a petição de princípio é de repudiar; ora a democracia não evita a petição de princípio. Logo, a democracia é de repudiar. Ou, então, se o quisermos: Tudo aquilo que envolve contradição é um absurdo; ora a democracia envolve contradição. Logo, a democracia é um absurdo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que não evita a petição de princípio ou que envolve contradição já o provámos atrás. Mas agora voltamos a fazê-lo com um exemplo bem eloquente até porque bateu em cheio no peito do povo português:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na realidade, a máquina democrática, para se pôr em movimento, exige um impulso que é o princípio de razão suficiente (ou a sua causa eficiente) e esse princípio, insistimos uma vez mais, ou faz cair num ciclo vicioso, ou, para lhe fugir, não é democrático. Em Portugal, o regime instaurado é obra do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;MFA&lt;/span&gt;, esse movimento ao qual Adriano Moreira chamou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Novíssimo Príncipe &lt;/span&gt;e foi quem empurrou os eleitores, aqueles que ele quis, até junto das urnas, para votarem nos partidos e só nos partidos em que ele consentiu. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;MFA&lt;/span&gt;, pois, é que foi o autêntico soberano. E noutros países e noutras ocasiões, também a extensão e a liberdade do voto sempre estiveram condicionadas: não vota quem quer, nem se vota em tudo o que se quer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Por outro lado, a democracia é, ou uma hostilidade aberta, ou a mais acabada deslealdade. Já veremos porquê:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Dos tempos da Revolução Francesa para cá, especialmente desde aí, que o espírito de luta de classes é uma realidade, triste mas irrefutável. Este antagonismo não é certo porque Marx ou Engels o disseram; um e outro limitaram-se a assinalar uma verdade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na sua estratégia, a Revolução pôs a um lado os que ela designa por explorados e, do outro, os que considera serem os exploradores. Deste modo, criou uma divisão, que não pretende resolver, mas da qual espera servir-se para instalar a anarquia, único objectivo que a anima.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ora se a democracia consiste no governo do povo, e uma vez que o povo é formado por facções que, presentemente, se encontram separadas por um antagonismo aceso, a escolha democrática provoca forçosamente um destes dois resultados: ou a vitória da animosidade, ou a traição aos interesses de classe. Daqui não se foge. Esperar a cura dos males da democracia pela mesma democracia, é ter a ilusão de que um cérebro demente se pode tratar a si mesmo por forma satisfatória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Já nos tempos recuados da antiguidade, Platão classificava a democracia como prelúdio da tirania (8). Também o achamos. Há a tendência fácil da pretensa soberania popular se achar ilimitada, depois que se viu convertida em objecto de idolatria. Dois dos seus mais estrénuos paladinos --- Hobbes e Rousseau --- permitem-nos verificar que assim é, pois as doutrinas por eles proclamadas levam à mais completa subordinação da pessoa perante a máquina estadual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Os liberais destruíram a verdadeira representação nacional (viva nas antigas Cortes portuguesas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de iure &lt;/span&gt;apenas consultivas, mas que funcionavam com muito maior eficácia prática que os deliberativos parlamentos que vieram depois), mataram essa representação e tentaram colocá-la nos partidos, nesses bandos destinados ao assalto do poder e cuja sorte é ditada pelo capricho das urnas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que fazem os partidos? --- Arruaças e desatinos. Esgotam-se a adular as multidões e o resto não lhes causa preocupações de maior. Na luta permanente que travam para a hegemonia política curam mais dos expedientes para conquistá-la ou mantê-la do que dos verdadeiros problemas nacionais. Para eles, governar é um prazer egoísta que se exerce com exclusão dos demais. Sobem ao poder com a consciência plena de que o seu triunfo é efémero caso não se guardem devidamente. A sua ânsia é aguentarem-se; não lhes sobra tempo para traballhar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E o povo dito soberano, como reage? Qual a atitude dos homens que o compõem? --- Bem, cada um desses, agraciado com o pomposo título de cidadão, mas simultaneamente relegado para a categoria inferior de indivíduo, lá segue com o papel mirífico na mão, sem medir bem que, ao depositá-lo, passa um aval de confiança a gente que, de todas as ridentes promessas lançadas da boca, nunca irá além daquilo que pode, fará apenas o que quiser e cairá, amiúde, no que não deve.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nunca o povo andou tão empavesado de soberania, como agora; nunca, como hoje, ele foi tão pouco atendido!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;DIREITA-ESQUERDA (DILEMA FALSO)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A divisão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;direita-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;esquerda&lt;/span&gt;, que parece a estabelecida pela Cruz Redentora, ganhou tragicamente razão de ser depois que, com a Revolução Francesa, se viveu outro Calvário --- o da Legitimidade do poder temporal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nessa altura, direita era sinónimo de Contrarrevolução e esquerda queria dizer Revolução. Mas porque se cingia a um pormenor de circunstância --- a colocação relativa dos representantes da ordem derrubada e daqueles que defendiam os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imortais princípios &lt;/span&gt;--- sumiu-se. Hoje, direita e esquerda são os dois sentidos que se podem escolher numa direcção única --- a revolucionária. E a antinomia é penosa porque este campo é campo da Revolução.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando se radicalizam as posições desta linha, se a extrema-esquerda é o inferno, não podemos, não devemos, nem queremos esquecer e ocultar que a extrema-direita não é a Contrarrevolução. O sufrágio universal deu nisto: assembleias de irresponsáveis ou regimes totalitários. Num caso e noutro, Revolução!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A questão torna-se angustiante porque a mentalidade revolucionária conseguiu instilar o veneno a tal ponto que se crê que a única resposta possível à demagogia dos parlamentos reside no predestinado, no homem carismático, enfim, no poder pessoal que é efémero como a vida humana. Passa com a morte do seu titular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Este estado de espírito corresponde plenamente aos objectivos pretendidos pela Revolução: a balbúrdia criada pelos areópagos democráticos, acaba muitas vezes na ditadura, quando interessa iludir o povo com a miragem de um oásis de paz. E sempre que as ditaduras, em lugar de recurso de excepção, se tornam regra, temos os césares, os quais, a par dos governos de fancaria de que derivam, são símbolos que encarnam a Revolução na veste que ela ultimamente vem exibindo: o totalitarismo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ante o avanço do bolchevismo, nas primeiras décadas do século XX, deu-se na Europa a explosão de nacionalismos destemperados, como já cem anos antes estiveram de moda os nacionalismos românticos gritando, sem nexo, hinos à trilogia da Revolução Francesa, ao mesmo tempo que maldiziam Napoleão e os seus canhões, numa raiva insensata e tola, uma vez que Revolução Francesa e Napoleão se completam. Com efeito, Napoleão não teria tido razão de existir sem aquela Revolução ou outra que espalhasse erros iguais, e a própria Revolução ficaria em nada, sem o cabo de guerra corso ou outro que a consolidasse (9). Mas calhou ser Napoleão: por isso, condenar este e aplaudir aquela, foi uma contradição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Os nacionalismos exaltados do século passado não pecaram por incoerência formal. Porém, o totalitarismo em que desembocaram não se coaduna com a índole do nosso povo. A raiz política e filosófica daqueles regimes mergulha na doutrina de Rousseau e em autores germânicos como Fichte, Schelling, Hegel e Nietzche. Nada tem de nacional. Na nossa cultura católica, que foi alma de uma vocação de séculos, está a réplica a tudo isto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Chamamos mais uma vez a atenção para a íntima relação entre Política e Religião. A luta é, fundamentalmente, movida contra a religião católica. O duelo trava-se entre o credo sublime ensinado pelo Filho do Homem e a fúria assoladora do anjo rebelde. Todas as revoluções políticas são consequência do desejo de atacar a verdade conhecida como tal. São um pecado contra o Espírito Santo e, por consequência, assumem carácter eminentemente religioso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A ordem justa é desejada por Deus. Os seus titulares são, pois, vigários de Deus na esfera do temporal e, assim, um atentado contra a ordem que eles encarnam, ou contra eles, por aquilo que representam, é um atentado contra Deus. Esse atentado será, portanto, um delito temporal e é da alçada do braço secular, embora nunca se deva perder a ideia do seu conteúdo religioso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não se identifique isto com qualquer forma hierocrática no exercício do poder. Nós defendemos que se possua da Política uma noção particularmente viva da sua teleologia espiritual, o que não se confunde com a sacralidade do regalismo iluminista, nem com a que foi moda nos países atingidos pela reforma protestante, ou ainda, com o modelo da Rússia czarista, herdado do velho Império de Bizâncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Dissemos nas linhas iniciais que, hoje, direita e esquerda são os dois sentidos que se podem escolher numa só direcção --- a revolucionária. Esqueçamos essa via. E avancemos direitos ao instrumento de suplício onde, no Gólgota, padeceu e morreu a Humanidade d' Aquele que é a Verdade. Façamos da Cruz de Cristo o nosso mais alto pendão!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;AS LIBERDADES ROUBADAS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Oliveira Martins, naquela que é por muitos considerada como a sua obra paradigmática, escreveu o seguinte: «O velho espírito português encarnara, com efeito, na alma do infante, cuja soberania foi a última genuinamente histórica.» (10).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não se podia encontrar síntese mais bela para definir a figura excelsa de D. Miguel, tipo puro de católico, verdadeiro exemplo de português, que sacrificou a fazenda, desdenhou honras vãs e arriscou a vida tentando reconduzir Portugal à sua rota histórica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Debalde o fez: foi o liberalismo que acabou por triunfar. A fera saía da jaula e dava largas aos seus instintos selvagens --- triturava, nas garras da sua brutalidade, quanto pela frente encontrava e podia estragar-lhe o banquete em que procurava cevar a sua fome bestial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Évora-Monte assinalou a vitória das ideias que se puseram em voga sopradas pelos ventos de França. Essas ideias, que esvoaçaram ao lado das águias napoleónicas, lançaram o mundo numa insânia com o regresso à lei da selva. Era a concorrência desenfreada do liberalismo no mundo da economia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O tríplice princípio --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;liberdade&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fraternidade&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;igualdade&lt;/span&gt; ---, segundo a cartilha francesa, ia semear os ódios mais sanguinários e a escravidão mais aviltante. Da confusão anárquica dos seus enunciados, que resultou? --- O revolver de um mundo para vir outro muito pior, onde se assiste à diminuição numérica dos poderosos, acompanhada do extraordinário aumento da sua força, no meio de uma pobreza mais extensa e mais escandalosa. A melopeia da igualdade jacobina serve à maravilha para gerar as maiores iniquidades, pois o compasso dessa música é o que melhor se ajusta à exploração, sem peias nem entraves, das desigualdades concretas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tratada por este modo, iria a pessoa humana ver seriamente comprometida as suas liberdades. Estas só existem onde se encontrem delimitadas e acatadas as diferenças. Não observar as diferenças naturais leva à submissão mais degradante e com isso se avança no sonho pérfido da sujeição da humanidade quase inteira a um reduzido núcleo de senhores --- a sinarquia judaico-maçónica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A partir dos finais do século XVIII, a rasoira da Revolução proclamou, em força, o primado do indivíduo sobre a sociedade, aniquilando aqueles grupos naturais, onde se encontarvam albergadas as garantias fundamentais. Esses grupos constituíam os corpos intermédios. E, por cima deles, o Rei colhia os votos dos procuradores, pesava-os e, investido de um poder, independente na ordem política, mas moralmente limitado, decidia. Hoje as sociedades, depois de duros golpes, apresentam-se atomizadas, e o homem, reduzido a um isolamento assustador, está à mercê desse Leviatão que, há bastante tempo, vem sendo o Estado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O mal, porém, é antigo. Deitou raízes com a dialéctica falaz dos humanistas e foi crescendo e fortalecendo-se com o tempo. Entre nós, é o verbo inflamado de João das Regras que, veículo do direito de Pisa e de Bolonha, introduz a ideia absolutista do poder real. O chanceler de D. João I, matreiro, perfeitamente sabedor do modo como havia de utilizar o direito para alcançar os fins pretendidos, cortou nos privilégios da nobreza, sufocou as autênticas liberdades populares e, com isto, lançou as bases do cesarismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;D. João I abriu, em Portugal, uma época a todos os títulos nova. As circunstâncias particularíssimas da sua elevação ao trono permitiram ao astuto João das Regras exercer sobre ele fortíssima influência. Discípulo fiel dos mestres de Itália, o chanceler não se cansava de ensinar o Rei no sentido de que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quod principi placuit&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;legis habet vigorem &lt;/span&gt;(11). E assim este monarca, fundador de uma dinastia, foi comparsa mudo, de um processo tendente a neutralizar, sufocando-a nas suas isenções, uma classe que até aí fora elemento vivo no corpo da nação e factor de equilíbrio nas normais oscilações do poder político --- a nobreza. Com D. Afonso V, ainda ela despediu os últimos clarões do seu antigo fulgor, para começar a agonia no reinado seguinte e acabar de estrebuchar sob o pulso férreo do tirano Pombal, quando em Belém, numa cinzenta manhã de Janeiro, o vento soprando espalhou o cheiro acre de uma matança hedionda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Extinto este braço da sociedade, instalava-se a monarquia cesarista, excesso tão revolucionário como os desmandos que haviam de sair dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;imortais princípios&lt;/span&gt; de 89.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O trinómio --- rei, nobreza, povo --- expressava harmonia nos seus factores até que o segundo foi mortalmente atingido. O direito romano justinianeu, introduzido pelos legistas, que o iam buscar aos centros renascentistas, tirou força à nobreza, deu-a aos reis, ignorou as camadas populares e preparou assim o caminho do absolutismo cesáreo. Deitada a nobreza por terra, os reis já não precisavam ligar-se ao povo. Não tinham rivais: eram agora os únicos senhores, podiam exercer toda a espécie de prepotências. E o povo, um organismo privado dos seus naturais aliados, que se iam sucedendo no trono, ficou à mercê de todos os abusos sob um jugo cada vez mais pesado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Mas os reis também vieram a morrer nas malhas do absolutismo. Se o povo tinha neles um amigo quando se sentia vexado ou oprimido pela nobreza --- daí a saborosa expressão de, em Portugal, sempre andarem rei e povo de braço dado --- não é menos certo que os reis possuíam no povo um esteio se algum barão, atrevido e insolente, esquecia que eram os monarcas os primeiros entre os nobres. Desfez-se o pacto: os reis deixaram de dispensar protecção ao povo; e o povo, um dia, foi atirado contra os seus defensores de outrora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Revolução começou por decepar um dos braços do Estado. Não tardaria a cercear as regalias e liberdades administrativas e profissionais. Costume e forais ficavam sepultados debaixo da pesada pedra que é a lei elaborada em nome da soberania popular. O costume é uma das fontes de direito que a ciência jurídica e política reconhece. Os romanos definiam-no como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tacitus consensus populi&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;longa consuetudine inveteratus&lt;/span&gt;. Um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tacitus consensus populi &lt;/span&gt;--- com efeito, o costume é a via pela qual se manifesta, talvez da forma mais inilidível, o sentir do povo, do povo autêntico, não do povo que já «saiu à praça vociferando que é rei porque é povo.» (12)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Retomemos o fio da nossa exposição, no ponto em que a interrompemos, isto é, no tempo de D. João I.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Três reinados a seguir ao rei de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Boa Memória&lt;/span&gt;, colhia Portugal o fruto sazonado das lições daquele soberano, porque tinha o monarca absoluto perfeito. Valeu-nos a Providência porque era um homem que possuía em elevado grau a consciência da missão, que lhe cabia. Absolutista, como produto normal da época que lhe deu o ser e, inquestionavelmente, porque a isso o inclinava o seu próprio temperamento, era sobretudo um português amante da sua Pátria. E o Império que criámos, ficámos em grande parte a devê-lo à sua extraordinária visão, ao seu fino tacto e ao seu génio político. Mas as suas qualidades, porque eram pessoais, morreram com ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O iluminismo ainda vinha longe, acabando contudo por chegar, rodeado de grande pompa exterior. E, entre nós, aparecia o despotismo engalanado na figura de Sebastião José. Quem era este homem, a quem alguns teimam em dar estatura descomunal, divinizando-o por obras cujo mérito não teve, e louvando-o por actos desumanos e atrozes ?