quarta-feira, 9 de junho de 2010

A MORTE DE ROSA COUTINHO


Parece paradoxal, na véspera do Dia de Portugal , que eu encime as breves palavras que seguem, com o nome de um traidor sanguinário. Porém, talvez não seja assim.

A seguir ao 28 de Setembro, fui detido em Angola por ordem de Rosa Coutinho. Agora, à conta da sua morte li trechos de grande violência, alguns recheados de comentários que não dignificam quem os escreve. A linguagem soez pode ferir os contrários, mas não edifica. E a agressão puramente verbal, só por si, não chega. Se queremos verdadeiramente resgatar Portugal, teremos de estar preparados para um combate que pode ser cruento. Para tal, devemos formar as nossas hostes de combatentes. Lançarmo-nos ao assalto, antes disso, é mais que temeridade, será estultícia porque, de momento, carecemos de meios humanos preparados para essa tarefa.

Voltando ao significado da morte de Rosa Coutinho, este nome cuja memória fez explodir de ira tanta gente, a personagem sinistra que causou ruína e morte numa escala assustadora, eu, embora respeitando a revolta dessas vítimas, não comungo dos sentimentos de levar essa sanha para lá da vida terrena. Não digo que também sofri, na carne e no espírito, a desgraça que se abateu sobre a Pátria, porque esse tormento continua. Mas o homem já compareceu perante Deus, a fim de prestar contas. Não entremos nesse ádito sagrado que é o Tribunal da Eternidade e o único que não falha.Reservemos a nossa sede de justiça para os que ainda estão vivos e continuam a representar um perigo contra a Pátria. Um deles tem a afoiteza de se propor para a Suprema Magistratura da Nação.

Quando Rosa Coutinho mandou o MFA deter-me, fez o que era sua estrita obrigação, dentro de um quadro de valores que eu repudio. Nós é que não temos cumprido o que nos cabe realizar. Devemos, finalmente, conseguir que a raiva e o ódio (se eles quiserem consumir-se nisso), passem para o lado de lá. Já tardámos muito. Seria bom que não nos atrasássemos mais.

É preciso convencermo-nos que somos os principais culpados das derrotas que nos tocam. Sem consciência disso, não podemos aspirar à vitória.

VIVA PORTUGAL CATÓLICO!


Joaquim Maria Cymbron

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