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Odiando a Igreja (13), expulsava os jesuítas (14), mandava queimar o Padre Gabriel Malagrida e convertia a Inquisição em instrumento da sua mentalidade regalista. Num processo, quase insólito no seu barbarismo e na sua iniquidade, chacinava, ou condenava a prisão perpétua, o melhor da nobreza portuguesa. Através da Lei da Boa Razão feria de morte o costume. E, discípulo fiel de D. Luís da Cunha (15), repetia entre nós o colbertismo do conde da Ericeira, ao mesmo tempo que abatia o que restava das corporações. Tinha as mãos livres, podia fazer quanto quisesse (16).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Terminou o seu governo (seria ironia atribuí-lo ao Rei), com a morte do monarca. Caído em desgraça, foi desterrado para Pombal, onde acabou os seus dias livre do rigor dos tribunais pela clemência de D. Maria I.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No final do reinado desta soberana, Portugal via-se pisado pelos exércitos napoleónicos até que, com o auxílio de uma Inglaterra, invejosa da estrela do Corso, temerosa da hegemonia que este ia firmando, e desejosa de acabar com o seu poderio, conseguiu empurrar o invasor para lá da fronteira. Enquanto isto sucedia, a família real demorava no Brasil para onde se retirara quando Junot entrou no Reino. Passados alguns anos, D. João VI, já rei, regressa a Lisboa depois de muito instado. Na capital do Império, deparam-se-lhe os ânimos exaltados e vive-se um clima de insegurança, resultado da Revolução de 1820. Esse acto, aparentemente, era uma reacção ao regalismo absolutista. Mas, como era óbvio, os prometidos horizontes de uma rasgada liberdade não surgiram.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O País caminhava para uma confrontação, que o ia mergulhar numa sangrenta guerra civil, e seria somente o prelúdio de mais convulsões, de outra guerra, de pronunciamentos militares sem conta, de alguns magnicídios pelo meio, de golpes de estado e de quedas de ministérios, enfim, de uma desordem que, até aos nossos dias, não arredou pé. Mesmo nos períodos de acalmia, uma acalmia mais aparente que real, essa deordem era uma larva à espera de desenvolver-se nas mais venenosas formas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A paz podre, que caiu sobre Portugal e o asfixia, bem parece antecâmara de um pavoroso cataclismo social. Para prevenir esse mal, a Pátria precisa conhecer a causa dos seu males passados, presentes e futuros. Já aqui dissemos qual é e repetimo-lo resumidamente: trata-se do desgraçado mito da soberania popular, porque é ele que emerge sempre como denominador comum de todos os sistemas que foram impostos ao mundo civilizado e não pouparam o povo português: o absolutismo regalista, ou as doutrinas liberais, ou ainda as ideologias totalitárias. Estes sistemas são contrários ao direito natural e aos mandamentos divinos. Desmentem o ser histórico de Portugal e da sua gente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;PODER POLÍTICO E MONARQUIA&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Numa época em que os descendentes de reis se vulgarizam e as pessoas vulgares, levadas pela ambição, se julgam reis, poderá parecer risível terçar armas pela monarquia. Mas nós estamos dispostos a isso e nela confiamos sem desfalecimentos de qualquer espécie.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que entendemos por monarquia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não damos este nome, decerto, às monocracias vitalícias ou quase vitalícias dos consulados, nem ao regalismo cesarista, ao estilo da Roma imperial; afastamos igualmente desta categoria aquelas sociedades atomizadas, que entre os diversos órgãos do poder, contam um a que se chama Coroa. Para nós, a monarquia é a comunidade onde existe a realeza, com um poder próprio e forte, cume de uma nação organicamente estruturada nas suas diversas ordens e onde as autarquias geográficas e profissionais estão bem vivas. Assim, o poder político segue uma escala hierárquica e há uma representatividade tão integral quanto é viável.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sendo os povos formados por pessoas e estas, consideradas uma a uma, intrinsecamente livres porque gozam de uma liberdade concedida por Deus, a nenhum poder humano é lícito ignorar esse dom. A monarquia não calca este direito fundamental do ser humano. Preocupando-se com a pessoa, não consente, todavia, que ela se encha de si mesma, mas serve-lhe de auxílio, orientando-a para o fim último --- o de adorar a Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A causa de todo o poder é Deus. Mesmo quando se trata de governos degenerados, sendo aí mera causa acidental de um poder inicialmente bom e do qual a maldade dos homens abusou. Negá-lo é pecar contra o Espírito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Que é o poder na monarquia?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esta pergunta, para ser respondida, requer que primeiro se defina o que é o poder político em geral. E precisar os contornos do poder político é o mesmo que falar na teoria da soberania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Vemos a soberania como a vontade servida por um poder supremo e independente, orientada para o estabelcimento de uma ordem. Povo com gente capaz disto, é povo com uma organização política que o distingue no concerto dos demais povos porque lhe empresta uma individualidade muito particular.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Para quem, como nós, se mantém fiel aos ensinamentos da tradição bíblica (17), foi monárquica a primitiva organização da vida em sociedade, embora se tratasse de uma sociedade muito especial --- a doméstica. Mas, para a exposição daquilo que agora pretendemos, vamos fixar-nos em matéria que a experiência actual pode comprovar, prescindindo do que afirma o texto sagrado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;De passagem, apenas assinalamos que a quebra da ordem monárquica é, quanto a nós e como se torna fácil supor, ilegítima. Porém, o argumento lógico (embora de uma lógica que nunca perde de vista a perspectiva católica da vida), esse argumento reservamo-lo para o capítulo seguinte. Não nos demoraremos, pois, com aspectos que respeitam mais a um problema da legitimidade de origem. Neste momento, é nosso intuito tratar apenas do exercício do poder soberano. Referiremos o único critério que reputamos válido para dizer se este, ou aquele poder, é justo ou injusto. E deste modo mostraremos como nos afastamos de todas as falácias que a democracia vem tecendo ao redor do conceito de soberania.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A soberania, segundo dissemos poucas linhas atrás, manifesta-se como a vontade consciente servida por um poder supremo e independente, orientada para o estabelecimento de uma ordem. Os que isto fazem são os detentores da soberania e saem do grémio de toda a comunidade, mas só a Deus devem o poder. O resto da comunidade propende a aclamá-los.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Alcançada essa ordem, procuram os seus realizadores criar na consciência do grupo em que se integram a ideia de que são obrigatórias as regras estabelecidas. Quer isto dizer que todas as situações políticas de situações de facto que começam por ser, tendem a passar para situações de direito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A legitimidade do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ius positum&lt;/span&gt; mede-se em função de valores transcendentes. Rimo-nos da pretensa infalibilidade dos oráculos das maiorias porque as coisas devem ser apetecidas por serem boas e não são boas por serem apetecidas: admitir isto seria perfilhar uma moral de valores nietzcheana o que é manifestamente errado. Com efeito, se o chegar à bondade absoluta das coisas e, por conseguinte, à sua verdade e unidade não está, no campo dos factos, ao alcance de ninguém, muito menos o será pela maioria que constitui o rebanho dos ignaros quase cretinos. Se acontece que a maioria se aproxima dessa bondade, devemos atribuí-lo a sucesso casual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Simultaneamente, não podemos esquecer que todo o poder constituído perde legitimidade se exerce mal a sua autoridade. E a revolta contra esse poder fica justificada pela moral teológica e pelo direito (18). Os que mandam têm obrigação de realizar o Bem Comum. E sempre que tal é esquecido pelos governantes, não há só o direito, nasce também o dever de alterar a ordem que vigora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Da comunidade sairão os que a vão salvar, animados do espírito daquele princípio, já formulado, de que os titulares da soberania pertencem ao grémio dessa mesma comunidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Montesquieu julgou encontrar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;salus populi &lt;/span&gt;repartindo o poder de maneira que o resultado final seria a defunção do mesmo (19). Rousseau, categoricamente, proclamou a soberania indivisível (20), embora viesse depois a distinguir entre a força e a vontade do corpo político em termos tais que a soberania assim concebida alberga dentro dela o fermento da própria destruição (21).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A divisão dos poderes está intimamente ligada às ideias individualistas; a ordem tradicional tem em conta o homem situado nos grupos sociais da mais diversa natureza, e obedece a uma cadeia hierárquica, onde se delegam competências, mas em que não há fracções separadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O poder monárquico é, sem dúvida, aquele que melhor respeita esta exigência da unidade na variedade. E é talvez o único a consegui-lo. Apresenta, por este modo, o maior obstáculo à desagregação, mesmo que entre as pequenas comunidades que integram a Pátria lavre o germe da discórdia porque, na monarquia, é vertical a disposição do poder soberano, expresso através das forças vivas da nação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É também a ajuda mais sólida para formar e garantir a continuidade da consciência nacional. Reage-se assim, eficazmente, aos efeitos deletérios das teses do internacionalismo político, sem cair na cegueira dos nacionalismos fanáticos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;REGRESSO À ORDEM TRADICIONAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A perda do sentido do sagrado levou a um exagero horroroso, aliás previsto e desejado. O Estado deixou de secundar a Igreja Católica e decretou o divórcio entre ambas as instituições.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Revolução rompeu a aliança entre os&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;dois poderes: o espiritual e o temporal. Investiu depois em toda a linha --- semeou a discórdia na sociedade civil e visou o trono de S. Pedro. Esta ofensiva deu de si o materialismo, espécie viciada de uma religião nova. O processo revolucionário avança em direcção à meta ambicionada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A ameaça é assustadora e o perigo é real. Mas há um reduto inexpugnável, onde podemos sempre acolher-nos. Esse reduto são as palavras de Cristo: «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Et ego dico tibi&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quia tu es Petrus et super hanc petram aedificabo ecclesiam meam&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;et portae inferi non praevalebunt adversus &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eam&lt;/span&gt;.» (22).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esta certeza não obriga a deixar de lado a Política. Em certa medida, até a requer. Defendemos, assim, que a Política pode ser um instrumento de redenção, embora distinto da Religião pela natureza dos seus meios e fins específicos. Se efectivamente desejamos que o seja, temos de escolher a ordem temporal que se mostra fiel à Igreja de Roma, única depositária do Verbo da Salvação. E essa ordem é a ordem da Legitimidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como se comporta o legitimista? --- Deste modo: adorando a Deus; querendo à Pátria; e dando voz pelo Rei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O legitimista aclama o Rei, o qual, no uso pleno das prerrogativas que lhe são inerentes, é penhor seguro das liberdades, dessas liberdades consagradas pela lei e pelo costume. A realeza é a forma que determinará a matéria --- a sociedade --- para a transformar nesse todo especificamente novo que a nação monárquica constitui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O Rei é o chefe natural da Nação. Restabelecida esta aliança, ergue-se, de novo, o quadro mais adequado para o povo português encontrar a perdida razão da sua existência. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Acima do Rei, está a Pátria. Ela é descanso dos nossos maiores, abriga-nos a nós e espera pelos que virão. Mais que um ser físico do instante que passa, é uma entidade moral que se desenha no tempo --- é a comunidade de avós, pais e filhos unidos pela mesma força, abraçados na mesma crença e confiados no mesmo destino que a todos transcende.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Falámos do Rei, tratámos da Pátria. Em frente de nós, por cima de nós, abre-se a majestade infinita de Deus, que é o Alfa e o Ómega.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Neste eixo --- Deus, Pária, Rei --- está a dimensão da Legitimidade. Esta dimensão dava uma ordem e essa ordem verteu-a o Portugal antigo nas suas Leis Fundamentais, que eram algo vivo e não mero documento de prosa mais ou menos sofrível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No enunciado simples e discreto daquelas Leis palpitava uma constituição genuína. Porque&amp;nbsp;os diplomas preparados para reger a sociedade portuguesa, a partir de 1820, apesar de toda a sua ressonância, não foram senão maus aparelhos ortopédicos moldados nos aleijões da Revolução Francesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Já definimos o eixo da Legitimidade --- estende-se pela fé em Deus, pela devoção à Pátria e pelo amor ao Rei. Vivendo a Legitimidade, vive-se a lealdade ao Rei, posta ao serviço da Pátria, com os olhos fitos em Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É esta a linha da política que reputamos ortodoxa: reflexão, estratégia, acção. Seguimo-la com a monarquia legítima, que nos descobrirá a Tradição. E a Tradição não morre, visto que reflecte o Ser uno, verdadeiro e bom em movimento, como já tivemos ocasião de explicar no início deste manifesto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se não carregássemos a tara do pecado original, a Tradição espelhar-se-ia, com fidelidade, no testemunho que cada geração fosse deixando após a sua passagem. Não acontece assim. E, por isso, a Tradição deve ser objecto de constante esforço de uma procura animada pelo desejo de alcançar a verdade ontológica. Só deste modo admitimos a Tradição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;EXORTAÇÃO FINAL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Portugueses:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A nossa Pátria separou-se do resto da Península. É um facto político que passou por três duras provas. S. Mamede marca as aspirações de um povo que nasce; Aljubarrota afirma a certeza de uma consciência nacional que já não aceita escambos de identidade; e o 1.º de Dezembro de 1640 confirma uma vontade atávica --- a de permanecer livre e independente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Começou pequeníssima; estendeu-se pelas quatro partidas do mundo, animada de zelo apostólico; e numa triste Primavera, apesar dos cravos que floriam (ou talvez por causa disso), foi vilmente atraiçoada por bastardos sem lei e sem pudor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No açougue dos conluios internacionais, os magarefes sucedem-se a ver quem retalha mais. Mesmo assim, não desapareceu. A sua identidade metafísica permanece. E nós podemos restituir a Pátria amada ao caminho da sua missão histórica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Forças temíveis, que se escondem nos abismos profundíssimos do Mal, desejam enterrá-la. Essas forças são aquelas que, sobre os escombros da civilização que vão abatendo, se preparam para levantar o governo de um Estado Universal monstruoso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A esses perversos desígnios temos de opor-nos. Que nos é pedido, então? --- A resposta ao chamamento para uma cruzada sublime:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Trata-se de restaurar Portugal. Portugal restaura-se expulsando os corpos estranhos, como o expulsámos em Aljubarrota; em 1640; e em 1810. Portugal refaz-se repetindo todos estes exemplos e conseguindo aquilo que, desde a queda do Rei legítimo, há quase dois séculos, não temos sido capazes: conseguindo a ablação dos tumores causados por sistemas de ideias que se instalaram no organismo da sociedade portuguesa. É necessário extirpar esses cancros, porque uma nação não está só invadida quando exércitos de fora talam o seu território, ou grandes fluxos migratórios alteram o seu equilíbrio demográfico: pode está-lo tanto ou mais sempre que os espíritos se apresentem turbados por doutrinas de importação. É este fundamentalmente o estado de Portugal e nós temos o dever de impedir que ele se prolongue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A Pátria sofre porque posta diante do espelho da sua memória não se reconhece nele: procuremos seguir os nossos valores tradicionais e já veremos como o Portugal de amanhã volta a identificar-se com o Portugal de antanho. Esta é a restauração que se impõe; para esta tarefa é que temos de preparar-nos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;VIVA A MONARQUIA LEGÍTIMA!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;VIVA PORTUGAL CATÓLICO!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;____________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Éditions &lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;Grasset&lt;/em&gt; &amp;amp; &lt;em&gt;Fasquelle&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;, 1977, p.12.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Du Contrat Social&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;I, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitres&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;V-VI.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;., &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;IV, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;II.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;., &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;I, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;V.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ver Rousseau --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Discours sur l' origine et les fondements de l' inégalité parmi les hommes&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Flammarion&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Paris&lt;/span&gt;, 1992, p.257: «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;puisqu' il est manifestement contre la loi de nature&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de quelque manière qu' on la définisse&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;qu' un enfant commande à un vieillard&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;qu' un imbécile conduise un homme sage et qu' une poignée de gens regorge de superfluités&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tandis que la multitude affamée manque du nécessaire&lt;/span&gt;.» &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Referimo-nos, como é óbvio, ao seu enunciado de princípios, não a práticas que é uso classificar de mais ou menos democráticas. Isto mesmo transparece no texto deste &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manifesto&lt;/span&gt; , um pouco mais adiante.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interrogamo-nos também se, naquelas nações onde a democracia funciona com mais ou menos regularidade, não andaria tudo melhor sem ela. Cremos bem que sim, mas consideramos tal problema como uma questão que não diz respeito a quem, primordialmente, busca uma solução nacional.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, trad. de Maria Helena da Rocha Pereira, Fundação Calouste Gulbenkian, 8.ª ed., Liv. VIII.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Napoleão, esse génio administrativo mau e militar exterminador, teve talvez em Rousseau o seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;profeta &lt;/span&gt;sinistro. «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Il est encore en &lt;/span&gt;Europe, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;un pays capable de législation&lt;/span&gt; ; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;c' est l' île de Corse&lt;/span&gt;. (...). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;J' ai quelque pressentiment qu' un jour cette petite île étonnera l' Europe&lt;/span&gt;.» Aquele que alimentou, em grande dose, o pensamento revolucionário, que veio a explodir em 1789, prenunciava o advento do seu mais destro executante. Com Robespierre, Danton, Marat ou um dos raivosos, a Revolução Francesa não iria possivelmente além de umas crises frenéticas. Foi Napoleão, quem sagaz e persistentemente a cimentou. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Op.cit., &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;supra&lt;/span&gt;, nota 2, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Livre&lt;/span&gt; II, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;chapitre&lt;/span&gt; X). &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Portugal&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Contemporâneo&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, Livro Primeiro, cap. II, 3.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;D&lt;/em&gt;. &lt;span style="font-style: normal;"&gt;1.4.1.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Camilo Castelo Branco --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Bem e o Mal&lt;/span&gt; , VII. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;M. Menéndez-Pelayo --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Historia de los Heterodoxos Españoles&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Liv&lt;/span&gt;. VI, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;capítulo &lt;/span&gt;2, I: «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hoy es el día en que más se sienten los efectos de aquel régimen&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;que empezando por dar a Portugal un esplendor ficticio&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acabó por anularle sin remisión y convertirle en el país más "progresista" de la tierra&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;en el sentido grotesco que tirios y troianos damos en España a esta palabra&lt;/span&gt;. (...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Abatió al clero por odio a Roma y al catolicismo&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como quien había bebido las máximas de la impiedad en los libros de los enciclopedistas&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por cuyos elogios anhelaba y se desvivía.&lt;/span&gt;»&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;.&lt;span style="font-style: normal;"&gt;: «&lt;/span&gt;Pombal tenía la monomanía antijesuítica&lt;span style="font-style: normal;"&gt;; (...) &lt;/span&gt;murió en 1782&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;y los enciclopedistas le pusieron en las nubes "por haber librado a Portugal de los granaderos del fanatismo y de la intolerancia", frase de D' Alembert&lt;span style="font-style: normal;"&gt;.»&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oliveira Martins --- &lt;em&gt;História de Portugal&lt;/em&gt;, Livro Sexto, V: «O marquês de Pombal, representante eminente e audaz do naturalismo do século XVIII, aprendido nas missões de Inglaterra com D. Luís da Cunha, que decerto o educou (...).»&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mais insuspeito elogio das corporações talvez se encontre no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manifesto&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Comunista&lt;/span&gt;, quando, sobre os operários se lê isto: «(...) tentam recuperar pela força a posição perdida do artesão da Idade Média.» (Marx/Engels, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;op. cit&lt;/span&gt;., trad. de Manuel L. Martins, Publicações Nova Aurora, Lisboa, 1976, II). Ver também de Marx, sobre a acumulação primitiva, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Capital&lt;/span&gt;, trad. de António Dias Gomes, I, 7.ª ed., Delfos, 8.ª Secção, cap. XXVI - cap. XXVIII. É curioso analisar este trecho.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada há na doutrina da Igreja que proíba uma interpretação literal do Génesis. Sobre este ponto, leia-se a encíclica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Humani Generis&lt;/span&gt;, de Pio XII.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;S. Tomás de Aquino, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O.P.&lt;/span&gt; --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Summa Theologica&lt;/span&gt;, II-II, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;q&lt;/span&gt;. 42, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a&lt;/span&gt;. 2: « &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ad tertium dicendum quod regymen tyrannicum non est iustum&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quia non ordinatur ad bonum commune&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sed ad bonnum privatum regentis&lt;/span&gt; (...). &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Et ideo perturbatio huius regiminis non habet rationem seditionis&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nisi&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;forte&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quando sic inordinate perturbatur tyranni regimen quod multitudo subiecta maius detrimentum patitur ex perturbatione consequenti quam ex tyranni regimine.&lt;/span&gt;» Escute-se também Francisco Suárez, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;S.I&lt;/span&gt; . --- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Defensio Fidei&lt;/span&gt; III, I &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Principatus Politicus&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cap&lt;/span&gt;. III, 3: «(...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;si rex iustam suam potestatem in tyrannidem verteret&lt;/span&gt; (...) &lt;span style="font-style: italic;"&gt;posset populus naturali potestate ad se defendendum uti&lt;/span&gt; .»&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;De l' &lt;span style="font-style: normal;"&gt;&lt;/span&gt;Esprit des Lois&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;XI, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;IV et &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;VI.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Du Contrat Social&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;II, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;II.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;., &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Livre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;III, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;chapitre&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;I.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mt&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. 16,18.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apoc&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. 1,8; 21,6; 22,13. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-2881421189217075793?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/2881421189217075793/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=2881421189217075793' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2881421189217075793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/2881421189217075793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/08/manifesto-contrarrevolucionario.html' title='MANIFESTO CONTRARREVOLUCIONÁRIO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8329602809852998852</id><published>2009-06-09T06:05:00.010+01:00</published><updated>2012-01-25T08:15:03.278Z</updated><title type='text'>ULTRAMAR ANTES E DEPOIS DA TRAIÇÃO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na véspera de mais um &lt;em&gt;10 de Junho&lt;/em&gt;, entendo que não há melhor depoimento do que oferecer, aos que visitam este blogue, documentos de um tempo não muito distante e em que, pela última vez, Portugal mostrou a sua raça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De então para cá, tem sido a demissão constante de todos os valores que enobreciam a Pátria. Portugal, o fidalgo valente e austero de outras eras, cujo timbre era gravidade e honradez, é hoje um labroste petulante, borra-botas sem crédito, quase maltrapilho, gozando babado o favor de se arrastar servilmente pelas chancelarias internacionais, e apanhando ufano as migalhas lançadas por quem o espoliou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos méritos do Santo Condestável, Deus tenha piedade da Nação Fidelíssima e a reconduza ao seu trilho heróico!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.facebook.com/photo_comments.php?id=1772698734#!/photos.php?id=1772698734"&gt;http://www.facebook.com/photo_comments.php?id=1772698734#!/photos.php?id=1772698734&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;___________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;strong&gt;NOTA:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Composto o texto que acima se lê, eu esperava a todo o instante um documento muito apetecido que o Walter Ventura --- meu querido amigo e velho camarada de armas, herói de guerra dos de primeira plana --- me anunciara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Dificuldades informáticas, entretanto surgidas, impediram-no de me enviar logo o prometido. Por isso e à cautela, enquanto aguardava, decidi ir publicando o que era da minha autoria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Há pouco, foi o obstáculo removido. E como as palavras chegadas têm assinatura do Rodrigo Emílio, não podia haver recusa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;São precedidas de uma expressiva introdução de quem as enviou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;JMC&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Em nome (já não do MAP), mas dos combatentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, voltarei ao Restelo onde se realiza já não sei bem que cerimónia ligada aos Combatentes do Ultramar. Uns dizem que de homenagem aos que uma vez se "vestiram de soldados", como diria Rodrigo Emílio. Eu não iria lá por isso. Entendo nada me ser devido por ter tido a honra de cumprir um dever que então se impunha. Iria lá, talvez, homenagear os - os meus e todos os outros - que tombaram ao serviço da Pátria; os soldados "ao solo dados" (outra vez o Rodrigo!). Mas tais têm sido as tropelias que se têm vindo a acumular frente ao monumento dos Combatentes, ali mesmo à ilharga daquela Torre que evoca tempos de glória mas também de honra que já nem isso me resta.&lt;br /&gt;Assim, muito simplesmente, vou lá na certeza de encontrar um punhado de camaradas de campanha que me praz rever, ao menos de ano a ano.&lt;br /&gt;Da cerimónia em si mesma, não sei nem quero saber. Não sou só eu, diga-se em abono da verdade e já vi gente revoltada virar as costas à tribuna onde o orador contratado vociferava palavras que nos revoltavam. Foi o que aconteceu no ano passado com o discurso do prof. César das Neves.&lt;br /&gt;Já houve pior: até desertores por lá passaram... em anos que preferi ficar em casa.&lt;br /&gt;Este ano, dizem-me, o convidado de honra é o prof. Manuel António Garcia Braga da Cruz. Deve ser cruz minha mas o nome mexeu-me com as meninges e sacudiu-me o fígado. E, valha a verdade, é um nome ilustre... por parte do pai do orador e demais antepassados. Tanto que, nos idos de 70, raiava a florida "revolução" pelas ruas deste rectângulo que nos resta, o escolhemos para encabeçar um movimento que queríamos a negação da arruaça que por aí andava de cambulhada com uma traição como jamais varrera terra lusitana. O Prof. Braga da Cruz aceitou. O que depois se passou, melhor do que eu faria, aqui fica contado pelo Rodrigo Emílio (que muitos, hoje, gostam de citar mas poucos parecem ter o ânimo para lhe seguir as pasadas), num exerto de um texto seu, intitulado "Em nome do MAP", demasiado longo para caber neste blogue. Mas o que se segue é suficientemente esclarecedor.&lt;br /&gt;Resta-me agradecer ao meu velho amigo e camarada Joaquim Maria Cymbron a lhaneza com que me disponibilizou esta sua casa - a mim pobre "desblogado" - para este desabafo que, bem sei, pouco incomodará gente acomodada.&lt;br /&gt;Mas leiam e que vos preste.&lt;br /&gt;Aos meus velhos amigos de velhas campanhas, como diria o outro: "Até amanhã, camaradas"!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Walter Ventura&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;NARRATIVA COMPLETA DA CABALA CONTRA O M. A. P.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;(As linhas com que a mesma se coseu, num relato, pessoalíssimo, de Rodrigo Emílio)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Escrevo de um país livre. Quer isto dizer que estou finalmente em condições de reconduzir à luz da verdade um sem-número de afirmações caluniosas, postas a circular nos mais infectos órgãos dessa infecta Imprensa. Semelhante acervo de aleivosias reclama da minha parte a mais vigorosa contestação, porquanto envolve directamente o meu nome, brigando desde logo com a honradez do mesmo, e atenta, muito principalmente, contra os nomes (igualmente honrados, e sobremaneira honrosos) de alguns excelentes companheiros de ideário, que, a estas horas, se encontram discricionariamente encarcerados em Caxias, às ordens dos bandoleiros de Otelo/Cunhal/Gonçalves/Inácio &amp;amp; Cª.O depoimento que eu aqui passo a alinhar por escrito, bem poderia administrá-lo de viva voz, se porventura me tivesse deixado apresar pelos bandos de malfeitores armados que já mencionei. Não quis o acaso que eu, e mais uns tantos, fossemos elevados à (in)dignidade de prisioneiros dessa hedionda canalha de facínoras, que por aí age, a seu bel-prazer, e livremente se move, a coberto de um (des)governo de altíssima — traição, — quando não com o seu beneplácito, quando não com a sua cumplicidade, quando não com a sua instigação. E, se por um lado é certo que, em matéria de aprisionamento, penso, pessoalmente, o mesmo que pensava Afonso Lopes Vieira, quando lapidarmente observou, um belo dia, que&lt;br /&gt;“O poeta português, que não passar ao menos uma vez pelas prisões, não é digno aluno de Camões”,&lt;br /&gt;por outro lado, não é menos verdade que nunca gostei de ser tocado por mãos sujas, — só deplorando que tenham caído em poder delas muitos meus melhores camaradas. De toda a maneira, sei que estou exemplarmente representado por eles nas celas do segredo, para poder representá-los condignamente na liberdade do exílio. E só por tal motivo é que aceito passar pelo vexame — aliás, bastante improvável — de comparecer, aqui e agora, com este articulado, nas abjectas colunas do periodismo jornalístico d`antre Minho e Guadiana. Há quem diga que da calúnia sempre alguma coisa fica. Eu pretendo que da calúnia coisa alguma subsista, — pelo menos, desta feita. Concretamente. Vêm ao caso historiar a génese (e, sobretudo, precisar as finalidades) do chamado Movimento de Acção Portuguesa — M. A. P. —, que tão miseravelmente difamado veio a ser, em bases de clamorosa falta de verdade, e mediante a mais gratuita, a mais falsa e falsificadora campanha de pasquinadas que conceber se pode. Na sequência (e a pretexto) dos grotescos acontecimentos de 28 de Setembro de 1974 — com os quais o M. A. P. ainda em fase de estruturação, nada teve que ver —, logo uma diluviana bátega de atoardas, tudo o que há de mais inconsistente (como ao depois veio a verificar-se), desabou em peso sobre o Movimento. Animados pelos desígnios mais tortuosos, os mentores do bairro-da-lata do nosso jornalismo bem-pensante, sem mais perdas de tempo do mesmo assestam baterias sobre o M. A. P.; e vá de exporem os responsáveis, e restantes elementos do mesmo, à execração pública, imputando-lhes propósitos positivamente tenebrosos: e nada mais nada menos do que um duplo (ou um triplo) assassinato. A saber: a eliminação física de Spínola, a par da de um tal Gonçalves (segundos uns); a deste, e a de um Antunes (a crer na versão de outros); ou o extermínio, pura e simplesmente, de todos os três, logo ali, de uma assentada (conjectura formulada pelos mais ambiciosos analistas do caso). Em suma: um fartum de sangue… e três “deles p`ró galheiro!...”No detectivesco entender dos plumitivos, só uma coisa não dava lugar a quaisquer dúvidas: tamanha hediondez seria consumada a partir duma larga janela envidraçada, a qual janela apresentava (nem de propósito!) um fotogénico orifício, com vista para Gonçalve`s home, já se vê. O resto da operação facilmente se adivinha: pela brecha espreitaria uma espingarda (de mira telescópica e tudo, igualzinha à tal que, em Dallas, vitimou o Presidente Kennedy), e zás-pás, que por aqui me avio: pontaria certeira a dar em cheio no alvo; um homenzarrinho a entornar-se e a malhar redondo no meio do chão, abatido à queima-roupa por dois ou três tirázios… — e adeus, Gonçalves, que te foste à viola!Como se vê, tudo muito bem concertadinho! Tudo a bater certo… até aqui. Mas só até aqui. Porque, às duas por três, os dados da história alteram-se por completo, as coisas transformam-se de todo em todo, e a versão (tão meticulosamente urdida) deixa de ter ponta por onde se lhe pegue. Foi o caso que a janela incriminada, afinal de contas não pertencia tal às instalações do M. A. P.: pertencia, sim, ao inquilino do andar de cima — João Manuel Sousa (ou Cardoso?!)/Atelier, rezava a tabuleta que ele tinha aposta à ilharga da porta —, em casa do qual (logo por azar…) funcionava uma célula do Partido Comunista. De resto, foi o próprio locatário da mansão a que pertencia a janela difamada — ele mesmo, em pessoa — quem, primeiro que ninguém, pôs as coisas quase a claro, em entrevista concedida ao diário da tarde “A Capital”. Nas declarações que em boa hora prestou — et pour cause… — ao vespertino lisboeta, o proprietário da injuriadíssima janela (arquitecto de sua profissão, consoante ficámos a saber) deu por paus e por pedras que a sua vidraça estivesse implicada em qualquer atentado, alegando que não senhor, que se tratava de um equívoco fotográfico, que lá a sua janela desfrutou sempre de uma reputação inatacável, e que tudo o que ele mais encarecidamente implorava, era que lhe deixassem a pobre janela, a sua bem-amada janela, em paz e sossego. Mais adiantou — com geral surpresa dos setembristas mais cavilosos — que o intrigante buraco ostentado pela vidraça era coisa antiga, imemorial, muitíssimo mais idosa do que o M. A. P.. O que se chama um estilhaço já com barbas, um estilhaço de longa data… Acentuou, mais ainda, que o acesso à janela apedrejada estava humanamente vedado às hostes do M. A. P., a menos que estas se soerguessem do primeiro ao segundo piso e lhe entrassem marcialmente pela porta dentro, e assim, profanassem a intimidade da sua própria casa, — o que não era de todo em todo crível, a seu ver.De onde se segue que a eventualidade de alvejar Gonçalves dos aposentos políticos do M. A. P. era proeza, quanto a ele, impraticável, fosse de que ponto ou ângulo fosse, já que as instalações do Movimento não deitavam, de banda nenhuma, para os domínios residenciais do sobredito Gonçalves. Para atingir este, a tiro, não havia, realmente, como a casa do entrevistado, — que essa, sim: dava em cheio para (o Teatro Municipal de) de São Bento, e precisamente através da tal janela…, do alto da qual o sr. Gonçalves era, em verdade, figo no papo, à boca de toda e qualquer arma que o visasse com afinada pontaria, e se lhe desfechasse sobre a preclaríssima testa.Claro que não foi por muito nobres razões, nem foi tão-pouco pelos lindos olhos dos militantes do M. A. P. (todos eles, de resto, uns mal-encarados — na douta opinião do interlocutor d`”A Capital”), que o interpelado publicamente se apressou a render meio-tributo à verdade.O caso foi bem outro. Muito simplesmente, aconteceu que o arquitecto-vermelho-nosso-vizinho veio a ver-se praticamente compelido a falar quase-verdade, do ponto em que toda a cabala desencadeada contra o M. A. P. gravitava em torno de um equívoco, altamente comprometedor para o nosso homem: com efeito, o cavalo de batalha de toda a acção incriminatória, fomentada, à outrance, pelas grandes centrais da (des)informação, dizia respeito, preponderantemente, à estratégica janela, — cuja imagem, copiosamente difundida e propagada nos jornais, era tida e havida por estes à conta da dependência do M. A. P.. Porém, muito se engana quem mal cuida… A vidraça, ao cabo e ao resto, tinha tanto que ver com a sede do M. A. P. como o Movimento das Forças armadas… em forças com Forças Armadas autênticas!... Pertencia, sim, ao arquitecto: era irrefutavelmente sua, a janelinha… E contra isso, não havia a fazer nada, a não ser aquilo mesmo que ele fez: na impossibilidade de se libertar, como por encanto, da sua qualidade de dono e senhor da embaraçosa vidracinha, ei-lo que trata de atalhar, sem mais demora, ao curso da lenda negra do grande e horrível crime, — antes que semelhante balela viesse a assumir maiores proporções e incremento do que as já tinha tomado, e o envolvesse, assim, a ele, de forma irreparável, na tremebunda teia. Mas, não querendo ficar amarrado, unicamente, ao antipático e impopularíssimo papel de contraditor de inventonas que tanto jeitinho faziam ao Partido, daí o arquitecto e, num lampejo resgatador, arquitecta, logo ali, uma versão de alternativa, — quanto a ele, muito mais plausível: bem vistas as coisas, o décor do crime seria o telhado do próprio prédio. Só que esta hipótese de recurso, adiantada o que se chama em desespero de causa, está longe de ter, também ela, o condão de ilibar de implicações aquele que a formulou uma vez que os do M. A. P., para se alcandorarem à cobertura do prédio, teriam fatalmente de passar, ao que parece, por causa do Sousa (Cardoso, ou lá o que é…), e só daí poderiam içar-se à flor das telhas… Moral da história: pior que o soneto, terá sido a emenda!E assim ruiu por terra a engenhosa e formidanda maquinação tramada contra o M. A. P. pela Imprensa em peso. (Neste capítulo, cabe acentuar que, quando a entrevista em apreço veio a lume, já a campanha orquestrada, contra o Movimento, pelos principais órgãos de (des)informação, tinha atingido o paroxismo da distorsão e o auge do tremendismo sensacionalista. Como não podia deixar de ser, foi no “Expresso” que tudo começou a ganhar corpo: o presumido semanário do milionário Menelau Francisquinho Balsemão — com a petulante leviandade, a ligeireza de processos e aquele poder de especulação barata que lhe vêm sendo proverbiais — deu o mote para o motim, ao declarar a público, na página de rosto do número referente aos primeiros rescaldos do 28 de Setembro, uma empolgante sequência fotográfica, que se pretendia elaborada (a crer no teor da legenda respectiva) por não sei quantos peritos em balística. A ilação a tirar desse fio de imagens, alinhadas na contiguidade umas das outras, era só esta: Gonçalves, o soez, baquearia, com milimétrica precisão, exactamente entre o terceiro e quatro degraus da escadaria que conduz à sua casa oficial —, baleado, por um atirador especializado do Movimento de Acção Portuguesa, a partir da fenda da janela que se supunha ser do M. A. P… mas não era).Estes, os tópicos da calúnia, provincianamente brandidos — e pré-fabricados — pelo perversíssimo “Expresso”, e ao depois glosados até à exaustão, nas colunas confradescas da chamada grande Imprensa do rectângulo (designadamente: diários “ de Notícias”, “de Lisboa” e “Popular”, “Comércio do Porto” e “Sempre-Fixe”). No fundo, foi só uma questão de pegar na deixa, largada em primeira instância pelo “Expresso”, e vá de ver, então, o garotio jornalístico de Lisboa e Porto, a destilar infâmias e verrina, às catadupas, sobre o M. A. P., e mormente sobre os nomes visíveis do Movimento. Os impropérios choveram, um pouco de toda a parte, — assistindo-se a espectáculo sobremodo indecoroso.Durou cerca de oito dias a fio esse afã denegridor, desenvolvido à escala (des)informativa da Metrópole, através de inflamadas catilinárias, todas elas enfeitadas — a título pretensamente ilustrativo ou documental — com a imagem da invariável e vedetíssima janelinha, — que se alvitrou ser do M. A. P…. mas não era. (— Seguramente, nunca uma vidraça vulgar de Lineu “posou”, tão para profusamente, para os jornais!...) E o que é facto é que a empreendedora campanha só veio a abrandar, depois d`o Sousa “grenat” ter dito à “Capital aquilo que disse. Aliás, o teor — sumamente contrariante, e por demais concludente — da palinódia que produziu, acabou por dar lugar a pitorescos e muito discretos desmentidos, balbuciados o mais à contre-coeur que se pode imaginar… E assim, ocorreu que muitos dos periódicos estremenhos, que — impunemente, e a seu bel-talante — haviam de forjar tão delirante fábula, se viram, desde logo, na contingência (desagradabilíssima, valha a verdade) de dar o dito por não dito. Ainda assim, e a título de ressalva, tiveram o cuidado de decalcar, como bastante provável e perfeitamente exequível, a redentora conjectura do Sousa, segundo a qual: do telhado é que era… Quer dizer: pegara-lhe no alvitre e, sem mais aquelas, propalaram como certa a hipótese congeminada e aventada por ele. Não estiveram lá com meias medidas; e dando fé de um espírito de isenção muitíssimo bem doseado, trataram de insinuar — de forma extremamente canhestra, diga-se em abono da verdade… — que não era afinal de contas, da janela escaqueirada, e sim lá do alto do prédio, que os do M. A. P. se propunham ajustar contas em atraso com o famigerado Gonçalves, colocando-o no ponto de mira de uma carabina com alça telescópica, «modelo Dallas»…Quanto a esta, tão-pouco havia vestígios dela, em toda a sede do M. A. P.. De onde se segue que, tanto (des)governantes como periodistas, COPCÃOS como PC, milicianos da Marinha e/ou assassinos da LUAR — que é tudo, de resto, a mesma tropa fandanga…— andam, certamente, a sonhar com armas (e com armas de primeira grandeza, ou seja: quanto mais mortíferas, melhor!) — Eles lá sabem porquê… Nós também. Claro está que nem todos os chamados órgãos escritos(?) de comunicação(?) social se deram ao trabalhinho, ou tiveram a elementaríssima hombridade, de emendar a mão, — quanto mais não fosse, ao menos por especial deferência para com as declarações (algo clarificadoras) do camarada arquitecto… Foi o caso, por exemplo, d`um covil chamado “Diário de Lisboa”, que depois de se ter referido, com toda a voltagem do ódio, a “Um covil chamado M.A.P.” erguendo contra o Movimento o mais ignóbil arrazoado de insinuações e de injúrias de que tenho notícia, não se conformou com o facto de as ver cair da tripeça: e, longe de consentir que o chorrilho de mentiras debitado nas suas colunas cedesse o passo às meias-verdades que o Sousa (Cardoso, ou lá o que é…), entretanto, confiara à “Capital”, — vai daí e limita-se a quebrar o silêncio, um tanto comprometidido, a que prudentemente se remetera, com a publicação de uma carta (entre)aberta, por demais expressiva. Passemos, pois à cartinha, e vejamos qual a cartada que com ela pretendeu jogar a matulagem de delactores da Luz Soriano.Aparentemente, o signatário da missiva — de sua graça, Manuel António Garcia Braga da Cruz — sai a campo, e vem a terreiro, movido pelos mais nobres sentimentos filiais, quais sejam os de terçar armas em prol do bom nome do senhor seu pai, professor doutor Guilherme Braga da Cruz. No entender do impoluto rebento, a honorabilidade de Braga da Cruz (pai) estaria a ser abusivamente maculada por quantos se arrogaram o desplante de assacar, ao reputado catedrático de Coimbra, a dignidade de Presidente de Honra do negregado Movimento de Acção Portuguesa, atribuição essa que muito vivamente se contesta, agressivamente se refuta e categoricamente se desmente e repudia, no teor do documento epistolar a que temos o prazer de reportar-nos. — “Que amor de filho, este Manuel António!”, — hão-de ter comentado, seguramente, os mais incautos leitores da carta. Mas estavam eles muitíssimo enganados, se de tal sorte exclamaram: redondamente equivocados, quanto à pureza de intenções do carteante!... Porque, no fundo, o que o terá determinado a expender as considerações epistolares que revelou a público, não foi tanto o imperativo, a todos os títulos exemplar, de limpar o nome paterno de nódoas que este não tem, como de se limpar, a si próprio, do nome que herdou, e que ele transporta, penosamente, como quem arrasta um sudário… O impopular ferrete político que há várias gerações impende sobre esse ramo da família Braga da Cruz — clã tradicionalmente monárquico e nacionalista, como se sabe —, já de si dificulta e afecta, em muito, a posição dissidente que o jovem Manuel António à viva força pretende implantar no campo da batalha das ideias peculiares aos seus maiores.Logo, temos que: tudo o que concerne, publicamente, aos Braga da Cruz — e com maior força de razão, ao pai Guilherme — automaticamente se reflecte na vida política do moço, atingindo-o por tabela, como lindamente se compreende, — e, traumatizando, assim, toda a projecção que ele certamente visará fruir, como lidador de um ideário inteiramente contraposto ao da sua parentela mais chegada. Ora, ao ver o nome do pai intimamente associado aos da gente do M. A. P., e directamente envolvido, desde logo, na diabólicazinha tramóia que os vermelhos dos jornais (bandeados com as fardas terroristas do COPCÃO e com os bandos de bandidos da LUAR) armaram às hostes do Movimento, sob a bênção todo-poderosa do sicários comunistas enaipados no Governo, —eis que o nosso Manuel António rapa desabusadamente da caneta, e, por sua conta e risco, trata de salvaguardar-se, sem mais delongas, do opróbrio de se chamar Braga da Cruz. Para tanto, simula defender o pai, sem que este — ao que me consta —lhe tenha encomendado o sermão, ou passado procuração para tal. Até porque não é, propriamente, em defesa do pai (digo e repito), que Manuel António sai à estocada: defende-se, sim, a si mesmo, por bem perceber que tudo o que politicamente idealizou e sonhou para si, periga, muito seriamente, por via da incómoda filiação que o vincula, e a que está amarrado pelas leis implacáveis do sangue. Não protege o nome do pai: protege-se do nome do pai, acautelando, assim, a incidência nociva que os apelidos patronímicos podem vir a ter sobre ele, e sobre a carreira política que para si terá talhado. E daí que ele que se ponha a negar o inegável.Passando a explicar-me melhor, o caso é este: Braga da Cruz júnior, longe de trilhar — ideologicamente falando — as mesmas passadas paternas, milita, muito pelo contrário, nas fileiras do M. E. S. (Movimento de Esquerda Socialista), — e creio que está (quase) tudo dito, quanto aos inconvenientes, sem dúvida gravíssimos, de ostentar um nome que é um estigma cem-por-cento reaccionário. Demais a mais, a partir do momento em que Braga da Cruz (pai) foi tido e havido, à boca pequena, como Presidente de Honra de “um covil chamado M.A.P.”, que tramava “coisas do arco-da-velha”… Ora, a verdade é toda outra: se, por um lado, carece do mais elementar fundamento — como termos o ensejo de salientar adiante — que o Movimento de Acção Portuguesa fosse visto e achado em maquinações de morte-de-homem, por outro lado, não deixa de ser exacto que o Prof. Dr. Guilherme Braga da Cruz presidia, de facto, de direito, e a título honorífico, ao nosso Movimento. Ou seja: lá que era ele o Presidente de Honra do M. A. P., lá isso era, por muito que tal confranja o filho. De resto, posso atestar, pessoalmente, os termos inequívocos, e nobilíssimos, diga-se — com que Braga da Cruz deu o seu aval ao M. A. P.. Com efeito, estive presente, em carne e osso, à sessão de abordagem que nesse sentido lhe foi feita. E, já que o Manuel António — bem secundado, de resto, pelo indesculpável silêncio a que seu pai lhe votou a carta — quer obrigar-me a falar, — nesse caso relatarei como tudo se passou, tim-tim-por-tim-tim. A sorte daqueles de nós que a estas horas penam nos calabouços, repletos, da “democracia vermelha” instaurada a 25 de Abril, não se compadece com retraimentos mais ou menos encobridores, nem tão-pouco com omissões acobardadas, venham elas de quem vierem.Foi na sua casa de Coimbra que o prof. Dr. Guilherme Braga da Cruz nos recebeu, pela primeira vez. Batemos-lhe ao ferrolho numa noite de fins de Junho, e logo de entrada lhe dissemos ao que vínhamos: concitá-lo a aderir ao M. A. P.. Que o M. A. P., fundamentalmente, era um núcleo de inteligências e vontades, indefectivelmente aferradas a um código de honra puramente nacional. Mais lhe fizemos saber que os quadros de recrutamento do M. A. P. se baseavam em gente norteada, única e exclusivamente, por um alto sentido de fidelidade a valores e princípios de sempre, e por toda uma força de convicções, que o desastre — militar, histórico, político, social e económico — do 25 de Abril), não tivera o condão de abalar, no que quer que fosse. Que não nos empolgavam veleidades eleitoralistas, nem tão-pouco nos seduziam as manobras tacticistas, a que muitas direitas — subitamente envergonhadas de o serem — desde logo se entregaram, alardeando uma esperteza bastante saloia, valha a verdade, e sem que daí lhes adviesse, ao cabo e ao resto, qualquer parcela de honra, ou proveito de maior, como ao depois veio a ver-se… Reforçando, mais ainda, a posição, inequivocamente frontal, que o M. A. P. se propunha cravar a prumo, e implantar como sua, no concerto de indignidades e oportunismos a que um pouco por toda a parte se assistia, — inteirámos o Prof. Braga da Cruz de que a nossa intransigência não conheceria tréguas nem limites, e que surgiríamos inteiramente a descoberto, dispostos a agir, e a reagir, por pensamentos, palavras e obras à prova de quaisquer subterfúgios calculistas. Que não lisonjearíamos, fosse como fosse, quem quer (ou o que quer) que estivesse ligado, de algum modo, à pirosa revolução dos cravos vermelhos (já então, conhecida, também, por Revolução do Mau-Hálito). E que às vénias rasgadas, que muito boa gente ia fazendo à Junta de Perdição Nacional — e a idênticos comandos d`alta traição —, responderia o M. A. P. com os veementes exorcismos e manguitos que a circunstância impunha. Também logo ali demos conhecimento, ao nosso futuro Presidente de Honra, do propósito de nos colocarmos, de antemão, fora de toda a “farsa democrática”, por variadíssimas razões pormos e, mormente, por acharmos de mau-gosto — pelo menos, de muito mau gosto — a perspectiva de nos pormos, também nós, a jogar xadrez, ao tempo em que Damasco ardia. Integristas em matéria de fé, integralistas em ordem à doutrina, integracionistas quanto a Ultramar, — como tal nós nos perfilávamos no grotesco décor político que a todos se oferecia presenciar. Tocados pela mola-real do arrivismo, outros, que não nós, se deixariam atrair pela corrida às pastas ministeriais, e mais coisitas assim… Nós, os do M. A. P., singularizar-nos-íamos no domínio, apenas, das motivações cem-por-cento nacionais, posto que só o destino histórico da Nação Portuguesa, e absolutamente mais nadinha, nos sensibilizava a valer. De comum acordo, decidimos que havia que proceder, para tanto, a um levantamento de nomes de personalidades, o mais puro possível, e que constituí-los, depois, em Comissão de Honra que pontificasse nas mais altas esferas hierárquicas do M.A.P., e que exemplarmente presidisse, assim, aos supremos destinos do Movimento. Porque, também neste particular, nós fizemos questão de agir muitíssimo ao invés dos outros, que, lançados, também eles, à cata de bênçãos avalizadoras, sempre se ativeram, e se circunscreveram, para o efeito, a um acanhado lote de homens públicos, - sempre os mesmos de sempre, e de todos eles de reputação por demais esclerosada. Quer dizer: o que mais havia, era quem gravitasse no círculo vicioso, e extremamente estreito, de uma classe política viciada. Mas nanja o M.A.P.; e por isso mesmo é que ali estávamos: ali, e não alhures. E que tudo o que o M.A.P., em síntese, se propunha, era deixar lavrado um vigoroso protesto nas actas, digamos, da alta-traição, que com todo o descaro se consumava, dentro do maior desaforo e na mais clamorosa impunidade. E era desse protesto que nós nos fazíamos portadores. Ali lho levávamos, pois, por escrito, e sob a forma de decálogo programático do Movimento, para que o sr. prof. Braga da Cruz fizesse o favor de o passar a ler, e dissesse, depois, de sua justiça.Ainda manuscrito de fresco, o papel tombou sob os olhos do catedrático, e em suas mãos se deteve, por largos e atentos minutos de leitura e ponderação, após o que o nosso anfitrião se pronunciou, declarando que sim, senhores: que dava o seu pleno assentimento a todos os pontos do nosso programa. Inclusivamente, revelou que já dois agrupamentos políticos, antes de nós, ali tinham feito deslocar os respectivos representantes, também à conquista de uma adesão, - no que foram, de resto, mal sucedidos (esclareceu o Professor), uma vez que qualquer dos grupos solicitantes não reunia, a seu ver, as duas condições necessárias e suficientes para obterem dele o almejado beneplácito. A saber: uns e outros já, entretanto, tinham cometido a ignomínia, quanto a ele e quanto a nós inqualificável, de tirar “aos da Junta” a deferente chapelada da praxe (“atitude que me contende com os nervos” – comentou o velho Professor – “e que desde logo arreda, da minha parte, toda e qualquer hipótese de apadrinhamento ou de avalização partidária); acresce, por outro lado” – precisou, de caminho, Braga da Cruz – “, que mesmo em termos de ideário de combate, ambos os grupos me deixavam muito a desejar”. E daí que os não tivesse afiançado.Connosco, porém, já outro galo cantava, dado que não só não tínhamos incorrido na abjecção de render preito de vassalagem aos mais altos quadros – por assim dizer, à cúpula mesmo – da traição (…e jamais o fizemos ou faríamos por não estar isso na massa do sangue…), como o que é facto é que o teor da nossa linha de pensamento em acção afinava, a cem-por-cento – no dizer do conceituado professor -, pelo diapasão da sua óptica ideológica.E tão corajosos, e tão inequívocos, foram os termos com que Braga da Cruz logo ali autenticou a sua inteira vinculação ao M.A.P., que um dos presentes não se teve que não tratasse, espontaneamente, de o convidar a aceitar a Presidência de Honra do Movimento. E o caso é que, entre rogado e visivelmente comovido, o Professor lá anuiu de pronto ao convite que lhe fora formulado, dispondo-se a assumir a mais alta presidência do nosso Movimento, “mas a título predominantemente honorífico” – observou ele -, dado que se encontrava assoberbado de trabalho e entregue a inadiáveis tarefas de investigação e de erudição universitária, sendo assim de aduzir que lhe escasseava tempo disponível para poder desenvolver, no âmbito do M.A.P., qualquer actividade partidária propriamente dita, qualquer acção ou actuação partidárias dignas desse nome. Admitiu, quando muito, a viabilidade de comparecer, em carne e osso, num ou noutro comício, numa ou noutra sessão pública, que porventura levássemos a efeito. Em contrapartida, não deixou de sublinhar – e bem frisantemente – que o nome dele ficava, daí em diante, à nossa mercê, e que fizéssemos do seu nome, se tal nos fosse de alguma utilidade, o uso que muito bem entendêssemos.De onde se segue que não houve, assim, da nossa parte, a mínima “tentativa de instrumentalização (…) do nome” de Braga da Cruz (pai), como quer fazer Braga da Cruz (filho), na carta miseravelmente falseadora que o Diário de Lisboa tornou pública. Foi ao abrigo da autorização que, para esse efeito, nos deu o próprio catedrático, que nós, por mais de uma vez, invocámos o seu nome. Mas em circunstância nenhuma o invocámos em vão: disso pode estar ciente o prof. Braga da Cruz. E eu sei que está.Até porque não faltou quem – ingloriamente, aliás – desde logo tentasse demover o velho Mestre de Coimbra do apalavramento que nos dera, e que ele viria a reiterar, em diversas ocasiões, sempre de forma incontroversa e de molde a não deixar margem a quaisquer dúvidas.Entre os emissários, os enviados especiais (não sei de quem), que não sei quem destacou para terras do Mondego, e que em casa de Braga da Cruz mui pressurosamente se apresentaram, a impingir-lhe outra mercadoria político-partidária, que não o M.A.P. (tido e havido – por esses, e por outros que tais – à conta de pouco recomendável e de muito mal-afamado…), - avultam dois videirinhos de alta-escola, e acaso, os mais conceituados de todos os ineptos. Seus nomes. Mário Júlio de Almeida Costa e José Augusto Rebelo da Conceição.Mas não tiveram sombra de sucesso, junto do nosso Presidente de Honra, essas – e outras – manobras de dissuasão, manipuladas do escuro… sabe-se lá porquê e por quem!... Pessoalmente, sei, de ciência certa, que o Professor Braga da Cruz, ouvidos os dois abelhudos, arrumou de vez a questão, dizendo-lhes, muito cortesmente, que não podia aceder às propostas deles, uma vez que se comprometera connosco, conscientemente (“Comprometi-me com os rapazes, e em plena consciência o fiz” – foi a expressão do Professor), e que não via (que não havia) motivo algum para voltar com a palavra atrás. “Sou homem de uma só palavra, e como tal, incapaz de dar o dito por não dito”- acentuou.Já agora, resta acrescentar que foi, expressamente, por vontade de Braga da Cruz – desejo manifestado por ele, à data da vergonhosa entrega da Guiné aos facínoras do PAIGC – que nós, acatadoramente, e por inteiro concordantes, tratámos de dar, ao ponto primeiro do nosso programa, uma redacção algo diferente da versão original. Do renovado teor dessa cláusula lhe demos conhecimento, por via telefónica; e foi sobre a sua aprovadora ratificação – cumulada, aliás, com um fervoroso e encarecido e acicatante incitamento a que fizéssemos sair, quanto antes, o nosso manifesto partidário -, que enviámos o mesmo para a tipografia, e o pusemos a imprimir.Depois disto, pergunto eu: é, ou não é, de considerar imperdoável – e por demais condenável – o silêncio de Braga da Cruz (pai) perante a ignóbil carta do filho?!... A mim, quer-me parecer que estamos em presença de uma atitude nada abonatória do amor da Verdade, do espírito de isenção, da verticalidade moral que eu julgava timbre do velho Professor…Revertendo, ainda, à odiosa cartinha do menino Manuel António, é de morrer a rir que, em dado passo da mesma, se mimoseie o M.A.P. com o epíteto de “agrupamento subversivo”. – Vinda de quem vem, a qualificação é de gargalhada… e estridente. E tanto mais estridente, quanto é certo que, de agrupamentos subversivos propriamente ditos, está Portugal a abarrotar, está Portugal cheiinho e atulhado: a começar na pandilha (desgovernativa) e a acabar no Movimento das Cabeças Armadas, passando (está claro) pela Esquerda Socialista, - a ementa da subversão dá para todos os paladares…Já no declínio da carta, os do M.A.P vêem-se ainda apodados como “grupo de aventureiros sem escrúpulos”. Ora, devo dizer ao signatário, para seu governo, que, quanto a isso, de aventureiros sem escrúpulos, os que há estão no Poder: mormente em Lisboa, em Bissau, em Luanda e em Lourenço Marques.E temos conversado.Com base no que aí fica exposto, creio, assim, não poderem subsistir mais suspeitas, quanto aos desígnios prosseguidos por todos aqueles que se encontravam alistados no MOVIMENTO DE ACÇÃO PORTUGUESA. Fazer inflectir o rumo trágico dos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril, - era isso, o que a gente do M.A.P. se propunha: isso, e não propriamente matar fosse quem fosse. Até por termos plena consciência de que já não havia (nem há) punição suficientemente punitiva para os fautores de tanta traição e cobardia juntas…Hoje em dia, já não é preciso ser lince, para ver o 25 de Abril – a par de um bluff militar muito bem sucedido – foi uma jornada de rematados traidores à Pátria: isso está à vista de todos, ainda mesmo dos mais míopes… A sensação de rua, que me foi dado experimentar e trazer para casa nesse dia, depois de percorridos, um por um, e observados in loco, todos os pontos nevrálgicos que as Forças Armadas (melhor dizendo: que as Forças… “a armar”) iam criando por Lisboa fora, claramente pastoreadas pelo Partido Comunista; essa sensação, mediante a qual intuí logo, que se estava no limiar da derrocada nacional, - nada tinha de enganador. Infelizmente, correspondia em cheio à calamitosa realidade dos factos! Os dias que se seguiram foram, a esse respeito, bem reveladores da pestilenta estrumeira humana e das vagas de esterco moral que, acto contínuo ganharam de assalto a capital, propagando-se, depois, ao continente inteiro, numa assoladora e devastadora enchente de malefícios, que alastrou, enfim, à maré-alta, por todo o espaço português. Desgraçadamente, a minha capacidade de resistência (ou de habituação) ao nojo é por demais limitada, para que possa relatar fielmente o que foram esses dias latrinários… E o caso é que o vazadouro continua: em matéria de entulho social, dir-se-ia que o esgoto da Nação é inesgotável. – Que de lixeiras incubava, em seus esconsos, esse País desventurado que foi meu!...Cá por mim, dou em sustentar que as responsabilidade de primeiro grau, em toda a tragédia sem nome que se abateu sobre a flagelada Terra Portuguesa, há que assacá-las, muito especialmente, a esse general-fracasso que dá pelo nome de António de Spínola. Começa logo, porque o viveiro da traição foi a Guiné. Mais: o detonador da traição foi um livro de Spínola. Mais ainda: a vedeta da traição foi o mesmo Spínola. Foi Spínola – sempre ele – quem, inclusivamente, descerrou fronteiras ao invasor, e abriu, oficialmente, todas as comportas à subversão, ao consentir na legalização da canalha vermelha, a qual saltou de pronto para a garupa do MFA (e, ou redondamente me engano, ou já de lá não desmonta tão cedo…)Na plenitude da sua prosápia e da sua patológica insensatez, esse palhaçote trágico fardado de general desencadeou um processo vertiginoso de aniquilamento nacional (e até mesmo pessoal) que nunca mais foi capaz de controlar e em que não mais teve mão. Canhestro e acéfalo, António de Spínola incorreu e laborou no erro crasso de apelar demagogicamente para a sarjeta nacional, logo desde as primeiras horas, em vez de erguer bem alto a sua de militar em louvor de meia-dúzia de virtudes cardiais. Preferiu lisonjear os mais baixos instintos do Povo Português, e a sarjeta, está bem de ver, desbordou inundadoramente, arrastando-o, também a ele, na voragem, ao cabo de cinco meses de indecente e má-figura à frente dos destinos da Nação.Sem honra nem qualquer ponta de proveito (e antes com as mais irreparáveis consequências para o país), Spínola averbou, assim, mais um fracasso, a juntar ao seu já sortido pecúlio de misérias. (Recorde-se, a propósito, o desastre de Conackry; a culpabilidade, que sem dúvida lhe assiste, na morte do tenente-coronel Pereira da Silva e dos majores Passos Ramos e Magalhães Osório, barbaramente sacrificados, todos três, aos caprichos demagógicos de Spínola; o espectacular insucesso a que ele viu votadas as manobras que intentou levar a cabo, de parceria com o ex-Primeiro-Ministro Palma Carlos; as ultrapassagens constantes que sofreu, aquando do colapso do Primeiro Governo Provisório, e ao longo de toda a crise que precedeu a formação do segundo Gabinete; para já não falar, sequer, da colecção de malogros em série, na condução da chamada política de descolonização(1), ou do grau de pusilanimidade, que ele deixou transparecer, à evidência, quando foi do 28 de Setembro. Etc.,… etc.,… etc.,…)Como se vê, uma folha de serviços que é um sudário!...E o que é mais espantoso é que, mesmo agora, não falta, ainda assim, muito quem sustente que o discurso em que Spínola renunciou oficialmente ao seu (ilegítimo) mandato de Presidente da República, o redime, automaticamente, de tido o que de monstruoso se fez, à sombra da farda profanada, da farda sacrílega, que ele enverga!... Cá por mim, não distingo Spínola dos outros, porque não distingo entre traidores e traidores. E Spínola não é senão o que se chama um acabadíssimo traidor: aceito que se trate de um traidor traído – em Portugal, vai havendo um pouco de tudo, é bom que se note; inclusive, a existência de um bom número de traidores traídos, já a estas horas é fenómeno insofismável que convém assinalar -. Ora, Spínola traiu, primeiramente, tudo e todos; traiu-se, depois, a si mesmo; e, por fim, foi traído: lindamente traído, diga-se de passagem.Pois bem. A meu ver, António de Spínola só poderá considerar-se resgatado de quantas enormidades praticou (ou deixou praticar), a partir do momento em que devolva – em que restitua – Portugal a Portugal, recobrando para o retalhado Corpo da Pátria tôdolos territórios esbulhados, ou em vias de presúria, e reimplantando, na Metrópole, pelo menos a ordem que por lá vigorava, à data em que Sua Excelência fez a sua caricata aparição na cena política portuguesa.Não é resignando, comodamente, a um mandato presidencial a que nunca teve jus; não é arreando com o fardo de uma Nação, cuja consistência histórica – antiga de 8 séculos, bem contados… - ele próprio ajudou a despedaçar, em cerca de 5 meses; não é debitando (demais a mais, tarde e a más horas) desgostosas razões de queixa, quanto aos logros e manobras de envolvimento e de entorpecimento, as mais tortuosas, em que tolamente se deixou cair, fazendo com que a Nação em peso – por um fenómeno, digamos assim, de tracção… - resvalasse, também Ela, pelas ruas da amargura; não é, em suma, com palavras – ainda por cima, tardiamente pronunciadas, digo e repito -, que um chefe político, e muito menos um chefe que se pretende militar, entra na via da remissão, mormente depois de ter dado origem a toda uma catástrofe histórica de extensíssimas dimensões.É com actos de afirmação, e não, nunca, jamais com palavras de renúncia – e de renúncia a um posto político, em que ele, para além de tudo, não era visto nem achado – que um líder que se preze de o ser, que um oficial-general digno desse nome, age (e reage) em situações extremas. De facto, não lembra ao mais pintado, que os militares – como vai sendo comum de se ver em Portugal, nos dias que correm – desatem a exprimir-se, não pelas armas, mas em livros: em livros pré-primários (que outros lhes escrevem, bem entendido…) Ora, a tristíssima verdade é que está sendo apanágio dos militares portugueses – quase todos, de resto, uns fraca-letras – administrar coragem por via oral ou escrita; exporem-se pelas armas, e jogarem a vida numa cartada heróica, isso nunca: de maneira nenhuma! O amorzinho que têm à pele, não conhece limites.- Bravos estilistas! Bravos oradores! Mimosos militares!...Focando, concretamente, o caso singular desse Marchueta(2) fardado que é o general Spínola, ocorre perguntar: - que ponderosas e poderosas razões o terão levado a denunciar, publicamente, só em 30 de Setembro de 1974, toda a sorte de atropelos e de iniquidades, de que deveria ter dado fé, e feito constância, incomparavelmente mais cedo?!Spínola dirige-se à Nação com três meses de atraso, pelo menos. Tivesse ele tido a coragem de trazer ao conhecimento do país real, em devido tempo e a horas certas, esse sem-número de desvios que cedo se principiaram a cometer e a urdir nos bastidores do Poder, mormente quanto aos pontos vitais da política ultramarina, - e já as Províncias Portuguesas da Guiné e de Moçambique não seriam, seguramente, os feudos, que hoje são, de execráveis quadrilhas de bandoleiros!...Assim, toda a intrínseca cobardia de Spínola reside no facto de não ter atalhado, a tempo e horas, à traiçoeira confabulação dos entreguistas.Tivesse ele cortado o mal pela raiz, logo à nascença – isto é, à data em que a Guiné foi unilateralmente posta em hasta pública -; tivesse ele tido a hombridade de prevenir e de precatar a Nação – quando ainda era tempo – dos torpes e torvos desígnios de uns tantos obstinados traidores à Pátria, - e já a Guiné não teria sido teatro de uma independência – ou por outra: de uma dependência – imposta, à má-cara, à viva força, o que se chama a todo o transe, à vontade das populações, as quais só a poder de sangue se deram por vencidas no seu desejo de permanecerem portuguesas: cinco mil e tal guinéus já, a estas horas, pagaram com a vida o seu tributo de inteira fidelidade à bandeira nacional. Violentados nas suas mais íntimas aspirações patrióticas, somente se renderam, depois de mandados desarmar às ordens do spinolista Fabião, que em seguida os deixou, indefesos, à mercê do PAIGC. E a chacina e a sangueira (particularmente, entre os lealíssimos fulas) não se fizeram esperar, perante a passividade, a complacência e a total contemporização, e cumplicidade, do patibular Fabião – “homem de grande sensibilidade poética”, no dizer de Otelo, “o irreversível” – !...E foi assim que a Guiné Portuguesa (que passava por ser, e bem devia ter sido, a grande comenda de honra do general Spínola) se constituiu, daí em diante, na ominiosa vergonha da sua ligeireza de processos, da sua leviandade de escrúpulos, da sua criminosa incúria, da sua teatral responsabilidade!...Em tudo idêntico, reeditou-se em Moçambique o mesmíssimo fenómeno da entrega e do abandono da Província às hordas do terror, sem que o mutismo acobardado do general-fantoche se quebrasse, ainda mesmo quando todas as etnias da população, ombro a ombro com os europeus lá radicados, heroicamente se sublevaram, a 7 de Setembro de 1974, numa avassaladora demonstração de unidade lusíada, a que os vendidos – os vendilhões – de Lisboa (bem secundados, de resto, pelas fardas da traição estacionadas na Província) acabaram por pôr cobro, decretando o mais hediondo dos massacres. O número de vítimas – pertencentes, repito, a todas as raças e a tôdolos credos – foi da ordem dos quatro milhares. E Spínola, impávido e sereno: mudo e quedo qual penedo diante de outro penedo!... E o 25 de Abril, “ainda então a botar figura de revolução pacífica, levada a efeito, e consolidada, sem derramamento de ponta de sangue!...Até que sobrevém o 28 de Setembro. E mais uma vez, como era de prever, António de Spínola deu de si, dando inteiramente de barato com a oportunidade, única e sem-par – a última, por sinal, que teve à mão – de chamar a si poderes que nunca conheceu, não tanto porque não pôde, como porque jamais soube agarrá-los; e era imperioso que ele os tivesse agarrado o que se chama às mãos ambas, o que se chama pelos cabelos, quando foi tempo disso. O mal é que Spínola, só em desespero de causa, só em última instância, só in extremis, deu em apelar para a tal maioria silenciosa, - que ele próprio, de resto, ajudara a silenciar, desde as primeiríssimas horas da revoluçãozeca de Abril, ao dar o seu implícito agrément a toda a enxurrada de aleivosias e abusos, de malfeitorias e prevaricações, que publicamente se expandiram a Portugal inteiro.Um tanto à contre-coeur, e por demais vexada – como é natural, dado que se tratava, para todos os efeitos, de apoiar um traidor, com graves culpas no cartório, quanto à situação que se criara -, a tal maioria dispôs-se, ainda assim e apesar de tudo, a responder à convocatória, a corresponder, em massa, ao repto do general, e a acorrer sobre Lisboa para o aclamar – imagine-se: para aclamar semelhante bonzo! –. (E aqui, vem à colacção acentuar, à laia de mero comentário, que, por estas e por outras, e em face de tanto dislate e de tanto disparate pegado, já então se tornava impossível em Portugal fora de um manicómio!...)Quanto à maioria silenciosa, se silenciosa andava, silenciada ficou: uma vez, António de Spínola deixou que se gorasse um excelentíssimo ensejo de tomar para si alguma força, deitando tudo a perder. Como de costume…- Inditosa pátria que tal filho teve!...Sendo, por natureza, incuravelmente tíbio e desastrado, e como tal, vulnerável a toda a espécie de chantagens mais ou menos ameaçadoras e intimidatórias, - o caricatural general, ainda uma vez, foi presa fácil dos burlões, que em má hora, ele próprio elevou à dignidade de membros de Governo; e bastou que eles lhe acenassem com a eventualidade de se registar uma confrontação, mais ou menos violenta e sangrenta no decurso da manifestação da maioria silenciosa, para que Spínola desatasse a tiritar de coragem, declarando interdita a concentração popular e abdicando, logo após, de todas as suas (mais que ilícitas) prerrogativas de chefe de Estado.Espírito muito mais impressionável, pelos vistos, à ideia de um banhito de sangue na Metrópole Lusitana do que a todas as atrocidades que iam tendo por cenário a Guiné e Moçambique, - António de Spínola lá acabou por soçobrar aos ardis da chantagem, a pretexto de vislumbrar um poucochinho de sangue nas infectas ruas de Lisboa… - Sinceramente, não atino com os reais motivos de semelhante fobia (quanto ao sangue que pudesse vir a verter-se na capital…), já não é de descurar, inclusive, o papel altamente profiláctico que o sangue tem desempenhado na História Política dos Povos. E atrevo-me, assim, a indagar: para que anda Spínola, no fim de contas, a poupar sangue, no que concerne, exclusivamente, à Metrópole, sublinhe-se, - se é certo e sabido que, mais cedo ou mais tarde (e quanto mais tarde, pior será…), tudo há-de acabar, pela certa, numa sangueira inenarrável, - em Lisboa como em Bissau ou como em Luanda, em Lourenço Marques tal como no Porto ou como na Beira?!...Lá que Spínola haja prescindido da magistratura presidencial que ninguém, de direito, lhe outorgara, declinando o mandato respectivo, - ainda vá que não vá, e até foi bonito de se ver. Mas lá que ele, do mesmo passo, tenha renunciado (por omissão voluntária) à sua qualidade de cabo-de-guerra – que tão à viva força estima ser -, escusando-se, desse modo, à grandessíssima maçada de declarar abertas as hostilidades entre as forças vivas da Nação e a anti-Nação; lá que lhe tenha falecido estaleca para se arvorar em líder militar, e assim, concitar a que o seguissem todos aqueles que entrevêem, num golpe de força ou na guerra civil, a única via de salvação nacional ainda em aberto: - lá isso é inadmissível! E bem vistas as coisas, teria sido essa, igualmente, a única atitude susceptível de o resgatar, também a ele, de tanta e tanta vilania! – A verdade, porém – a grande verdade -, é que sua excelência, o general Spínola, não é muito dado a actos de coragem, ou coisa que com isso se assemelhe. Para servir de estrela ao 25 de Abril, esteve ele inteiramente pelos ajustes, e como tal foi sendo usado; mas nunca lhe passou pela cabeça – ainda mesmo depois de ter sido enxotado do “poleiro” – a ideia de pôr em marcha um movimento de sinal contrário, que colocasse as coisas no são, metesse o País nos eixos e proporcionasse uma batida a todos os traidores (Spínola não incluído). Simplesmente, acontece que proezas destas, façanhas assim, não são lá com ele… Para aí é que ele não está positivamente virado!...- E é isto, um general?- Eu chamo a isto, um “cepo”.E, já agora, querem saber quem é que pontificava – designado, para o efeito, pelo próprio general – na Casa Militar da República, enquanto Spínola morou em Belém?...- Pois nada mais nada menos do que um comunista de longa data: o tenente-coronel (ou lá o que é…) Robin de Andrade!A muitos, poderá parecer que é uma deselegância, da minha parte, a forma virulenta, e mesmo desapiedada, como eu traço aqui o perfil de Spínola, - mormente agora que ele caiu em desgraça. Mas não vá sem resposta quem tais coisas pense do meu procedimento: de facto, a ordem de grandeza das responsabilidades, que tocam, bem de perto, ao general, no aluimento de Portugal, afigura-se-me tamanha, - que, afinal de contas, não lhe dou senão o tratamento de choque que me merecem sempre aqueles que eu tenho na conta de altos e refinadíssimos traidores. Sinto-me, de resto, extremamente à vontade para o desencar sem comiseração, mesmo a estas horas; e isto, porque bem cedo lhe adivinhei a traição, e cedo o zurzi, publicamente, em crónica aparecida na revista “Gil Vicente”, oito depois do 25 de Abril…E chega de Spínola!Quanto à pessoa daquele que lhe sucedeu na chefia do Estado (o general Costa Gomes), bastará dizer que, em matéria de traições à Pátria, é bem o que se chama um veterano: tem estado em todas! E quanto mais trai, mais avulta!...Igualmente de vulto, é o caso de Otelo Saraiva de Carvalho: Otelo e maila sua paranóia de terceira; Otelo-o-bronco, Otelo-o-patego, Otelo-o-labroste, Otelo-o-etílico, Otelo-o-lapuz, Otelo-o-piroso-de-meia-tijela, Oteço-o-tal que era agente da SOTERRA e capitão em part-time, mas que é hoje brigadeiro de geração espontânea; Otelo-o-grande-labrego; Otelo-o-fala-barato, que sobre quase tôdolos temas discreteia, sem saber nada de nada, sem saber nada de tudo, alardeando o seu enciclopédico analfabetismo; Otelo-o-dandy-de-Oeiras, o gentleman-da-Reboleira, o-pipi-de-Santo-Amaro, o-super-galã-de-Algés, superstar-da-Outra-Banda…Otelo: um caso clínico!Mas de casos clínicos e de casos de polícia está repleto o actual (des)governo de Lisboa. Analisá-los, um por um, não pagaria a pena. Não paga a pena gastar latim com tão ruins defuntos.Vai alta a hora da plebe: - toca a fartar, vilanagem!...E é tudo, senhores.Ao menos por agora, tenho dito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Rodrigo Emílio&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Notas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E a propósito de “descolonização”: - para quando a descolonização da Metrópole Lusitana?!...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tonto inútil” do regime caetanista.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;RE&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8329602809852998852?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8329602809852998852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8329602809852998852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8329602809852998852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8329602809852998852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/06/ultramar-antes-e-depois-da-traicao-to.html' title='ULTRAMAR ANTES E DEPOIS DA TRAIÇÃO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-6480895576312822859</id><published>2009-05-24T23:24:00.014+01:00</published><updated>2009-09-27T23:04:46.243+01:00</updated><title type='text'>PORTUGAL À DERIVA</title><content type='html'>&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Desonra, miséria e dor, eis o quadro de Portugal. E lembrando um dos mais conhecidos sonetos de Camões, eu direi que a miséria e a dor sobejam já que bastava somente a desonra para a perdição de um povo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Portugal foi e terá de voltar a ser uma nação sacrossanta, merecedora de toda a reverência pela missão que ainda não completou, missão excelsa, missão que constitui a sua razão de ser, missão que não pode falhar. Hoje, anda perdido porque, há uma trintena de anos, o desviaram brutalmente do seu rumo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem são os agentes de tão vil atentado? --- Não perderei tempo a mencioná-los porque os autores materiais são do conhecimento público: homens despudorados, gente sem pundonor e sem brio, vendilhões da Pátria, concussionários de uma nação inteira, energúmenos a quem o seu democratismo (ou talvez por causa dele) não impede que se entretenham «(...) no ofício novo / a despir e roubar o pobre povo!» (1).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Passo, pois, por alto o nome de quem não carece de apresentação. Como responsável destes factos, poderia ainda apontar o povo, enquanto não sofre, como vassalo, as prepotências e desmandos de um estranho soberano que é ele próprio. Esta é a construção da democracia. Mas eu, como continuo a sentir uma repugnância invencível pelo absurdo, e não deixo de considerar que o sufrágio universal é um manto de completa inimputabilidade a cobrir os eleitos das urnas, não lhe concedo foros devidos a pessoa humana capaz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Onde se encontram, então, os outros culpados? --- Em cada um que com o seu silêncio timorato, um vago receio das consequências, os respeitos humanos, o pavor de quebrar a confortável cadeira de um quotidiano sem sobressaltos, em suma, com a sua cobardia, assiste, inerte, à consumação da tragédia e se torna, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;ipso facto&lt;/span&gt;, cúmplice de um repugnante crime de lesa-pátria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Perante este quadro, é difícil dizer que mais nos há-de espantar: se a malícia de uns ou a complacência dos outros; se os instintos destruidores daqueles ou a passividade dos últimos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quisera eu que este fosse um apontamento breve e vou esforçar-me por o conseguir. Não se pode, todavia, falar sobre Portugal e a sua situação, sem passar os olhos, ainda que rapidamente, pelo que lá fora acontece. Até porque é lá que nos querem diluir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O falar pedante dos nossos tecnocratas, acolitados pelo coro pretensioso dos democratas que nos desgovernam, pretende sufocar-nos no seio de uma Europa, a nós que fomos chamados para uma missão ecuménica, a um povo que encheu as partidas, a uma nação que se dessangrou no zelo de cristianizar o mundo. Seria ridículo, se ao mesmo tempo não fora trágico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reduzidos hoje às dimensões do séc. XIV, julgam por isso acertado orientar a política a partir daí. Apesar de muitas coisas serem tristemente verdadeiras nos dias que correm, esquece-se ou, o que é pior, deseja-se calar que há mais: há a civilização e há a cultura que deixam as suas marcas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Que Europa nos destinam? --- A Europa de uma Itália, onde durante anos a fio ditou leis a praga da democracia-cristã, ainda por cima impotente para esconder as suas ligações com a Maçonaria, e cujas sequelas continuam vivas? Pretenderão dar-nos a Europa de uma França sempre dúbia, ora burguesa, ora proletária, tão depressa liberal como socialista, de um chauvinismo feroz ou à beira de abrir mão da própria identidade nacional? Será ideia deles seduzir-nos com uma Alemanha que ainda parece dividida e não descobre meio de afugentar fantasmas de guerra? Ou finalmente haverá o projecto de impor-nos a imagem de uma Inglaterra, colosso que subjugou o mundo com ardis de flibusteiros, enriqueceu no saque e na pilhagem, sempre grandiosa no roubo e, hoje, Babilónia da moderna Europa, caída a capa do seu puritanismo, que tantas chagas cobria, já não consegue esconder a podridão que a rói? É a esta Europa que querem amoldar-nos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A resposta encontrar-se-á no Clube de Bilderberg, selecto quanto baste para garantir uma pluralidade muito conveniente. Tudo ao jeito do mais puro estilo revolucionário, ríspido e inflexível se enfrenta oposição, não perdendo oportunidade em revelar-se generoso e compreensivo, quando os outros se acomodam, em nome de uma tolerância sonoramente proclamada, mas de que nunca dão exemplo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esse círculo, que escapou ao genial poeta florentino, é antro das mais engenhosas perfídias que se tramam e que têm repercussão internacional. Ocupam-no os privilegiados que idolatram a Europa, esta Europa ultimamente pronta a franquear portas a uma Turquia, mas que já não tem lugar para a Suíça, pela vantagem meridianamente clara de preservar uma distinta identidade política no país que é banco oficial e casa-forte das fortunas que se fazem por esse mundo fora, algumas delas sabe Deus como.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não obstante os erros, que por cá se praticaram, tal Europa é-nos estranha. Alheou-se de nós quando se afastou da ortodoxia da Fé, e isso ocorreu com o cisma luterano. A partir de então, os Pirinéus separaram Portugal e Espanha da Europa antropocêntrica, a Europa que mergulhava na vertigem do abismo. Nós conservávamo-nos como derradeiros paladinos do universalismo, do objectivismo e da religiosidade, que caracterizavam a visão teocêntrica do mundo que se ergueu sobre os escombros, a que as hordas do Leste reduziram o corrompido Império Romano do Ocidente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fomos, na realidade, paladinos do universalismo espiritual, que vicejou sob a égide da Igreja Católica, a única internacional possível. E este universalismo, que não abafava a individualidade de cada povo, era barreira eficaz contra o poder ilimitado do Leviatão, cujas cabeças já começavam a chocar doutrinas enciclopedistas, mero prelúdio do império esmagador do capital em concorrência satânica com o socialismo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Campeões do objectivismo, defendemos que cumpre ir buscar a verdade, em vez de sermos o centro do conhecimento. Entre os nossos, há um nome que é legenda de glória, nome que ficará a contar ao mundo como Portugal não era apenas discípulo dilecto de Marte e de Neptuno: o batalhador, o navegante também sabia dar vez ao pensador. E surge o humilde, o apagado, o sumido mas tão subido Frei João de São Tomás, luminar da metafísica, expoente da filosofia portuguesa, orgulho do saber cristão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por último, evangelizadores até à medula, morríamos mártires proclamando a verdadeira religião contra cultos pagãos e mitos nascentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Como se vê é algo de incomparavelmente mais profundo e absolutamente distinto de uma corriqueira questão de latitude ou de longitude. Portugal deixou de ser europeu, quando a Europa apostatou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Infelizmente, Portugal também pecou, Portugal está hoje desviado da linha que a si próprio traçara, Portugal encontra-se de olhos fechados à luz. No entanto, devemos esperar a restauração de Portugal através da acção de um escol que sempre desponta nas épocas de crise.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mas antes é curial definir o que se entende por escol:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se o escol, de modo algum se confunde com a actual camarilha do poder, não importa menos evitar a tendência muito acentuada de o esgotar nas classes historicamente dominantes, cujos membros se tornaram incapazes de dar prossecução aos valores positivíssimos, de que se dizem depositários. Isto é fundamental, para não se correr o risco de que os menos esclarecidos se riam de tais valores, personificados em múmias caricaturais. Portanto, cumpre ao escol autêntico afirmar-se sem ambiguidades, e essa obrigação é maior agora que vemos a sorte da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;res publica&lt;/span&gt; confiada a quem fez do exercício da governação uma orgia de devassos e de medíocres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quando a fibra impoluta da nação vibrar, no dia em que o verdadeiro escol se congregar, veremos dissipar-se o horizonte negro que se postou diante dos nossos olhos e parece querer ficar, ser-nos-à então lícito voltar a admitir a possibilidade de que se arrede para longe o castigo pavoroso que nos ameaça.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No meio das trevas, como esperança radiosa, brilha a luz fulgurante da Rainha e Padroeira de Portugal. Só um coração amantíssimo de Mãe pode olhar com tamanha indulgência um filho ingrato e, por isso mesmo, tão necessitado da Sua clemência. Lembrem-se os Portugueses que a única lei a que devem sujeição é a da grei que devem amar, é a da sua terra de Santa Maria.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sabiamente dirigido, irá o povo português, com alento e com robustez, resgatar o chão sagrado, chão regado de sangue, sangue que foi de mártires que semeiam esse solo e de heróis que o juncam. À honra do combate, seguir-se-á a glória do triunfo. Retome Portugal as veredas da Tradição e logo verá como chega o arrebol da redenção!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mês de Maria Santíssima&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;______________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: normal"&gt;,&lt;/span&gt; &lt;span style="FONT-STYLE: normal"&gt;VII, 85, vv.7-8.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;JMC&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-6480895576312822859?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/6480895576312822859/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=6480895576312822859' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6480895576312822859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6480895576312822859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/05/portugal-deriva.html' title='PORTUGAL À DERIVA'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-6883964991086966907</id><published>2009-04-26T11:00:00.022+01:00</published><updated>2010-08-22T17:15:54.101+01:00</updated><title type='text'>A BATALHA E O CARMO</title><content type='html'>&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: center" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-STYLE: italic; TEXT-INDENT: 198pt; MARGIN-LEFT: 198pt" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Neste dia, 26 de Abril de 2009, direi que não é vulgar sucederem-se duas datas de sinal tão antagónico e que mutuamente se excluem. De um lado, está a negação; do outro, a afirmação. A primeira fala-nos de destruição; a segunda conforta-nos na exaltação de uma figura que foi guerreiro e que foi santo.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O soldado, o soldado disciplinado e leal, profícuo na paz e combatente tenaz na peleja, esse soldado é um herói e como tal avança no caminho sublime da santidade. Por seu turno, o homem que a Igreja distingue com a auréola de santo, colhe essa rara distinção porque praticou as virtudes teologais em grau heróico.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Deus permita que a graça do canonizado seja o exorcismo contra a possessão diabólica da traição!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Mosteiro que se levanta por entre o casario da Batalha, é, como todos sabem, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. O triunfo, que ele evoca, entrou nos anais da história militar, mas tem, além disso, um sentido muito mais denso e profundo: é a explosão de um Portugal que mostrava as primícias da sua virilidade e se revelava pronto a cumprir o projecto que Deus quis confiar-lhe.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quem rubricou estes feitos? Aqueles que se passaram a Ceuta, desceram ao longo da costa de África, tocaram ilhas que os oceanos escondiam, beijaram terras de Vera Cruz e saborearam o fascínio das paragens orientais. São os mesmos, enfim, que tornaram o mundo mais pequeno porque o fizeram mais conhecido, aproximando continentes e, sobretudo, estreitando povos e culturas num amplexo de amor fraterno, da única fraternidade possível que é aquela que se dá à luz do Evangelho e da fé de Cristo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estes gigantes são o fuste de uma coluna majestosa. A base desta coluna é o Infante de Sagres, esse príncipe que Camões não pôs fora da «ínclita geração» &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;(1), nem eliminou do número dos «altos infantes» &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;(2), aquele cuja mãe Fernando Pessoa sagrou com o nome de «humano ventre do Império» (3), um seio que intrigava o poeta da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Mensagem&lt;/span&gt;, a ponto de este perguntar que enigma nele havia «que só génios concebia» (4). Por fim, essa espantosa coluna, da qual já aludi à base e ao fuste, tem o capitel em D. João II.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A filosofia de vida deste Rei encaixa-se, certeiramente, na sua divisa "pela lei e pela grei". Mentalidade e lema interpenetram-se com tanta espontaneidade que o reflexo fiel dessa equação de forças é-nos dado pelo emblema do pelicano. Jaz este modelo de homem de Estado, sob as arcadas góticas do histórico monumento, ao qual Mestre Afonso Domingues emprestou, de modo indelével, a centelha luminosa do seu talento. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Mosteiro de Santa Maria da Vitória é, pois, verdadeiro relicário de glórias nacionais --- quando gravou na sua pedra o prodígio de Aljubarrota, logo perpetuou o nome e a figura do Condestável de D.João I.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nun'Álvares, aquele que se pode chamar de pai da Pátria porque foi quem, na tarde de 14 de Agosto de 1385, a golpes de montante, abriu o sulco onde o tronco de Avis deitou raízes para, rico da mais abundante seiva, imediatamente florir e rebentar em frutos de uma epopeia inédita, esse indómito paladino, cumprida a sua missão temporal, largou o fausto magnífico do século para se sumir na apagada humildade do claustro. O vencedor de tantos recontros bélicos, sofreando o ardor do campeão debaixo do hábito grosseiro do monge, foi continuar o que sempre fizera: viver o amor de Deus nosso Pai, doando-se ao próximo na pobreza, como já se lhe entregara no auge dos triunfos militares! O culto prestado ao Senhor dos Exércitos, quando as armas lhe sorriam, passou a manifestar-se no socorro aos necessitados, repartindo tudo por todos. Assim se formou, segundo Oliveira Martins, o «exemplar mais belo da aliança do heroísmo e da santidade» (5). E a história atou um laço indefectível, que une a sonoridade artística da Batalha ao místico silêncio do convento que está no coração de Lisboa, e que recolheu o último suspiro do seu fundador.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Este venerando convento, o Convento do Carmo, devia ser, por conseguinte, lugar de romagem e de peregrinação patriótica. Infelizmente, conspurcaram-no: foi enlameado no dia 25 de Abril de 1974, na hora sombria em que a pusilanimidade de um governante céptico e tíbio deixou escorregar, das mãos duvidosas, a vara de um mando já vacilante. E é também profanado de cada vez que desperta a memória da vilania cometida. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os fumos dessa traição encobrem a certeza de um quotidiano de demissão progressiva. Todo este quadro, que é um quadro de dor e de miséria, é igualmente um quadro de vergonha, de uma vergonha moral não só para os seus autores, mas também para todos os que nele consentimos. Antes de pedir contas aos culpados, que o foram por acção, temos de redimir-nos do nosso pecado por omissão. E essa redenção passa necessariamente pela recuperação da dignidade nacional.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se esta é obra que a todos compete realizar, há uma geração que tem obrigação acrescida de lhe pôr remate. É a geração santificada nas aras de um sacrifício puro, em que se defendiam valores indiscutíveis, mas ao qual a felonia de uns tantos, adivinhando Portugal a um passo do sucesso, embora impotente para lhe roubar a honra, atreveu-se e conseguiu transformar esse esforço numa campanha inglória.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os homens dessa geração mergulharam no crisol de uma luta em que experimentaram a prisão, sofreram o exílio, se chocaram com contrariedades, arrostaram e arrostam com a indiferença, a incompreensão e o escárnio, sentiram e sentem ainda a dureza da sorte adversa, tudo isto por quererem pagar o preço de continuar a ser portugueses.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Esta geração ostenta o singular privilégio de ter sido chamada a formar a geração do resgate, se não quiser arrastar o peso de ser recordada como a geração do opróbrio, a geração que se deixou bater por aqueles que, para serem outros tantos Coriolanos, só lhes falta o fulgor do génio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Pátria convoca os seus melhores filhos à revolta justiceira. Não cerremos os ouvidos ao seu angustiado apelo. E ao Carmo da derrota e da desonra, oponhamos Aljubarrota, uma Aljubarrota mais exigente porque será a Aljubarrota do espírito, entendido o espírito na acepção paulina de alma e corpo em estado de graça, ou seja, neste caso, de pensamento ortodoxo e acção condizente não já de Portugal contra o estrangeiro, mas sim de PORTUGAL contra o ANTIPORTUGAL porque é interno o inimigo principal! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Condestável de Portugal, sagra com a tua espada de cavaleiro o futuro capitão da nova Aljubarrota e protege-o na luta com a tua bênção de santo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;________________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol type="1" startat="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Lusíadas, &lt;/span&gt;IV, 50, v.8.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Mensagem&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Ib&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;A Vida de Nun'Álvares&lt;/em&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: normal"&gt;, 8.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1968, p.314.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-STYLE: italic" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: justify; FONT-STYLE: italic" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="TEXT-ALIGN: right" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;JMC&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-6883964991086966907?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/6883964991086966907/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=6883964991086966907' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6883964991086966907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6883964991086966907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/04/batalha-e-o-carmo.html' title='A BATALHA E O CARMO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-5844727283093061206</id><published>2009-04-10T15:00:00.003+01:00</published><updated>2012-01-25T08:18:29.364Z</updated><title type='text'>INFIDELIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sdg9I3RwP4I/AAAAAAAAAJw/haTjnR83Meo/s1600-h/cristo_crucificado.jpg"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321070182224904066" src="http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sdg9I3RwP4I/AAAAAAAAAJw/haTjnR83Meo/s400/cristo_crucificado.jpg" style="display: block; height: 400px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 230px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;br /&gt;Pai! Pai! Porque foi que me abandonaste?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Perguntava Jesus, na agonia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Daquela acerba hora, que vivia,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sem que por isso o Pai a dor lhe afaste.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O sangue divino que derramaste,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Foi sumo tributo que redimia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A pobre humanidade, que sofria,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Escrava do pecado que pagaste!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Assim o eterno Pai ao Filho amado,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Revelava o porquê alto e profundo,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Pelo qual O havia abandonado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Exulte-se, pois! Triste, o maior dó&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É o de quem pergunta, lá no fundo:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Pai! Porque te terei deixado só?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Semana Santa, 2009&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;JOAQUIM MARIA CYMBRON&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-5844727283093061206?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/5844727283093061206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=5844727283093061206' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5844727283093061206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/5844727283093061206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/04/infidelidade.html' title='INFIDELIDADE'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/Sdg9I3RwP4I/AAAAAAAAAJw/haTjnR83Meo/s72-c/cristo_crucificado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-1994986283125922209</id><published>2009-04-02T00:30:00.004+01:00</published><updated>2009-04-02T00:30:01.192+01:00</updated><title type='text'>A PÉROLA DA CONSTITUIÇÃO</title><content type='html'>&lt;p class="(M) HTML Body" style="MARGIN-TOP: 12pt; MARGIN-BOTTOM: 6pt; FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: justifyfont-family:'Arial';" &gt;A Constituição da República Portuguesa tem um preâmbulo que é conhecido do público, mas não é verdadeiro. O autêntico é uma pérola bem guardada de olhos profanos. Nada mais justo, hoje que se cumprem 33 anos sobre a data da sua consagração democrática, que se revele a jóia mais preciosa da coroa republicana. &lt;span style="FONT-STYLE: normal;font-family:'Verdana';" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: justifyfont-family:'Arial';" &gt;Entendo que esta homenagem é devida a tão augusta soberana! &lt;span style="FONT-STYLE: normal;font-family:'Verdana';" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Antiportuguesas, aproveitando a proverbial paciência do povo português e falseando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime farsista. &lt;span style="font-family:'Verdana';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Procurar lançar Portugal na pior das ditaduras, na opressão e em colónia do estrangeiro representou uma transformação revolucionária e o início de uma traição histórica de que foi vítima a sociedade portuguesa. &lt;span style="font-family:'Verdana';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Revolução não restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No esbulho destes direitos e liberdades, os ilegítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma aberração que corresponde às aflições do País. &lt;span style="font-family:'Verdana';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Assembleia Aberrante contraria a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos e estabelece os princípios deletérios da democracia, assegura a catástrofe do Estado de Direito democrático e abre caminho para uma sociedade socialista no desrespeito do interesse do povo português, tendo em vista a construção de um país mais escravizado, mais injusto e mais carregado de ódios. &lt;span style="font-family:'Verdana';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Assembleia Aberrante, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Aberração da República Portuguesa. &lt;span style="font-family:'Verdana';"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: rightfont-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O descodificador, &lt;span style="FONT-STYLE: normal;font-family:'Verdana';" &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="(M) HTML Paragraph" style="TEXT-ALIGN: right;font-family:'Arial';" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-1994986283125922209?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/1994986283125922209/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=1994986283125922209' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1994986283125922209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1994986283125922209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/04/perola-da-constituicao.html' title='A PÉROLA DA CONSTITUIÇÃO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-8681728831169863600</id><published>2009-03-03T22:33:00.015Z</published><updated>2012-01-27T10:35:32.456Z</updated><title type='text'>CANCRO SOCIAL</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O poder é! E o poder que é chama para a governação pública quem quer e como quer:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Aqui convida um número restrito; além, um mais alargado. Agora, dá-lhe força deliberativa; mais adiante, só lhe concede valor consultivo. Congeminações à volta deste assunto, que se ocupem em procurar como deveria ser aquilo que é e deixem de analisar o que é, constituem o passatempo de especial predilecção dos democratas, os quais não chegam a elaborar nenhuma construção porque se explicam com o explicando e dão o explicando por explicado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Na prática e na doutrina, a democracia é qualquer coisa de farisaico e disforme:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;No dia a dia, ela é para os povos a política em latim, política que muitos governantes só incipientemente articulam e alguns até fazem dela uso em calão. Isto é ainda mais aflitivo quanto é certo que hoje se mergulhou numa pavorosa indigência intelectual. Este quotidiano da democracia aproveita apenas aos excepcionalmente dotados, que se servem sem servir. E é tanta a impudência que o sistema se diz do povo, pelo povo e para o povo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nas suas linhas teóricas, a democracia é a apoteose do despautério. Com efeito, só a verdade, diligente e rectamente procurada pela inteligência, verdade a que a vontade adere pelo bem nela contido, só a verdade, repiso, assume o direito de orientar os homens e, com eles, os povos. A obediência cega da vontade ao sabor dos apetites desordenados significa, pelo menos, o reinado inconsciente do capricho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O que vai contra a verdade é o erro, maior ou menor, mas sempre erro. E assim uma proposição pode estar conforme à verdade ou afastar-se dela. Suponhamos, então, que uma comunidade é chamada a pronunciar-se sobre dada coisa, que se submete à sua apreciação, e a fazê-lo em moldes democráticos, onde o justo se confunde com o que é querido:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quot homines, tot sententiae&lt;/span&gt;, há de assistir-se a um destes possíveis resultados: o bem será ténue quando for escassa a vitória nas urnas; se ela é folgada, então aumenta a certeza de que é bom o sufrágio obtido; sempre que o escrutínio apontar para maiorias esmagadoras, aí veremos uma imensa bondade; por fim, se não houver um só voto destoante, estaremos perante o bem absoluto! Como monumento ao furor de cérebros transtornados pela maldade ou ao estupor pasmoso que a imbecilidade cria, não se pode exigir mais!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Este é o regime que vigora em Portugal.Vejamos ao que nos levou:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Tirando a crise de 1383-1385, que foi um marco excepcional porque se assistiu a uma reacção estuante de força, vai-se ouvindo, hoje como sempre que Portugal ameaçou extinguir-se, a jeremiada que é costumeira. Agora que de novo se mandam celebrar exéquias como se a Pátria morresse às ordens daqueles que se pranteiam, em vez de levar o luto aos traidores; quando tantos desesperam parecendo esquecer que, numa nação tão antiga, alguns anos bem se podem considerar um simples momento, agora mais do que nunca é que todos devemos guardar lucidez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Não compreendo, melhor, revoltam-me os responsos fúnebres que se escrevem e se gritam por Portugal. Esses hinos chorosos partem de gente que se julgou salvadora da Pátria, uma salvação que se daria num abrir e fechar de olhos. Mas uma nação não se resgata de um dia para o outro; redime-se quando Deus o decreta e se assim estiver nos Seus insondáveis desígnios. Quanto a ser-se salvador da Pátria faz-se mister um estofo que esses, que se arvoraram em paladinos de Portugal e lhe passaram depois certidão de óbito, tinham de demonstrar que possuíam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Uma coisa provaram sobejamente: mostraram não ter fé. E sem fé não se vai longe. Nem sequer falo da fé, virtude teologal que só a caridade supera, como nos ensina S. Paulo (1). Esse seria o dom excelente, mas aqui eu reporto-me apenas àquele sentimento que enche o peito dos que crêem nos princípios e nos objectivos, que lhes inculcam, sem indagar razões, tipo de mística defeituosa, mas, de qualquer forma, mística, força que os empreendimentos de vulto reclamam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Esta mística é a mística da Revolução e, em parte, daí a explicação dos seus êxitos. Veja-se o exemplo dos comunistas e porventura se compreenderá algo do que eu pretendo dizer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Só a perseverança, nuns casos, ou a obstinação comedida, noutros, importam. Apenas os animados de fortaleza e recta inteligência ou os obcecados em quem luza algum talento, e haja neles, por paradoxal que pareça, um fundo de equilíbrio, só esta gente deixa rasto. É a massa que solta os grandes facínoras, mas donde também rompem os heróis, essa espécie de semideuses do paganismo como já os entendia a mitologia grega, e, na linguagem mais suave e quantas vezes mais sublime do catolicismo, ela dá os apóstolos, dá os mártires, dá os santos! Do resto, saem os homúnculos que, a par dos outros, são como anões ao lado de gigantes, pigmeus aos pés de uns colossos, formam enfim o cortejo da mediocridade que não conta. A mediocridade é timbre das maiorias e pesa unicamente na heráldica das democracias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Eis algumas razões por que disse não compreender, revoltar-me e, acrescento-o agora, repudiar a litania plangente, pouco honrosa e, ao mesmo tempo sem base inilidível que se anda entoando. Não nego que o horizonte é um horizonte carregado, em que as sombras se adensam e se não vê brilhar luz. Mas são sempre os homens de fé, pelo menos daquela fé de que há pouco falei, são esses que vão agarrar, no meio das trevas mais profundas, um fio que alumia a esperança. Essa esperança é preciosa num panorama tão turvo como é aquele em que vivemos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Há quem se deixe entorpecer, fiando-se dos reveses, mais aparentes que reais, sofridos pelos comunistas em diversas paragens do mundo. Esta é a ideia criada na grande massa do povo, povo que constitui o trampolim do poder político porque é povo e não qualquer povo, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;povo soberano.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;A convicção, de que o comunismo é um perigo ultrapassado, reflecte um pensamento, que não só é insubsistente como também assume foros de perfeita loucura. Com efeito, pouco haverá tão contrário à verdade da vida política. A democracia, nos nossos dias, alastrou bastante e tornou-se quase geral no concerto das nações mais influentes na marcha das sociedades humanas. Não é de hoje, nem foi ontem que os comunistas se habituaram a conviver com a democracia. E se é inegável que aspiram ao seu derrube, não é menos certo que só lançarão o ataque decisivo quando estiverem seguros da conquista do poder, preservando até lá o sistema democrático com um zelo inexcedível por motivos mais que evidentes: «A história conhece a democracia burguesa, que vem substituir o feudalismo, e a democracia proletária, que vem substituir a burguesa», escreveu Lénine (2). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ex absurdo sequitur quodlibet. &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Este princípio, válido para a lógica, aplica-se também à prática da política. Sei que a teoria dos &lt;/span&gt;quanta&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, sustentando as relações de incerteza nas próprias leis físicas, já sepultou Laplace. Não há determinismo total no mundo cósmico, muito menos nas acções humanas. Mas não há dúvida que cada um de nós constrói o seu destino. E aqui importa não perder de vista que o assalto ao poder político depende da decisão e da combatividade de quem o cobiça.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Neste campo, os comunistas são exímios. Estão integrados numa organização de estrutura férrea. De uma rigidez notória na teoria que professam, na táctica são de uma flexibilidade admirável. E com o seu relativismo moral, recorrem a todos os meios para lograr os fins pretendidos, lançam mão de quanto podem, não hesitam um minuto na escolha de processos desde que adequados à realização dos seus intentos. Portanto, o seu valor é de temer e será insensato quem o despreze.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;À carneirada, os comunistas preferem uma vanguarda de qualidade: o resto vai atrás! «O exército, consequentemente, era já por volta de Outubro-Novembro de 1917 &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meio bolchevique&lt;/span&gt;», palavras de Lénine, o qual, logo a seguir, confessa que «sem isso não poderíamos vencer.» (3).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Meditemos sobre isto; proceda-se aos ajustamentos impostos pelo caso português; e que a lição nos sirva. Os comunistas terão muitos defeitos, mas, entre essas falhas, por certo que não se conta a leviandade. Minimizar as manobras comunistas é de uma ingenuidade ou de uma maldade que ultrapassa o admissível; considerar aventureirismo, como muitos fazem, o comportamento daqueles que, demarcando-se do blanquismo, entendem que «não se pode permanecer fiel ao marxismo, permanecer fiel à revolução sem tratar a insurreição como uma arte», como é lembrado por Lénine (4), olhar pois os comunistas como quixotes desvairados em busca de encantadas Dulcineias, se não é uma requintada infâmia, é pelo menos risível!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;____________________________________________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;1 Cor. 13, 13.&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;A revolução proletária e o renegado Kautsky&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;Obras Escolhidas&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, III, Edições 'Avante!', Lisboa e Edições Progresso, Moscovo, 1979, p. 15.&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;As eleições para a Assembleia Constituinte&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;ib&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;., p. 233.&lt;/span&gt; &lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;O Marxismo e a Insurreição&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;,&lt;/span&gt; &lt;em&gt;ib&lt;/em&gt;., &lt;span style="font-style: normal;"&gt;II, 1978, p. 312.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-8681728831169863600?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/8681728831169863600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=8681728831169863600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8681728831169863600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/8681728831169863600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/03/cancro-social.html' title='CANCRO SOCIAL'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-1300696877269829595</id><published>2009-02-23T15:02:00.007Z</published><updated>2012-01-27T10:36:16.790Z</updated><title type='text'>ESPANHA, 23-F</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Sempre defendi o dualismo peninsular. As razões, ainda recentemente as &lt;/span&gt;&lt;a href="http://legitimismo.blogspot.com/2008/11/meditao-sobre-portugal_25.html"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;apontei&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;. Mas também nunca deixei de reconhecer o impressionante paralelismo existente entre a história de Portugal e de Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, limito-me a remeter para o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://lasantaalianza.blogspot.com/2009/02/un-23-de-febrero.html"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;depoimento notável de um carlista&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;, espelho da tenacidade de uma juventude integrada numa dinastia de combatentes com 175 anos de luta em defesa da Tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus permita que, entre nós, mais soldados se juntem às honrosas excepções que vão surgindo na gente moça que levanta a bandeira da legitimidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-1300696877269829595?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/1300696877269829595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=1300696877269829595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1300696877269829595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1300696877269829595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/02/espanha-23-f_23.html' title='ESPANHA, 23-F'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-3845804703625105383</id><published>2009-01-27T00:43:00.012Z</published><updated>2012-01-27T10:37:37.951Z</updated><title type='text'>ROMA LOCVTA EST</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Santíssimo Padre: &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Foi com imenso júbilo que recebi a notícia de ter Vossa Santidade decidido levantar as excomunhões que pesavam sobre quatro Bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;E, nesta hora de tanta alegria para a Igreja Católica, atrevo-me a pedir, à paternal solicitude de Vossa Santidade, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Implorando a bênção apostólica de Vossa Santidade, ajoelho e beijo o anel do sucessor de Pedro, &lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Escólio:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Nenhum português será legitimista se não for católico. E para ser católico tem de estar com o Papa, e com aqueles que procuram que seja uma realidade tangível o sagrado princípio enunciado nas palavras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ubi Petrus&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ibi Ecclesia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Ao mesmo tempo, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria é um anelo grato ao coração de qualquer português com fé, porque foi pedido pela Virgem, nossa Padroeira, no solo bendito de Fátima. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="font-style: italic; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;Estas as causas da carta que enviei para Roma. Quem as achar justas, siga o mesmo caminho e escreva.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-3845804703625105383?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/3845804703625105383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=3845804703625105383' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3845804703625105383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/3845804703625105383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/01/roma-locuta-est.html' title='ROMA LOCVTA EST'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-6755611259306248964</id><published>2009-01-09T17:10:00.013Z</published><updated>2012-01-27T10:38:45.008Z</updated><title type='text'>A RESPONSABILIDADE DE SER CATÓLICO</title><content type='html'>&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="font-style: italic; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteCorponormal" style="font-style: italic; margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;a href="http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2009/01/07/carta-aberta-aos-deputados-do-meu-pais/#comment-13479"&gt;A carta aberta aos deputados do meu país&lt;/a&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;é um documento apreciável. Mas nela há um trecho que não posso deixar passar sem reparo:&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Encontra-se ele quando a autora, ao mesmo tempo que elogia o Grão-Duque do Luxemburgo pela sua recusa em sancionar, naquele país, a lei que autorizava a eutanásia e o suicídio assistido, escreve, a respeito daquele soberano, que «&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;não é por ser católico que assim age&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;porque o direito à vida é de ordem natural e a eutanásia é tão reprovável para o cristão&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;como para o pagão&lt;/span&gt;.» (O negrito é meu).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;É verdade que a eutanásia devia ser condenável aos olhos de qualquer homem e que o pagão pode ter disso uma noção clara, mostrando-se até muito mais fiel a este princípio do que aquele que se diz cristão. E isto porque o direito à vida é, de facto, um imperativo que decorre da lei natural!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Simplesmente, a lei natural, como a definia S.Tomás de Aquino, é «&lt;span style="font-style: italic;"&gt;participatio legis aeternae in rationali creatura &lt;/span&gt;(...)» (1). Ora a lei eterna é aquela que existe na mente divina, desde toda a eternidade. E foi em Jesus Cristo e pelos seus Apóstolos que nos foi revelada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Quando votei contra a despenalização do aborto, fi-lo como ser racional, mas fi-lo também como crente da religião que professo (2).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O Grão-Duque do Luxemburgo, sendo católico, quando se negou a assinar a lei iníqua, votada no seu país, deu testemunho, por obras, da sua fé católica.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Há uma coisa curiosa que tenho de registar, antes de terminar:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Se o Grão-Duque tivesse ratificado a lei, certamente não faltaria quem erguesse a voz perguntando: E é isto um católico?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;O escândalo seria então legítimo. Porquê, pois, deixar no olvido a sua condição de católico, quando se mostra à altura dela?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;_________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="AbWriteNormal"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol startat="1" type="1"&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;&lt;em&gt;Summa&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Theologica&lt;/em&gt; &lt;em&gt;q&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. 91, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;a&lt;/em&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;. 2, &lt;/span&gt;&lt;em&gt;ad&lt;/em&gt; &lt;span style="font-style: normal;"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;/li&gt;&lt;li class="AbWriteNormal"&gt;Col. 3, 17; 1 Cor. 10, 31.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div align="right" class="AbWriteNormal"&gt;JMC&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-6755611259306248964?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/6755611259306248964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=6755611259306248964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6755611259306248964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/6755611259306248964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2009/01/responsabilidade-de-ser-se-catlico_09.html' title='A RESPONSABILIDADE DE SER CATÓLICO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mey8rshzPl0/TQgj8F81dzI/AAAAAAAAAMY/H_aAjRu2XaY/S220/70446_1772698734_6369709_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4300513941891932223.post-1587975633654880601</id><published>2008-12-27T22:33:00.000Z</published><updated>2009-03-01T22:40:01.735Z</updated><title type='text'>O GRÃO-DUQUE DO LUXEMBURGO</title><content type='html'>&lt;p class="AbWriteCorponormal" style="MARGIN-TOP: 0pt; MARGIN-BOTTOM: 0pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Grão-Duque do Luxemburgo avisou que não assinaria qualquer lei que autorizasse a eutanásia e o suicídio assistido. A reacção logo se fez conhecer: o chefe do governo procurou modificar a Constituição, negando esse poder ao soberano.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na Grécia antiga, Platão defendeu como necessário à cidade ideal que os filósofos reinassem ou que os reis fossem filósofos (1). Sábia máxima, que descobria uma nobre intenção: a aliança entre saber e poder.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hoje, a mentalidade é de destruição: para que se acelere o caos, urge que os eunucos sejam reis ou que os reis acabem eunucos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os poucos, que resistem, são execrados pela plebe. Plebe é o clero, a nobreza e o povo em estado apodrecido!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entretanto, os sinos das nossas igrejas estão prontos para tocar as festivas notas que anunciam o nascimento do Salvador. Em qualquer altura do ano, mas especialmente nestes dias, impõe-se que tributemos apreço e rendamos o nosso aplauso, a quem prova com tanta coerência a solidez da sua fé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não o detiveram respeitos humanos; não curou de saber o que iria agradar às paixões da turbamulta; nem recuou perante o risco de isso vir a custar-lhe os títulos deste mundo. Tomou a decisão que se exige a um católico.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se nos lembrarmos que, nas suas veias, corre sangue do último Rei de Portugal, então a admiração, muito legitimamente, transforma-se em orgulho. E pode ele estar certo que foi digno do Rei-Confessor, seu Avô.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal" style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Joaquim Maria Cymbron &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="AbWriteNormal"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;______________________________________&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;em&gt;A República&lt;/em&gt;, Liv. V.&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p align="right"&gt;JMC&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4300513941891932223-1587975633654880601?l=legitimismo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://legitimismo.blogspot.com/feeds/1587975633654880601/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4300513941891932223&amp;postID=1587975633654880601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1587975633654880601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4300513941891932223/posts/default/1587975633654880601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://legitimismo.blogspot.com/2008/12/o-grao-duque-do-luxemburgo_27.html' title='O GRÃO-DUQUE DO LUXEMBURGO'/><author><name>Joaquim M.ª Cymbron</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12863953266329290921</uri><email>noreply@blogger.com</e
